A sua planilha de renda fixa: o extrato não soma por você
Cada banco mostra o próprio pedaço. Ninguém soma o que você tem no mesmo conglomerado, quando cada título vence e quanto sobra depois do imposto. A planilha desta aula faz as três contas e avisa quando algo passa do limite.

Em 1 minuto
- Nenhum extrato soma três números que decidem se o dinheiro está bem guardado: quanto há em cada conglomerado, quando cada título vence e quanto sobra depois do imposto.
- O limite do FGC vale para o saldo, com os juros dentro, e não para o valor aplicado.
- A planilha desta aula, para Excel e Google Planilhas, lança cada posição, casa cada título com um objetivo e acende um alerta quando algo sai do lugar.
Ao fim desta aula você vai saber
- Preencher a planilha com as suas posições e premissas
- Ler os alertas de FGC, de casamento de prazo e de vencimento
- Comparar o líquido de CDB, LCI, Tesouro Selic e Prefixado no mesmo prazo
A tese: a renda fixa não se perde no mercado, se perde na gaveta
Quase ninguém sabe quanto tem na renda fixa. Sabe o saldo de cada aplicativo, mais ou menos, e quanto "rende" o CDB que o gerente ofereceu. Mas não sabe três números que decidem se o dinheiro está bem guardado: quanto tem em cada conglomerado (é o que o FGC olha), quando cada título vence (é quando o dinheiro volta sem depender do preço) e quanto sobra depois do imposto (é o que paga a conta).
Nenhum extrato faz essas três contas, porque cada instituição só enxerga o próprio pedaço. Esta aula entrega uma planilha que faz. Ela não é sofisticada, e não precisa ser.
A ideia: O que protege o seu dinheiro não é uma fórmula complexa, é ter tudo numa tela só, com um alerta quando algo sai do lugar.
A planilha funciona no Excel e no Google Planilhas, não tem macros e vem com cinco linhas de exemplo, que esta aula usa do começo ao fim.
O mecanismo: três coisas que se perdem quando ninguém soma
1. O limite do FGC é por conglomerado, e com os juros dentro. O FGC garante R$ 250 mil por CPF em cada instituição ou conglomerado, somando tudo: CDB, LCI, LCA, poupança e conta. Duas marcas do mesmo grupo contam como uma.
Cuidado: O limite vale para o saldo, não para o aplicado. Quem aplica R$ 200 mil num banco médio está dentro do limite hoje e pode estar fora dele em dois anos, só com os juros.
O módulo 3 mostrou a regra; a planilha faz a conta todo dia.
2. O vencimento chega sem plano. O dinheiro de um título que vence cai na conta da corretora e fica lá, rendendo nada ou quase nada, até alguém decidir. Ou é reaplicado no que estiver na vitrine naquela semana. Sem uma coluna de vencimento e um aviso de "vence em 90 dias", a decisão é tomada no susto.
3. O valor bruto engana mais quanto maior o prazo. Um CDB e uma LCI com o mesmo "rendimento" no extrato podem entregar valores bem diferentes depois do imposto, e a diferença muda com o prazo. Comparar bruto com isento é o erro do módulo 6. A planilha só mostra o líquido estimado.
A planilha, aba por aba
São quatro abas. As células amarelas você preenche; as verdes a planilha calcula.
| Aba | O que você preenche | O que ela devolve |
|---|---|---|
| Posições | uma linha por aplicação: produto, emissor, tipo, isento ou não, FGC ou não, objetivo, data, valor, vencimento, taxa | prazo, taxa estimada, bruto e líquido no vencimento, casamento de prazo, soma por emissor, alerta de FGC, aviso de vencimento |
| Objetivos | a ficha do diagnóstico do módulo 0: valor-alvo, data de uso, queda que você aguenta, regra de revisão | quanto está aplicado em cada objetivo, o líquido estimado e quanto falta |
| Comparador líquido | valor, prazo, CDI esperado e as taxas oferecidas | o líquido de CDB, LCI/LCA, Tesouro Selic e Tesouro Prefixado lado a lado |
| Instruções | nada | as regras de preenchimento e o que a planilha não faz |
Três campos pedem atenção no preenchimento. O emissor é o conglomerado, escrito sempre do mesmo jeito, porque é por esse texto que a planilha soma o limite do FGC. A taxa contratada muda de sentido com o tipo: para pós-fixado é a porcentagem do CDI (110), que a planilha aplica sobre o CDI de cada dia, como o módulo 3 mostrou; para prefixado é a taxa ao ano (15,78), para IPCA+ é a taxa real (7,66). E a custódia é 0,20 para títulos do Tesouro, que pagam a taxa da B3, e zero para CDB, LCI e LCA; no Tesouro Selic, a planilha já desconta a isenção dos primeiros R$ 10 mil por CPF.
No topo da aba Posições ficam duas premissas: o CDI médio e o IPCA médio esperados até os vencimentos. Os exemplos usam 13,65% (o CDI de setembro de 2026) e 4,53% (a mediana do Focus para 12 meses, em 26/10/2026). Troque pelos seus. A planilha não prevê nada; ela faz a conta com a premissa que você escrever.
O exemplo que a planilha já traz
As cinco linhas de exemplo são de uma pessoa fictícia, com o dinheiro aplicado em 26/10/2026:
| Produto | Emissor | Valor | Vencimento | Taxa | Líquido estimado no vencimento |
|---|---|---|---|---|---|
| CDB de liquidez diária | Banco Grande X | R$ 30.000 | 25/10/2029 | 100% do CDI | R$ 41.932 |
| CDB de 3 anos | Banco Médio Y | R$ 120.000 | 25/10/2029 | 110% do CDI | R$ 173.587 |
| LCI de 2 anos | Banco Médio Y | R$ 80.000 | 25/10/2028 | 92% do CDI | R$ 101.237 |
| Tesouro Prefixado 2032 | Tesouro Nacional | R$ 40.000 | 01/01/2032 | 15,78% | R$ 78.166 |
| Tesouro IPCA+ 2045 | Tesouro Nacional | R$ 50.000 | 15/05/2045 | IPCA + 7,66% | R$ 382.535 |
As taxas dos dois títulos do Tesouro são as de compra de 26/10/2026. As do CDB e da LCI são exemplos de oferta, não taxas de mercado. O valor do IPCA+ é nominal: depende da inflação de 4,53% ao ano que está na premissa, e em reais de hoje vale bem menos.
Agora os três alertas que essa carteira acende.
Antes de continuar: O Banco Médio Y tem R$ 200 mil aplicados: um CDB de R$ 120 mil a 110% do CDI e uma LCI de R$ 80 mil. Com o CDI de 13,65%, quanto os dois somam nos vencimentos?
a) Uns R$ 200 mil: o FGC olha o aplicado · b) Uns R$ 240 mil, ainda dentro dos R$ 250 mil · c) Uns R$ 284 mil, acima do FGC
Resposta: Uns R$ 284 mil, acima do FGC. R$ 284.281: R$ 34.281 acima dos R$ 250 mil garantidos. O CDB chega a R$ 183.044 brutos e a LCI a R$ 101.237.
O alerta de FGC. O Banco Médio Y tem R$ 200 mil aplicados: parece dentro do limite. Mas, pelas premissas, o CDB chega a R$ 183.044 brutos e a LCI a R$ 101.237. A soma no mesmo conglomerado é de R$ 284.281, R$ 34.281 acima do FGC. As duas linhas ficam vermelhas, com o excesso em reais ao lado.
O casamento de prazo. A LCI vence em 25/10/2028, mais de um ano antes da data do objetivo dela (a reforma, em 01/11/2029). A planilha avisa: "vence mais de 1 ano antes: risco de reinvestir". Não é necessariamente um erro, mas é uma decisão a tomar: para onde vai esse dinheiro por um ano, e a que taxa.
A reserva sem data. O CDB de liquidez diária está ligado à reserva, que não tem data de uso. A planilha lembra: "sem data: se for reserva, precisa de liquidez diária". É o que confere se aquele CDB é, de fato, de resgate imediato.
Na aba Objetivos, a reforma tem meta de R$ 280 mil e líquido estimado de R$ 274.825: faltam R$ 5.175. A entrada do apartamento tem meta de R$ 80 mil e o Prefixado leva a R$ 78.166: faltam R$ 1.834. São números que mudam o aporte do mês seguinte.
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