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Quando vender e onde pôr o stop · Aula 8 de 9

Peso e tese quebrada: as saídas que não olham o gráfico

Um papel que era 20% da carteira e subiu 115% passa a ser 35% dela, e uma queda de 30% nele tira 10,5% do patrimônio inteiro. Cada medo pede uma regra de venda diferente, e algumas das melhores não olham o preço.

por Vinícius Rosa11 min de leituraatualizada em trecho aberto
Peso e tese quebrada: as saídas que não olham o gráfico

Em 1 minuto

  • Quem pergunta "quando vender?" tem medos diferentes: devolver lucro, a empresa piorar, metade do patrimônio virar um papel só. Cada medo pede uma regra.
  • O limite de peso não prevê nada: reconhece que um papel que era 20% e subiu 115% virou 35% da carteira, e uma queda de 30% nele agora custa 10,5% do patrimônio.
  • Valuation esticado é útil para comprar e perigoso para vender: a WEGE3 estava cara em 2019 e 2020 e subiu mais de 300%.

Ao fim desta aula você vai saber

  • Calcular o peso de uma posição depois de uma alta e o que vender para voltar ao limite
  • Escrever uma tese que diga quando ela quebrou
  • Escolher duas ou três regras de saída que não se contradizem

A tese: cada regra de venda protege contra um risco, escolha pelo risco

Até aqui o módulo falou de regras que olham o preço: a régua, o stop, a venda parcial. Mas quem pergunta "quando vender?" está, na verdade, com medo de coisas diferentes. Um tem medo de devolver o lucro. Outro tem medo de a empresa quebrar. Outro percebeu que metade do patrimônio virou um papel só.

A ideia: Cada medo pede uma regra diferente, e usar a regra errada é tão ruim quanto não ter regra.

Esta aula reúne as regras de venda que não dependem do gráfico: o limite de peso, a tese quebrada, o valuation, o prazo e o custo de oportunidade. O stop móvel, que olha o preço, ficou na aula 5: lá está por que ele deve ser medido na oscilação do papel e não num percentual fixo.

Limite de peso: a regra contra a concentração

A regra: nenhuma posição pode passar de X% da carteira (15% e 20% são comuns para quem tem de 6 a 10 papéis). Quando passa, você reduz até o limite, ou, melhor, para de comprar e manda o aporte para o resto (aula 9).

Essa regra não tenta prever nada. Ela reconhece um fato: um papel que subiu muito virou um risco maior na sua vida, mesmo que continue sendo uma boa empresa. A conta é contraintuitiva, e vale fazer antes de ler.

Antes de continuar: Uma carteira tem 20% num papel e o resto parado. Quanto esse papel precisa subir para passar a ser 35% da carteira?

a) Uns 75%: 35 é 75% maior que 20 · b) Uns 115% · c) Uns 175%

Resposta: Uns 115%. +115%. O resto da carteira também conta no total: o papel vai de 20 para 43,08 numa carteira que vai de 100 para 123,08, e 43,08 ÷ 123,08 = 35%.

Carteira de R$ 100 em que um papel passa de 20% para 35% do total e depois cai 30%

Conta ilustrativa: com o resto da carteira parado, o papel precisa subir 115% para passar de 20% para 35% do total. Aí uma queda de 30% nele tira 10,5% do patrimônio, contra 6% se o peso tivesse ficado em 20%.

+115% a alta que leva um papel de 20% a 35% da carteira · 6% o que uma queda de 30% nele tira do patrimônio com peso de 20% · 10,5% o que a mesma queda tira com peso de 35%

O papel é o mesmo, a queda é a mesma. O que mudou foi o tamanho da aposta, e ela mudou sozinha, sem você decidir nada.

Onde falha: aplicada com rigor excessivo, corta os vencedores cedo demais, o mesmo problema do alvo fixo da aula 3. Por isso a versão de aporte (parar de comprar o que passou do limite) é melhor que a de venda, e a venda fica para quando o excesso é grande.

Tese quebrada: a regra de quem analisa a empresa

A regra: você escreveu por que comprou. Quando esse motivo deixa de existir, você vende, no lucro ou no prejuízo, com a régua em alta ou em baixa.

Uma tese útil tem um número ou um fato verificável. "Compro porque é uma boa empresa" nunca quebra, e por isso não serve. "Compro porque a dívida líquida é menor que uma vez o EBITDA e o ROE passa de 20%" quebra num trimestre específico, que você consegue ver.

Exemplos de tese quebrada: a empresa que você comprou pela dívida baixa se endividou para uma aquisição cara; a pagadora de dividendos cortou o payout; o banco que você comprou pela rentabilidade viu o ROE cair três trimestres seguidos; a mudança regulatória que era a razão da compra não passou.

Onde falha: exige o dever de casa da aula 4, as cinco perguntas a cada resultado. E exige honestidade: a tentação é reescrever a tese depois que ela quebra ("na verdade eu comprei pelo longo prazo"). Uma tese reescrita depois do fato é uma desculpa, não uma regra.

O mecanismo: três motivos pelos quais as regras sem gráfico funcionam

1. Elas medem riscos que o preço demora a mostrar. Concentração não aparece no gráfico do papel: aparece na sua carteira. E a piora de uma empresa aparece no balanço trimestre a trimestre, às vezes antes do preço, às vezes depois.

2. Elas não dependem de adivinhar o topo. O limite de peso dispara pela aritmética, não por previsão. A tese quebrada dispara por um fato. Nenhuma das duas exige saber se o papel vai subir ou cair amanhã.

3. Elas se combinam com a régua sem se contradizer. A régua responde "a tendência acabou?". O peso responde "a aposta ficou grande demais?". A tese responde "a razão ainda existe?". São perguntas diferentes, e uma carteira pode precisar das três.

Valuation esticado: útil para comprar, perigoso para vender

A regra: vender quando o múltiplo (preço sobre lucro, preço sobre valor patrimonial) fica muito acima da média histórica do papel ou do setor.

Por que é perigosa sozinha: papel caro pode ficar caro por anos. A WEGE3 "estava cara" em praticamente todos os meses de 2019 e 2020, e subiu mais de 300% nesse período. Valuation diz muito sobre o retorno esperado de quem compra agora e pouco sobre o momento de quem já está dentro.

Onde serve: combinada com outra regra. Múltiplo no topo da história e régua virando para baixo é um sinal muito mais forte do que qualquer um dos dois sozinho.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.siga no Instagram · @viniciusrosa_88 ↗

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