Metade no alvo, metade na régua: o pior caso perto de zero
Vender metade depois do +20% e deixar a outra metade na régua levou o pior cenário de −18,7% para −1,8% e subiu a mediana de +15,6% para +19,7%. Custa uns pontos de média, e é a regra que mais gente consegue seguir de verdade.

Em 1 minuto
- Vender metade quando o ganho atinge um alvo escrito antes e deixar a outra metade na régua corta pela metade os dois arrependimentos possíveis.
- Depois de um +20%, essa regra subiu a mediana de +15,6% para +19,7% e levou o pior cenário de −18,7% para −1,8%, custando uns 5 pontos de média.
- O alvo certo é medido na volatilidade do próprio papel: 20% é um mês bom numa small cap e mais de um ano de oscilação numa elétrica.
Ao fim desta aula você vai saber
- Calcular o alvo de venda parcial pela volatilidade do papel
- Escrever as duas linhas da regra antes de comprar
- Planejar a venda para caber no limite de isenção do mês
A tese: a regra que você consegue seguir vale mais que a regra ótima
A régua da aula anterior tem a melhor relação entre mediana e pior caso entre as regras que ficam na tendência. Mas ela exige uma coisa que muita gente não consegue: ver o lucro subir e depois devolver uma parte sem fazer nada. Se você sabe que vai abandonar a régua na primeira vez que a posição cair 15% do topo, existe uma versão mais suave.
A ideia: Venda metade quando o ganho atingir um alvo definido antes. Deixe a outra metade seguir a régua até ela virar.
Com isso, os dois arrependimentos possíveis ficam pela metade. Se o papel desabar, você já garantiu metade do ganho. Se o papel virar uma MGLU3, você ainda tem metade dentro. Nenhum dos dois cenários te destrói, e é isso que faz a regra sobreviver na vida real.
Os números: o que a metade faz com o pior cenário
A base é a mesma das aulas 1 e 6: os 3.442 casos da B3 em que o papel já tinha subido 20% em 6 meses, no estudo do arquivo mensal publicado na Academy em setembro de 2026, com proventos. Vendendo metade nesse momento, pondo no CDI, e deixando a outra metade na régua, 24 meses à frente:
Antes de continuar: Na régua pura, os 5% piores casos ficaram em −18,7%. Vendendo metade no +20% e deixando a outra metade na régua, onde ficaram?
a) Perto de −15%: a metade muda pouco · b) Perto de −9%: exatamente a metade · c) Perto de −2%
Resposta: Perto de −2%. −1,8%. Mais que a metade da melhora, porque a metade vendida vai para o CDI e rende enquanto a outra metade sofre. E a mediana subiu de +15,6% para +19,7%.
| Depois de +20%, 24 meses | Mediana | Média | 10% piores | 5% piores |
|---|---|---|---|---|
| Régua pura | +15,6% | +33,3% | — | −18,7% |
| Metade no CDI, metade na régua | +19,7% | +27,9% | +3,7% | −1,8% |
| Segurar tudo sem regra | +15,4% | +45% | −52% | −68,5% |

A metade encurta as duas pontas: o pior cenário sobe de −18,7% para −1,8%, o melhor cai de +83,1% para +54,4%, e a mediana sobe de +15,6% para +19,7%.
Entre as regras que ainda participam das altas, é a que tem o pior cenário mais próximo de zero. Vender tudo e ir para o CDI tem um pior cenário ainda melhor, mas zero participação nas explosões.
A troca é honesta: a metade reduz o arrependimento e reduz um pouco a média. Em 24 meses de CDI alto, a diferença entre +27,9% e +33,3% de média existe, mas é menor do que parece para quem vive a carteira. A diferença entre −1,8% e −18,7% no pior cenário é a que faz as pessoas abandonarem a regra.
O mecanismo: três motivos pelos quais a metade funciona
1. Ela divide o arrependimento, e o arrependimento é o que derruba regras. Ninguém abandona um método por causa de uma média de 24 meses. Abandona por causa de uma operação que doeu. A metade garante que nenhuma operação dói por inteiro: se cair, você já tem metade no bolso; se explodir, você ainda tem metade dentro.
2. O caixa no Brasil não é zero. A metade vendida vai para o CDI e rende enquanto a outra metade atravessa o caminho. É por isso que o pior caso melhora mais do que a metade: a parte vendida não só deixa de cair, ela sobe.
3. A metade que fica mantém a cauda. Nas aulas 1 e 3, a carteira era paga por poucos casos que explodem. Com metade dentro, você continua participando deles com meia posição. Quem vende tudo num alvo, fixo ou não, sempre perde a cauda inteira.
O alvo certo é medido em volatilidade
"Vender metade com +20%" funciona como regra de bolso, mas tem um defeito: 20% não significa a mesma coisa em todo papel. Uma elétrica como a TAEE11 oscila algo como 15% a 20% ao ano. Subir 20% é um movimento enorme para ela, mais de um ano inteiro de oscilação normal. Uma small cap de tecnologia pode oscilar 60% ou 70% ao ano; subir 20% é um mês bom. O mesmo alvo nos dois realiza cedo demais na small cap e tarde demais na elétrica.
A solução é medir o alvo na unidade do próprio papel, a volatilidade anual (o módulo 6 ensina a medir). A regra fica: venda metade quando o ganho sobre o seu preço médio atingir 1× a volatilidade anual do papel. PETR4, com volatilidade na casa de 30% ao ano: metade em +30%. Uma elétrica com 18%: metade em +18%. Uma small cap com 65%: metade em +65%.
Antes de continuar: Nas viradas da régua para alta da B3, a régua pura deu +10,2% por operação, em média. Vender tudo quando o ganho chegava a +20% fixo deu quanto?
a) Uns +12%: garante o lucro · b) Uns +8% · c) Uns +4%
Resposta: Uns +4%. +3,7%. Vender tudo no alvo de volatilidade deu +5,3%, e vender só metade no alvo de volatilidade, +7,8%. Quanto mais da posição fica na régua, mais da média sobra.
O estudo testou a versão por volatilidade em todas as viradas da régua para alta da B3, com a volatilidade medida nos 12 meses anteriores à entrada:
+10,2% régua pura, por operação · +7,8% metade no alvo de 1× a volatilidade, metade na régua · +5,3% tudo no alvo de 1× a volatilidade · +3,7% tudo em +20% fixo
A régua pura continua sendo a de maior média. A metade é o desconto que você paga por dormir melhor, e é um desconto bem menor que o de vender tudo.
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