Projeto final: três objetivos, três títulos, nenhuma aposta
Um caso completo, resolvido com as taxas de 26/10/2026: a reserva, uma entrada de apartamento em cinco anos e a aposentadoria. Depois, a sua vez, com a ficha do diagnóstico, um checklist de 15 itens e o teste final do curso.

Em 1 minuto
- Um plano de renda fixa bom não depende de acertar os juros: separa o dinheiro por prazo, dá a cada pedaço o título que aquele prazo aguenta e escreve antes a regra de quando mexer.
- No caso de Marina, R$ 150 mil viram três baldes: R$ 36 mil de reserva no Tesouro Selic, R$ 62 mil no Prefixado 2032 para a entrada e R$ 52 mil no IPCA+ 2050 para a aposentadoria.
- Cada meta é testada em reais de hoje, porque um valor nominal travado não garante poder de compra.
Ao fim desta aula você vai saber
- Montar a sua ficha com valor, data, queda que aguenta e título de cada objetivo
- Fazer a conta de trás para frente: quanto aplicar hoje para chegar a uma meta líquida
- Passar o checklist de 15 itens e o teste final do curso
A tese: um bom plano de renda fixa não depende de acertar os juros
A pergunta que todo mundo faz no fim de um curso de renda fixa é "qual título eu compro agora?". É a pergunta que este curso evitou de propósito, porque a resposta depende de algo que ninguém sabe: para onde vão os juros.
A ideia: Um plano bom funciona sem essa resposta. Ele separa o dinheiro por prazo, escolhe para cada pedaço o título cujo risco aquele prazo aguenta e escreve antes a regra de quando mexer.
Esta aula resolve um caso inteiro com as taxas reais de 26/10/2026. Não é uma recomendação: é uma demonstração de método, com os números à mostra para você refazer. Depois, é a sua vez, com a mesma ficha do diagnóstico.
O mecanismo: as três forças que o plano usa
1. O prazo escolhe o tipo de título. Dinheiro sem data pede liquidez e preço estável. Dinheiro com data pede um vencimento perto dela. Dinheiro de décadas pede proteção contra a inflação. É o casamento de prazo do módulo 0, aplicado pedaço por pedaço.
2. O vencimento neutraliza a marcação a mercado. Um título levado até o fim entrega a taxa contratada, faça o preço o que fizer no caminho (módulo 2). O plano usa isso a seu favor: o risco de preço só é um problema para o dinheiro que pode precisar sair antes.
3. A regra escrita protege do próprio investidor. O pior momento para decidir é o dia em que o extrato está vermelho. Por isso cada objetivo sai daqui com uma regra de revisão escrita, que diz quando mexer e, mais importante, quando não mexer.
O caso: Marina, 38 anos
Marina é CLT numa empresa grande, sem dependentes. Gasta R$ 6 mil por mês, tem R$ 150 mil aplicados na poupança e consegue guardar R$ 2 mil por mês. Quer três coisas: uma reserva de emergência, a entrada de um apartamento em janeiro de 2032 (cerca de R$ 120 mil) e começar a aposentadoria. A ficha dela:
| Pedaço | Valor | Quando vou usar | Queda que aguento | Tipo de título que combina |
|---|---|---|---|---|
| Reserva | R$ 36 mil | a qualquer momento | nenhuma | pós-fixado com liquidez diária |
| Entrada | R$ 62 mil | janeiro de 2032 | pequena, e não na data | vencimento na data |
| Aposentadoria | R$ 52 mil | depois de 2050 | 30% no caminho | IPCA+ longo |
Objetivo 1: a reserva
Seis meses de despesa, porque a renda dela é estável (módulo 7): R$ 36 mil. As duas opções de sempre, com um ano de prazo, o CDI de 13,65% e a Selic do Tesouro Selic 2029, de Selic + 0,05:
Antes de continuar: R$ 36 mil por 12 meses: CDB de liquidez diária a 100% do CDI ou Tesouro Selic 2029. Depois de imposto e custódia, quanto um deixa a mais que o outro?
a) Uns R$ 28 · b) Uns R$ 500 · c) Uns R$ 1.500
Resposta: Uns R$ 28. R$ 28 em um ano: R$ 4.054 líquidos no CDB contra R$ 4.026 no Tesouro Selic. O rendimento não decide; o que decide é de quem é o risco e em quanto tempo o dinheiro volta.
| R$ 36 mil por 12 meses | Bruto | Custódia | IR (17,5%) | Líquido |
|---|---|---|---|---|
| CDB de liquidez diária a 100% do CDI | R$ 4.914 | — | R$ 860 | R$ 4.054 |
| Tesouro Selic 2029 | R$ 4.932 | R$ 52 | R$ 854 | R$ 4.026 |
A diferença de R$ 28 em um ano não decide nada, e é essa a lição. O que decide é o módulo 3: o CDB depende do banco e, se ele quebrar, da fila do FGC; o Tesouro Selic depende do governo e tem resgate liquidado no mesmo dia, se pedido até as 13h. Marina escolhe o Tesouro Selic, porque não quer a fila como hipótese. Quem escolher o CDB de banco grande, com os R$ 36 mil muito abaixo do limite de R$ 250 mil, também está certo.
Regra de revisão: usou, recompõe com o primeiro aporte do mês seguinte. A reserva não entra em nenhuma comparação de rentabilidade.
Objetivo 2: a entrada em janeiro de 2032
Três candidatos do Tesouro, com as taxas de compra de 26/10/2026:
| Título | Taxa | Vence | O risco que sobra |
|---|---|---|---|
| Tesouro Selic 2031 | Selic + 0,10 | 01/03/2031 | a Selic cair e o resultado ser menor; vence 10 meses antes |
| Tesouro Prefixado 2032 | 15,78% ao ano | 01/01/2032 | a inflação subir e corroer o valor travado |
| Tesouro IPCA+ 2032 | IPCA + 8,10% | 15/08/2032 | vence 7 meses depois: exige vender antes, a preço de mercado |
O Prefixado 2032 é o único que vence na data. Para chegar a R$ 120 mil líquidos, a conta vem de trás para frente (módulos 1 e 6): a 15,78% por 5,18 anos, descontada a custódia de 0,20% ao ano sobre o saldo, R$ 1 vira cerca de R$ 2,121; tirando 15% de IR sobre o ganho, R$ 1,9525. Logo, 120.000 ÷ 1,9525 = R$ 61.460. Marina aplica R$ 62 mil, que levam a cerca de R$ 121.055 líquidos em janeiro de 2032.
Agora o teste que o módulo 1 ensinou: quanto isso vale em poder de compra? Se o IPCA ficar em 4,53% ao ano (o Focus para 12 meses), os R$ 121.055 valem cerca de R$ 96.214 em reais de hoje. Se a inflação vier 2 pontos maior, R$ 87.217.
R$ 121.055 líquidos em janeiro de 2032, travados no Prefixado · R$ 96.214 em reais de hoje, com IPCA de 4,53% ao ano · R$ 87.217 em reais de hoje, se a inflação vier 2 pontos maior
Se o preço do apartamento subir com a inflação, esse é o risco que o prefixado carrega. Quem quer proteção contra ele usa o IPCA+ 2032 e aceita vender sete meses antes do vencimento, quando o título está tão perto do fim que um ponto de alta na taxa mexe cerca de 0,6% no preço. Marina prefere a certeza do valor nominal e escreve a escolha na ficha.
E se ela precisar vender antes? Com cinco anos até o fim, um ponto de alta na taxa tira cerca de 4,4% do preço do Prefixado 2032 (módulo 2). É por isso que a reserva existe: para que esse título nunca precise ser vendido antes.
Regra de revisão: uma vez por ano, em janeiro, conferir na planilha se o líquido estimado ainda cobre a meta. Não vender por queda de preço.
Objetivo 3: a aposentadoria
Sobram R$ 52 mil. Para dinheiro de mais de 20 anos, o módulo 7 apontou o IPCA+ longo, e a aula de IPCA+ mostrou que a taxa de entrada decide quase tudo: de 2005 a 2026, quem comprou acima de IPCA + 7% ganhou do CDI em todas as 36 janelas de cinco anos, mas isso saiu de poucos episódios e não é garantia. Em 26/10/2026, o IPCA+ 2050 sem cupom era vendido a IPCA + 7,64%.
Antes de continuar: R$ 52 mil no IPCA+ 2050 a IPCA + 7,64%, levados até 2050. Depois do imposto, quanto viram em reais de hoje?
a) Uns R$ 100 mil · b) Uns R$ 150 mil · c) Uns R$ 250 mil · d) Uns R$ 400 mil
Resposta: Uns R$ 250 mil. Cerca de R$ 253.569 em reais de hoje, perto de 4,9 vezes o poder de compra inicial. Antes do imposto, seriam perto de R$ 295 mil: o IR de 15% incide também sobre a parte que só repôs a inflação.
Levado até 15/08/2050, descontada a custódia e com IPCA de 4,53% ao ano, cada real cresce cerca de 5,7 vezes acima da inflação antes do imposto: R$ 52 mil viram perto de R$ 295 mil em reais de hoje. O IR de 15% incide sobre o ganho nominal, inflação incluída, e sobram cerca de R$ 253.569 em reais de hoje, perto de 4,9 vezes o poder de compra inicial.
O preço disso está no caminho. Com 23,8 anos de prazo, um ponto de alta na taxa tira cerca de 19,8% do preço (R$ 10,3 mil no extrato); dois pontos, 35,5% (R$ 18,4 mil). O IPCA+ 2045 caiu 30,4% entre 2020 e 2022. Marina escreveu "30%" na ficha, e é por isso que o título serve para ela.
Por que não crédito privado, fundo ou previdência? Uma debênture incentivada (módulo 4) pagaria mais, mas traz o risco de uma empresa por 20 anos, sem FGC. Um fundo cobraria taxa todo ano e come-cotas em maio e novembro (módulo 5). O PGBL só faz sentido se ela declarar no modelo completo, e essa conta fica para a revisão do imposto de abril (módulos 5 e 6). Nada disso é proibido; só não é necessário para o objetivo.
Regra de revisão: a cada cinco anos ou quando a vida mudar. Aportes de R$ 2 mil por mês vão para este objetivo, comprados pela taxa do dia; se a taxa do IPCA+ longo cair abaixo de IPCA + 5%, faixa em que o título historicamente perdeu do CDI, os aportes vão para pós-fixado até a revisão seguinte.
Voltar à trilha Mão na massa: o seu planoTodas as trilhas
Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.