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Your Complete Guide to Factor-Based InvestingAndrew Berkin e Larry Swedroe · 2016
A leitura do Quantor · Quant, fatores e probabilidade

Your Complete Guide to Factor-Based Investing

Andrew Berkin e Larry Swedroe, 2016

Berkin e Swedroe dão cinco filtros para separar fator de coincidência — persistente, difundido, robusto, investível e com explicação — e quando se aplica esses mesmos filtros à B3, nenhum dos seis fatores testados aqui passa inteiro: no Brasil o CDI é o fator que mais funciona, e a disciplina vale mais que o fator.

6 capítulos · cerca de 42 min de leitura · texto próprio do Quantor, com os números da B3
Este não é o livro. É a leitura do Quantor sobre ele: as ideias de Andrew Berkin e Larry Swedroe explicadas com texto próprio, as histórias que o livro conta, o que envelheceu, e o que ele ensina testado com 20 anos de dados da B3. Para a obra completa, leia o original.

Sumário

  1. 1Dois quants cansados de fator novoComo um livro de 2016 tentou podar o zoológico de fatores em vez de plantar mais uma árvore nele.6 min · aberto
  2. 2Cinco filtros antes de acreditarPersistente, difundido, robusto, investível e com explicação: a régua que reprova quase todo padrão descoberto em planilha.Explica os cinco critérios de admissão de Berkin e Swedroe com o mecanismo de cada um: por que um prêmio precisa aparecer em décadas e países diferentes, sobreviver a definições alternativas e aguentar o custo de execução. Mostra a tensão interna do livro — explicação de risco é mais durável que explicação comportamental, porque o erro pode ser corrigido depois de virar notícia — e por que baixa volatilidade e tamanho são os candidatos aceitos com mais ressalva.
  3. 3A régua aplicada à bolsa brasileiraSeis fatores clássicos passados pelo filtro dos testes do Quantor na B3 — e nenhum deles saiu inteiro do outro lado.Mostra o resultado de seis fatores — valor, momentum, baixa volatilidade, qualidade, lucratividade e tamanho — testados em todas as ações líquidas da B3 desde 2006, contra o CDI, o Ibovespa e carteiras sorteadas do mesmo universo, com o motivo específico da reprovação de cada um. Ensina por que, num país de juro real alto, o prêmio de fator precisa de margem grande contra o CDI em todos os pedaços do período, e por que o teste de subperíodo e o custo de 0,25% derrubam resultados que parecem sólidos na média.
  4. 4O zoológico, a anomalia que sumiu e a década perdida do valorCinco episódios reais da história financeira que explicam por que cada um dos cinco filtros existe — e o que custa ignorá-los.Conta cinco casos — a inflação de fatores publicados denunciada por Harvey, Liu e Zhu em 2015, o encolhimento do efeito tamanho depois de Banz, a seca do valor entre 2007 e 2020, o crash do momentum em 2009 e o colapso da LTCM em 1998 — e extrai de cada um o critério que ele valida. Mostra o mecanismo pelo qual uma anomalia some (publicação, produto, fluxo, arbitragem) e por que um fator sem explicação de risco carrega risco de cauda.
  5. 5O que a régua não medeOs cinco critérios filtram muita coisa, mas não filtram a narrativa criada depois do fato, o dinheiro que entra pela porta do produto nem o tamanho pequeno da bolsa brasileira.Mostra os três pontos cegos da régua de Berkin e Swedroe — a elasticidade do critério "com explicação", o crowding que o próprio sucesso do fator cria e a impossibilidade de satisfazer o critério "difundido" num mercado concentrado como o brasileiro — e o que a literatura de replicação fez com o zoológico depois de 2016. Explica por que uma carteira de 10 ações baratas na B3 é, na prática, uma aposta setorial vestida de fator.
  6. 6Menos fatores, mais disciplinaComo transformar os cinco critérios de Berkin e Swedroe em cinco hábitos de quem investe num país de juro alto.Converte a régua de admissão do livro em cinco disciplinas: exigir as cinco perguntas antes do número, quebrar o histórico em subperíodos, tratar custo e liquidez como parte da regra, controlar a pior queda e medir tudo contra o CDI e contra carteiras sorteadas. Mostra, com os testes da B3, que a regra de risco mudou mais o resultado final do que a escolha do fator.
Leitura Quantor · capítulo 1 de 6

Dois quants cansados de fator novo

Como um livro de 2016 tentou podar o zoológico de fatores em vez de plantar mais uma árvore nele.

Em 2016, qualquer pessoa com um computador e uma base de dados conseguia descobrir um fator. A academia já tinha publicado centenas deles, a indústria empacotava os mais vendáveis em ETFs, e dois profissionais resolveram fazer o movimento contrário: em vez de acrescentar mais um nome à lista, escrever a régua que elimina a maioria.

Quem são os autores e de onde falam

Andrew Berkin é físico de formação e atuou como diretor de pesquisa da Bridgeway Capital Management, gestora americana que construiu sua identidade em torno de estratégias quantitativas sistemáticas. É o tipo de profissional que passa o dia olhando séries de retorno e descobrindo quantas coisas bonitas num gráfico não sobrevivem ao primeiro contato com a corretora. Um físico treinado sabe a diferença entre um sinal e um ruído que parece sinal — e sabe que a diferença não está na beleza do resultado, está no procedimento que o produziu.

Larry Swedroe vem do outro lado da mesa. Ligado à Buckingham e à rede BAM, construiu uma carreira longa traduzindo pesquisa acadêmica de finanças para o investidor comum, numa série extensa de livros e numa produção quase diária de artigos. É um divulgador no melhor sentido: alguém que leu os trabalhos originais, não os resumos dos trabalhos, e se dedica a explicar o que eles de fato dizem — inclusive quando o que dizem é desconfortável para a indústria que vende os produtos.

A dupla é funcional. Berkin traz a desconfiança de quem roda os testes; Swedroe, a obrigação de quem precisa explicar a um cliente por que a carteira dele ficou anos atrás do índice. O livro nasce dessa combinação: rigor estatístico de um lado, responsabilidade de explicar o sofrimento para um ser humano do outro. A segunda parte é a que mais falta na literatura de fatores.

O momento: smart beta no auge

2016 é o ponto alto de um ciclo. O termo "smart beta" tinha saído das mesas institucionais e virado material de folheto. Gestoras lançavam ETFs de valor, de momentum, de qualidade, de baixa volatilidade, de dividendos, combinações de dois fatores, combinações de cinco. O apelo comercial era claro: cobrar mais que um fundo de índice e menos que um fundo ativo, vendendo a promessa de um prêmio documentado por décadas de pesquisa.

O problema é que a pesquisa havia virado uma fábrica. Levantamentos feitos na primeira metade da década identificaram centenas de "fatores" publicados em revistas acadêmicas de prestígio — o fenômeno que ficou conhecido como zoológico de fatores. Entre eles, candidatos sérios e candidatos que eram, na prática, o resultado de muitas tentativas na mesma base de dados até alguma coisa aparecer. Quando se testa mil variáveis contra o retorno das ações, algumas dezenas vão parecer significativas por puro acaso. A estatística convencional, com seu corte habitual de significância, não foi desenhada para esse ambiente.

É contra essa inflação que o livro se posiciona. Se tudo é fator, nada é fator. A pergunta deixa de ser "qual fator você prefere" e passa a ser "o que precisa ser verdade para eu acreditar que esse prêmio existe fora do computador de quem o descobriu".

A linhagem: do beta único aos cinco fatores

O livro não inventa a tradição, traduz. A história começa com o CAPM, nos anos 60, com uma ideia elegante e um único fator de risco: a exposição ao mercado, o beta. Ações mais sensíveis ao mercado deveriam render mais, e o resto do retorno seria habilidade ou sorte. Durante duas décadas, essa foi a régua pela qual gestores foram medidos.

Os dados estragaram a elegância. Ao longo dos anos 80, acumularam-se evidências de que empresas pequenas e empresas baratas rendiam mais do que o beta delas justificava. Em 1992 e 1993, Eugene Fama e Kenneth French organizaram isso num modelo de três fatores — mercado, tamanho e valor — que virou o vocabulário padrão da área. Pouco depois, em 1997, Mark Carhart acrescentou momentum, o padrão de que ações que subiram nos últimos meses tendem a continuar subindo por algum tempo. E em 2015, já perto da publicação do livro, Fama e French voltaram com um modelo de cinco fatores, incluindo lucratividade e investimento.

Repare no movimento. O número de fatores aceitos pela fronteira acadêmica séria subiu de um para cinco em cerca de cinquenta anos. No mesmo período, o número de fatores publicados em revistas chegou à casa das centenas. A distância entre esses dois números é exatamente o espaço que o livro se propõe a ocupar.

A proposta distintiva: uma régua de admissão

A maioria dos livros de investimento defende uma ideia. Este faz algo mais raro: define as condições de admissão e depois se submete ao constrangimento de reprovar candidatos simpáticos. Os cinco critérios — persistente, difundido, robusto, investível e com explicação — não são adjetivos de apresentação, são filtros com consequência prática. Cada um elimina uma classe específica de erro.

Persistente elimina o padrão que só viveu numa década. Difundido elimina o padrão que só existe num país ou num setor. Robusto elimina o padrão que depende de uma definição única e evapora quando se troca o P/L pelo fluxo de caixa. Investível elimina o prêmio que o custo de corretagem, o spread e a liquidez comem antes de chegar ao cotista. E "com explicação" elimina o padrão sem mecanismo — aquele que ninguém consegue dizer por que deveria continuar existindo depois de descoberto.

A ambição aqui é redutora, e é isso que torna o livro útil. Aplicada com honestidade, essa régua derruba a esmagadora maioria dos fatores publicados e deixa de pé uma lista curta: mercado, tamanho, valor, momentum, lucratividade e qualidade, carry e baixa volatilidade. Pouco menos de uma dezena de candidatos contra centenas de pretendentes. Note o preço que os autores pagam por isso: alguns dos fatores que eles aceitam são justamente os que mais decepcionaram na década seguinte, e a régua, por si só, não os protegeu.

Para quem serve e por que marcou

Serve para quem precisa entender o que existe dentro de um ETF ou de um fundo quantitativo antes de colocar dinheiro nele. Serve para quem recebe a apresentação de um gestor com um gráfico de simulação histórica subindo bonito e quer saber quais perguntas fazer antes de se impressionar. Serve, principalmente, para quem vai ter que carregar a estratégia durante os anos em que ela não funciona — porque o livro é explícito ao dizer que esses anos são parte do pacote, não um defeito do produto.

Não serve para quem quer escolher ações uma a uma pelo mérito individual da empresa, nem para quem procura previsão de mercado. Fator é uma afirmação estatística sobre grupos de ações ao longo de muito tempo, não uma opinião sobre uma companhia.

No Brasil, o livro acabou cumprindo uma função de vocabulário. Quando gestoras quantitativas locais e emissores de ETFs passaram a falar em prêmio de valor, exposição a momentum e carteira de baixa volatilidade, foi desse corpo de ideias que o jargão veio. O detalhe é que o vocabulário atravessou a fronteira muito mais rápido que a verificação: quase ninguém parou para perguntar se esses prêmios aparecem numa bolsa com poucas dezenas de papéis líquidos, concentrada em commodities e bancos, competindo com um juro de dois dígitos que não exige coragem nenhuma.

É essa a pergunta que o livro coloca e que vamos levar até o fim: como distinguir um fator de verdade de um padrão que só existe no computador de quem o descobriu. Os cinco filtros que respondem a ela vêm a seguir.

Continua no capítulo 2
Cinco filtros antes de acreditar

Persistente, difundido, robusto, investível e com explicação: a régua que reprova quase todo padrão descoberto em planilha.

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Guia de estudo com texto próprio do Quantor sobre o livro; não substitui a leitura do original. A capa é uma criação nossa, não a da editora.