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Expected ReturnsAntti Ilmanen · 2011
A leitura do Quantor · Quant, fatores e probabilidade

Expected Returns

Antti Ilmanen, 2011

Retorno esperado não é um número que se olha na tabela de rentabilidade passada: é a soma de prêmios por riscos que doem, por erros de comportamento e por restrições de quem administra dinheiro dos outros — e na B3, onde o CDI pagou dois dígitos, quase todos esses prêmios aparecem menores, mais instáveis e mais caros de colher do que a teoria promete.

6 capítulos · cerca de 42 min de leitura · texto próprio do Quantor, com os números da B3
Este não é o livro. É a leitura do Quantor sobre ele: as ideias de Antti Ilmanen explicadas com texto próprio, as histórias que o livro conta, o que envelheceu, e o que ele ensina testado com 20 anos de dados da B3. Para a obra completa, leia o original.

Sumário

  1. 1O homem que mediu o prêmio de cada riscoComo um pesquisador de renda fixa transformou retorno esperado em uma conta de parcelas, e não em uma aposta de fé6 min · aberto
  2. 2Prêmio não é presente: é pagamento por dorAs cinco ideias que sustentam o livro: retorno esperado se estima para a frente, o mesmo risco usa várias roupas e toda compensação tem uma conta dividida entre risco, erro e restrição.Ensina a decompor retorno esperado em carrego, crescimento e mudança de múltiplo — e por que o retorno da renda fixa americana entre 1981 e o início dos anos 2010 veio da queda do juro, não do cupom. Mostra as três lentes (classe, estilo e fator macro), os cinco estilos que formam o esqueleto do livro e por que o prêmio aparece grande justamente quando é mais difícil de aguentar.
  3. 3Os cinco estilos no caixa da B3Valor, momentum, dividendo, baixa volatilidade e baixo beta testados nas ações líquidas da bolsa brasileira — e o que sobrou quando o CDI entrou na conta.Mostra os cinco estilos do livro testados nas ações líquidas da B3, com retorno, pior queda, custo de estresse e comparação contra CDI, Ibovespa e carteiras sorteadas em cada subperíodo: nenhum dos cinco passou no critério dos testes do Quantor. Ensina que o prêmio defensivo apareceu como queda menor (−21% de pior queda na baixa volatilidade) e que o único elemento robusto em todos os recortes foi o controle de exposição — a trava de tendência levou o momentum de −64% para −25% de pior queda.
  4. 4Quatro décadas de ilusão de retrovisorOs episódios que mostram de onde veio o retorno passado — e por que ele raramente é o retorno esperado.Mostra por que o retorno da renda fixa americana de 1981 em diante veio da queda do juro e não do cupom, e por que 2008 revelou que ações, crédito e imóveis eram o mesmo fator com rótulos diferentes. Traz os números da B3 sobre tempo de recuperação (mediana de 29 meses para o Ibovespa voltar ao topo) e sobre prêmio alto em momento de medo (mediana de +34% em 12 meses quando o índice está mais de 30% abaixo do recorde, positivo em 81% das vezes — com a contraprova de 2008).
  5. 5O que 2011 não viuOs limites honestos de um manual escrito num mundo de juro zero, estilos ainda baratos e custo medido no papel.Mostra os quatro pontos em que "Expected Returns" envelheceu: o fim do ponto de partida de juro zero, a seca dos estilos depois que viraram produto, o custo de implementação (no nosso teste o baixo beta cai de +9,7% para +8,6% ao ano quando o custo vai de 0,1% para 0,25% por operação) e a fragilidade estatística de vinte anos de dados (valor composto fez −7,8% ao ano em 2011–15 e +40,2% em 2016–20 com a mesma regra). Ensina a separar o método do autor — decompor retorno esperado — dos números dele, que são datados por construção, e a reconhecer o que o livro não cobre num mercado pequeno, concentrado e com CDI de dois dígitos como concorrente.
  6. 6Montar a carteira pelo prêmio, não pelo nomeCinco disciplinas para transformar a contabilidade de prêmios de Ilmanen em decisões que sobrevivem ao CDI, ao custo e à espera brasileira.Converte o método de Ilmanen em cinco disciplinas: estimar retorno como carrego mais crescimento mais mudança de múltiplo, classificar a carteira por fator em vez de rótulo, combinar estilos que fracassam em períodos diferentes, separar a decisão de seleção da decisão de exposição e orçar custo e paciência. Usa os números dos nossos testes — a trava de tendência levando o momentum de −64% para −25% de pior queda, e a ficha da B3 mostrando a mesma carteira caindo de +22,0% para +17,3% ao ano quando o custo sobe de 0,1% para 0,5% por operação.
Leitura Quantor · capítulo 1 de 6

O homem que mediu o prêmio de cada risco

Como um pesquisador de renda fixa transformou retorno esperado em uma conta de parcelas, e não em uma aposta de fé

A maioria dos livros de investimento começa escolhendo um lado: ação ou renda fixa, análise ou tendência, mercado eficiente ou mercado burro. Antti Ilmanen começa de um lugar diferente e mais desconfortável: todo retorno acima do caixa é uma parcela paga por alguém, por algum motivo, e o trabalho do investidor é descobrir quem paga, por quê e se vai continuar pagando. "Expected Returns", de 2011, é uma tentativa rara de abrir essa conta parcela por parcela, em todas as classes de ativo ao mesmo tempo.

De onde ele fala: o analista de renda fixa que resolveu olhar tudo

Ilmanen é finlandês, fez doutorado em finanças na University of Chicago — o lugar onde se aprende a tratar retorno como prêmio de risco antes de tratá-lo como talento — e construiu a primeira parte da carreira como pesquisador de renda fixa em banco de investimento, na Salomon Brothers, casa que nas décadas de 1980 e 1990 foi referência em análise quantitativa de títulos. Depois passou pela gestão em Londres, no Brevan Howard, e desde 2011 é sócio da AQR, a gestora de Cliff Asness, que assina o prefácio do livro. Asness veio do mesmo ambiente de Chicago e é um dos nomes centrais da literatura de fatores.

Esse currículo não é decoração biográfica: ele explica o livro inteiro. Quem vem de renda fixa aprende, desde o primeiro dia, que retorno esperado não é opinião. Um título tem uma taxa impressa nele. Você compra uma NTN-B a 6% acima da inflação e sabe, com razoável precisão, o que recebe se carregar até o vencimento; o que não sabe é o que acontece no meio do caminho, e é aí que mora a discussão. O analista de renda fixa passa a vida separando o que é carrego do que é reprecificação, e aprende cedo que uma rentabilidade passada maravilhosa pode ser o cadáver de um retorno futuro já consumido.

Ilmanen pega esse hábito mental da renda fixa e aplica a tudo. Ação vira um ativo com rendimento implícito, crescimento esperado e um múltiplo que pode subir ou cair. Imóvel, crédito, commodity, private equity, moeda, estratégia de hedge fund: todos entram na mesma mesa de dissecação. Não há reverência pelo mercado acionário nem o tom de sermão de boa parte da literatura de value investing. Há um pesquisador fazendo de cada coisa a mesma pergunta chata: de onde vem o dinheiro?

O momento: 2011, com a poeira de 2008 ainda no ar

O livro sai três anos depois da crise financeira global, e isso se sente em cada capítulo. Em 2008 aconteceu algo que humilhou a prática padrão de alocação: carteiras montadas com dezenas de "classes de ativos" diferentes — ações de vários países, crédito corporativo, high yield, imóveis, fundos multimercado, private equity — caíram quase todas juntas. O investidor institucional que se acreditava diversificado descobriu que tinha comprado o mesmo risco de recessão e de liquidez embalado em vários nomes comerciais distintos.

Ao mesmo tempo, a década de 2000 tinha acabado de entregar aos Estados Unidos um resultado que poucos projetavam: duas bolhas, dois crashes e um retorno acumulado próximo de zero na bolsa, depois de vinte anos de alta quase ininterrupta. Quem usou a média histórica do século XX para projetar a década seguinte errou por larga margem. E, do outro lado, os juros dos países desenvolvidos caminhavam para perto de zero, com bancos centrais comprando títulos, deixando o investidor diante de uma aritmética desagradável: se o título de dez anos paga 2%, não existe cenário normal em que ele repita o retorno das três décadas anteriores.

É esse o ambiente que o livro endereça. Não "como escolher boas empresas", mas "como estimar, com honestidade, o que cada bolso da carteira pode pagar quando o ponto de partida é esse".

O que o livro é: um manual de referência com três lentes

"Expected Returns" tem cerca de 600 páginas e não foi escrito para ser lido na praia. É denso, cheio de gráficos e de séries históricas longas, com um volume de evidência mais próximo de um levantamento acadêmico do que de um livro de mercado. O leitor que espera narrativa vai estranhar; o leitor que precisa decidir onde colocar dinheiro volta a ele por anos.

A arquitetura é o que o torna distinto. Ilmanen olha o mesmo retorno de três ângulos. Primeiro por classe de ativo: ações, títulos públicos, crédito, imóveis, commodities, estratégias alternativas. Depois por estilo: valor, momentum, carry, defensivo, iliquidez — maneiras de ganhar dinheiro que atravessam todas as classes. E por último por fator de risco macro: crescimento, inflação, liquidez, volatilidade, nível das taxas de desconto. Três mapas da mesma cidade. Quando os mapas discordam, você aprendeu alguma coisa; quando concordam demais, descobriu que sua carteira era muito menos diversificada do que parecia.

Por baixo disso corre uma ideia-guia: retorno esperado decente é a soma de muitas fontes pequenas e pouco correlacionadas, não o resultado de uma aposta grande. É uma tese anticarismática. Não existe o trade da década; existe o empilhamento paciente de prêmios modestos — e a disciplina de não pagar caro por nenhum deles.

Para quem o livro serve (e para quem não serve)

Não é livro de escolha de ação. Quem quer saber se compra esta ou aquela empresa vai fechá-lo frustrado. Também não é livro de iniciante: pressupõe que o leitor já sabe o que são duration, prêmio de risco, índice de Sharpe e beta, e não para para explicar. E não é livro de fórmula: não há regra numerada para aplicar na segunda-feira.

É livro para quem aloca entre coisas. Para quem precisa responder a perguntas do tipo "quanto desta carteira deveria estar em bolsa dado o que o título público paga hoje", "esses dois fundos são mesmo diferentes ou são o mesmo risco com dois nomes", "este histórico de dez anos é habilidade ou foi um vento de cauda que já passou". É um livro de estimativa, e estimativa é o oposto de adivinhação: você escreve as premissas, mostra a conta e aceita a margem de erro.

Cabe o aviso de método sobre este guia de estudo: não seguimos a ordem do original nem resumimos seus capítulos. Organizamos as ideias de Ilmanen pelos nossos seis temas, com texto próprio, e — esta é a parte que ele não poderia ter escrito — passamos os cinco estilos centrais do livro pelo caixa da bolsa brasileira, onde o concorrente não é um caixa que paga zero, e sim um CDI que pagou dois dígitos por quase duas décadas. Essa diferença muda a conta inteira, e vamos medir o quanto.

Fica, então, a pergunta que atravessa as 600 páginas e vai atravessar este mini-livro: de onde vem, exatamente, o dinheiro que um investidor espera ganhar acima do caixa — quanto disso é pagamento por um risco que dói, quanto é erro sistemático de outros investidores, quanto é restrição de quem administra dinheiro alheio, e quanto é pura ilusão de retrovisor.

A resposta começa por uma inversão: antes de perguntar quanto um ativo rende, pergunte que desconforto ele cobra de você.

Continua no capítulo 2
Prêmio não é presente: é pagamento por dor

As cinco ideias que sustentam o livro: retorno esperado se estima para a frente, o mesmo risco usa várias roupas e toda compensação tem uma conta dividida entre risco, erro e restrição.

Leia o livro inteiro com uma conta: os 6 capítulos no leitor do app, continuando de onde você parou.

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Guia de estudo com texto próprio do Quantor sobre o livro; não substitui a leitura do original. A capa é uma criação nossa, não a da editora.