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Stocks on the MoveAndreas Clenow · 2015
A leitura do Quantor · Quant, fatores e probabilidade

Stocks on the Move

Andreas Clenow, 2015

Clenow transformou momentum numa máquina de regras explícitas — qualidade da tendência, posição dimensionada pela volatilidade e torneira ligada ao índice —, e na B3 essa máquina funciona como controle de risco e como seleção até 2019, mas nenhuma das versões sobrevive ao teste honesto de bater o CDI em todos os subperíodos: aqui, o que separa o investidor do acaso não é o ranking de momentum, é a trava de tendência.

6 capítulos · cerca de 44 min de leitura · texto próprio do Quantor, com os números da B3
Este não é o livro. É a leitura do Quantor sobre ele: as ideias de Andreas Clenow explicadas com texto próprio, as histórias que o livro conta, o que envelheceu, e o que ele ensina testado com 20 anos de dados da B3. Para a obra completa, leia o original.

Sumário

  1. 1O gestor que preferiu escrever o códigoComo um gestor vindo de futuros migrou para ações individuais e publicou o sistema inteiro — seleção, tamanho de posição, rebalanceamento e a regra de ficar de fora.6 min · aberto
  2. 2Inclinação, aderência e o tamanho certo da posiçãoAs cinco engrenagens que transformam "comprar o que sobe" num sistema com regra de risco escrita antes do pregão.Explica as cinco peças do sistema de Clenow: medir a qualidade da tendência pela inclinação ajustada à aderência do preço, excluir papéis que saltaram por evento, dimensionar cada posição pela amplitude diária típica, condicionar compras ao regime do índice e rebalancear em cadência fixa. Mostra o mecanismo de cada peça, os parâmetros originais do livro e por que a decisão de tamanho pesa mais do que a escolha do papel.
  3. 3O que a B3 responde ao sistema de ClenowQuatro versões do sistema rodadas em vinte anos de bolsa brasileira, e a descoberta de que a trava de tendência pesa mais que o ranking.A versão mais próxima de Clenow — as 10 ações de maior inclinação de tendência de 12 meses ponderada pela aderência — rendeu +12,0% ao ano na forma pura, com pior queda de −54%, e +20,2% com a trava do Ibovespa, contra CDI de +10,2% e Ibovespa de +8,6% no mesmo teste; nenhuma das versões passou no critério de bater o CDI e o sorteio em todos os subperíodos. O capítulo mostra que a trava de tendência do índice muda o resultado mais do que qualquer critério de ranking, e que entre 2020 e 2026 todas as variantes de momentum em ações brasileiras ficaram perto de zero.
  4. 4Tendências que acabaram malCinco episódios da bolsa brasileira que explicam por que cada peça do sistema de Clenow existe — e o preço que cada uma cobra de quem a usa.Usa o topo de maio de 2008, a concentração dos melhores dias dentro das crises, os ciclos de corte da Selic, o caso PETR4 e as recuperações pós-colapso para mostrar o mecanismo do filtro de índice, da cadência mensal e do tamanho de posição por volatilidade. Mostra também o custo de cada peça e a tensão de fundo: as melhores janelas de retorno esperado começam justamente quando o sistema está fora do mercado.
  5. 5O sistema que depende do ventoOnde o método de Clenow encontra o juro real brasileiro, um universo pequeno demais e um período inteiro em que momentum não pagou nada.Mostra que entre 2020 e 2026 as quatro versões de momentum testadas na B3 ficaram entre −5,3% e +0,9% ao ano, enquanto no mesmo teste o CDI do período completo rendeu +10,2% ao ano, e explica o porquê: universo líquido pequeno e correlacionado, custo de giro que come pontos inteiros e uma aplicação sem risco que serve de piso. Expõe ainda o limite comportamental — a dor da queda, e não o retorno médio, é o que faz o investidor abandonar o sistema.
  6. 6Regras que você consegue repetirAs quatro disciplinas que sobreviveram ao teste na B3 — e a conta que decide se o sistema vale o trabalho.Converte o sistema de Clenow em quatro disciplinas tiradas dos testes na B3: decidir o regime antes do papel, ranquear por qualidade de tendência, dimensionar pela volatilidade e comparar sempre com o CDI e com carteiras sorteadas. Mostra que a trava de tendência levou a pior queda da «Qualidade da tendência» de −54% para −20%, mas na «Distância à média de 200» parou em −36%, e que nenhuma versão de momentum em ações bateu o CDI em todos os subperíodos.
Leitura Quantor · capítulo 1 de 6

O gestor que preferiu escrever o código

Como um gestor vindo de futuros migrou para ações individuais e publicou o sistema inteiro — seleção, tamanho de posição, rebalanceamento e a regra de ficar de fora.

Quase todo livro de análise técnica vende um gatilho de compra e deixa o resto — quanto comprar, quando sair, quantos papéis ter, o que fazer quando o mercado inteiro vira — para a intuição do leitor. Stocks on the Move faz o contrário: entrega o sistema inteiro, com os parâmetros à mostra, e aceita ser julgado por ele. Essa escolha é o que torna o livro interessante e também o que o deixa vulnerável, porque sistema publicado é sistema que pode ser testado — inclusive numa bolsa que Clenow nunca teve em mente.

O homem que veio dos futuros

Andreas Clenow é gestor suíço por adoção, com carreira dividida entre tecnologia financeira e administração de dinheiro. Antes de gerir carteiras, trabalhou na indústria de dados e sistemas de mercado, com passagem pela Reuters — a parte do mercado que constrói as telas que todo mundo olha, não a que opina sobre elas. Essa origem explica o tom do livro. Ele escreve como alguém acostumado a especificar um processo até o ponto em que outra pessoa consegue implementá-lo sem precisar perguntar nada.

Seu livro anterior, de 2013, tratava de seguir tendência em futuros — o universo de contratos de petróleo, grãos, juros, moedas e índices que os CTAs operam há décadas. Ali a lógica é clássica: você não sabe qual mercado vai disparar, então monta um sistema que compra força e vende fraqueza em dezenas de contratos pouco correlacionados, erra na maioria das apostas e ganha porque as poucas tendências grandes pagam todas as perdas pequenas. Em 2015 ele muda de mercado. Troca os futuros por ações individuais e, com isso, troca também o problema.

A troca é mais radical do que parece. Em futuros, o gestor tem diversificação de verdade: ouro não anda com juro japonês, boi gordo não anda com gás natural. Em ações de um mesmo país, tudo anda junto quando o pânico chega — e anda junto justamente no dia em que você precisaria que não andasse. Um sistema de tendência em ações, portanto, não se defende pela diversificação entre ativos; precisa de outro mecanismo. Guarde essa frase, porque é dela que nasce o elemento mais importante do livro.

2015: backtest para todo mundo, prova para quase ninguém

O livro nasce num momento específico. Duas coisas aconteciam ao mesmo tempo em meados da década de 2010. A primeira: fundos sistemáticos de ações — quantitativos, montados sobre fatores como valor, qualidade e momentum — tinham saído do nicho acadêmico e viravam produto de prateleira, com ETFs cobrando taxas minúsculas para entregar o que gestor ativo cobrava caro. A segunda: a barreira técnica para testar uma ideia desabou. Dados históricos ficaram baratos, Python e suas bibliotecas de dados viraram ferramenta comum, e quem tinha um notebook passou a rodar em vinte minutos um teste que, quinze anos antes, exigia infraestrutura de banco.

Contra esse pano de fundo, a prateleira de análise técnica continuava sendo o que sempre foi: figuras desenhadas em gráficos escolhidos depois do fato, regras vagas o bastante para nunca estarem erradas, nenhum número que alguém de fora pudesse conferir. Clenow escreve contra isso de forma deliberada. O argumento é simples e desagradável: se a regra não pode ser programada, ela não é uma regra, é uma impressão. E se ela pode ser programada e você não programou, está apostando sem saber no quê.

O resultado é um documento de engenharia disfarçado de livro de investimento. Ele mostra o código, discute escolhas de parâmetro, admite o que é arbitrário e expõe os resultados ano a ano, incluindo os anos ruins. Essa postura vale mais do que o sistema que ele descreve, e é a razão de o livro ainda ser lido.

Um sistema, não um indicador

O que separa este livro dos cem outros sobre momentum é o escopo. A maioria para na primeira pergunta: como escolher a ação. Clenow responde quatro perguntas, e a primeira é a menos importante delas.

Escolher a ação é o ranking de momentum, e ele tem uma versão própria, baseada na qualidade da tendência e não só no tamanho da alta. Quanto comprar de cada uma é o dimensionamento por volatilidade: ação nervosa entra pequena, ação calma entra grande, de modo que cada posição carregue um pedaço parecido do risco da carteira. Quando mexer é o rebalanceamento periódico, mecânico, sem direito a opinião no meio do caminho. E quando não estar comprado é o filtro do índice: se o mercado como um todo está abaixo da própria média longa, o sistema não abre posições novas.

Juntas, as quatro peças formam algo que o leitor consegue repetir. Esse é o teste real de um método — não "funcionou no gráfico", mas "eu consigo executar isso no último dia útil de todo mês, por vinte anos, inclusive no mês em que estiver com medo". A contribuição de Clenow é ter escrito as quatro peças com precisão suficiente para que a execução não dependa de humor.

Para quem serve, e para quem não serve

Serve para quem administra a própria carteira com disciplina de calendário e estômago para queda prolongada. O perfil é nítido: alguém que aceita olhar a tela uma vez por mês, executar uma lista e desligar; alguém que aceita vender uma empresa excelente porque ela caiu no ranking, e comprar uma ação que já subiu muito porque o ranking mandou. Quem precisa se convencer da tese antes de cada ordem vai sabotar o sistema no terceiro mês.

Não serve para quem quer previsão. O método não tem opinião sobre para onde o mercado vai; ele reage ao que já aconteceu e, por construção, chega atrasado em toda virada. Não serve para quem quer uma ação, porque só faz sentido como carteira: o retorno vem da soma de muitas posições medianas e de poucas excepcionais, não do acerto individual. E não serve para quem precisa de retorno em todo ano-calendário, pela razão que o próprio livro não esconde — há períodos longos em que momentum em ações simplesmente não paga.

O que Clenow trouxe dos futuros foi a cabeça de risco. No mundo dos CTAs ninguém pensa em "comprar R$ 50 mil de uma ação"; pensa em quanto de oscilação diária aquela posição vai injetar na carteira, e o tamanho sai dessa conta. Transplantar isso para ações é a sacada operacional do livro. O problema é que o transplante chega num mercado de correlação interna alta e dominado por um índice — e é aí que o filtro de índice deixa de ser detalhe e vira o coração da coisa.

A tensão que o livro não resolve

Há uma contradição honesta no centro do projeto, e vale anunciá-la agora para cobrar depois. O livro argumenta que o sistema é o que importa: a regra, a execução, a disciplina. Mas o sistema só compra ações, só compra quando o índice está em alta e, portanto, só ganha dinheiro quando existe mercado de alta. A disciplina não cria retorno. Ela organiza a captura de um retorno que o mercado precisa oferecer primeiro.

Isso não invalida nada, mas muda a pergunta. A questão certa a fazer a Stocks on the Move não é "as regras são boas?", e sim "o que sobra delas quando o vento não sopra?". No Brasil, onde o juro real alto coloca uma aplicação sem risco concorrendo de frente com qualquer sistema de ações, essa pergunta tem dentes — e é exatamente ela que os testes deste mini-livro vão responder com números.

Antes disso, é preciso entender o que o sistema de fato faz. A pergunta que o livro responde é esta: como transformar "comprar o que está subindo" numa regra que você consegue repetir por vinte anos sem quebrar? A resposta começa em três ideias sobre inclinação, aderência e tamanho de posição.

Continua no capítulo 2
Inclinação, aderência e o tamanho certo da posição

As cinco engrenagens que transformam "comprar o que sobe" num sistema com regra de risco escrita antes do pregão.

Leia o livro inteiro com uma conta: os 6 capítulos no leitor do app, continuando de onde você parou.

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Guia de estudo com texto próprio do Quantor sobre o livro; não substitui a leitura do original. A capa é uma criação nossa, não a da editora.