A régua como saída: a mesma mediana com um quarto do desastre
Depois de um +20%, segurar até a régua virar deu a mesma mediana de quem segurou tudo, +15,6% contra +15,4% em 24 meses, com o pior cenário de −18,7% em vez de −68,5%. O preço disso é devolver uns 15% do topo, e é aí que as pessoas desistem.

Em 1 minuto
- A regra é uma só: você fica enquanto o papel fecha o mês acima da média exponencial dos 5 últimos fechamentos; quando um mês fecha abaixo, você sai.
- Depois de um +20%, ela deu a mesma mediana de quem segurou tudo, com o pior cenário quatro vezes menor: −18,7% contra −68,5%.
- O custo é devolver, na mediana, 15% do topo antes de sair, e é essa dor que faz as pessoas abandonarem a regra.
Ao fim desta aula você vai saber
- Calcular a média exponencial de 5 meses e a linha de virada
- Executar a régua: quando vender, quando recomprar, para onde vai o dinheiro
- Reconhecer os papéis em que a régua rende menos que segurar
A tese: a melhor regra de venda é a que você segue sem pensar
As aulas anteriores deixaram duas lições que parecem brigar. Vender cedo corta os casos que pagam a carteira (aula 3). Segurar sem regra te deixa dentro dos desastres (aula 4). A régua mensal resolve as duas com uma instrução só.
A ideia: Você fica no papel enquanto ele fecha o mês acima da média exponencial dos últimos 5 fechamentos. Quando um mês fecha abaixo, você sai.
Não tem alvo, não tem previsão de topo, não tem figura. A decisão acontece uma vez por mês, no último pregão. No resto do tempo, você não precisa fazer nada, e não fazer nada é a parte mais difícil.
Os números: a régua contra as outras regras
A base é a mesma da aula 1: os 3.442 casos da B3 em que o papel já tinha subido 20% em 6 meses, no estudo do arquivo mensal publicado na Academy em setembro de 2026. A partir desse momento, 24 meses à frente, com os dividendos na conta e o dinheiro vendido indo para o CDI.

À esquerda, a mediana e a média de cada regra. À direita, em vermelho, o que aconteceu nos 5% piores casos.
Antes de continuar: Segurar 24 meses sem regra teve 5% piores casos em −68,5%. E sair quando a régua vira?
a) Perto de −60%: a régua só atrasa a queda · b) Perto de −40% · c) Perto de −19%
Resposta: Perto de −19%. −18,7%. Com mediana praticamente igual: +15,6% na régua, +15,4% segurando. Mesmo caso típico, pior cenário quatro vezes menor.
| Depois de +20%, 24 meses | Mediana | Média | 5% piores |
|---|---|---|---|
| Segurar até a régua virar | +15,6% | +33% | −18,7% |
| Segurar 24 meses sem regra | +15,4% | +45% | −68,5% |
| Vender tudo e ir para o CDI | +23% | +23% | nunca perde |
A régua não é a campeã em nenhum quesito isolado. Segurar tem a maior média; vender para o CDI tem a maior mediana e o pior caso mais confortável, mas nunca pega nenhuma MGLU3. O que a régua faz é outra coisa: fica com o caso típico de quem segura e corta quase todo o desastre. A diferença de média é o prêmio do seguro. Quem segura recebe todos os proventos, e as poucas explosões que a régua pega mais tarde, depois de sair e voltar, pesam na média.
Num papel só, o histórico inteiro
Em papéis específicos, o efeito aparece no histórico inteiro.
Antes de continuar: PETR4 desde 2000, com dividendos: segurar rendeu 18,0% ao ano, com queda máxima de 87% no caminho. Quanto rendeu a régua, com o caixa na Selic quando estava fora?
a) Uns 8% ao ano: perdeu muito por ficar fora · b) Uns 17% ao ano · c) Uns 30% ao ano
Resposta: Uns 17% ao ano. 17,4% ao ano, com queda máxima de 39%. O mesmo retorno com menos da metade da dor.
Na PETR4 desde 2000, segurar rendeu 18,0% ao ano com uma queda máxima de 87%; a régua, com o caixa rendendo Selic quando estava fora, rendeu 17,4% ao ano com queda máxima de 39%. O mesmo retorno com menos da metade da dor. Uma queda de 87% exige +669% para voltar; uma de 39%, +64%. A aula 4 mostrou por que essa diferença decide quem continua investindo.
O mecanismo: três motivos pelos quais uma média de 5 meses funciona como saída
1. Quedas grandes são sequências, não eventos. A régua não acerta o próximo mês. O que ela faz é evitar a sequência de meses ruins. Uma queda de 50% quase nunca acontece num mês só: é uma série de fechamentos abaixo da média. Ela não passa por uma média de 5 meses sem cruzá-la, e a régua vira no começo dessa série.
2. O fechamento do mês carrega informação. No gráfico diário, o preço cruza a média várias vezes por mês, e cada cruzamento é uma operação com custo. No mensal, a régua vira poucas vezes por ano, e cada virada diz uma coisa: o mês inteiro de negócios, de todos os participantes, fechou do outro lado. O módulo 1 mostra por que o diário mente mais.
3. A média exponencial pesa mais o mês recente. Na média exponencial de 5 meses, o fechamento novo entra com peso de 1/3 e a média anterior com 2/3. Ela reage mais rápido que uma média simples de 5 meses, sem ficar nervosa como uma de 2 ou 3.
Esse terceiro ponto tem uma consequência prática que pouca gente percebe. Como o fechamento do mês entra na própria média, o papel fecha abaixo da média nova exatamente quando fecha abaixo da média do mês anterior. A linha de virada do mês é a média do fim do mês passado. É um número que você conhece no primeiro dia do mês e que não muda até o último.
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