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O que 596 testes na B3 mostram · Aula 4 de 5

Médias e rompimentos: empatam com o CDI e cortam a queda

Médias, canais e Tartarugas renderam de +8,9% a +11,3% ao ano em 437 ações da B3, contra +10,5% do CDI. O ganho deles é outro: a pior queda média vai de −72% para algo entre −19% e −42%. E um teste sem regra de liquidez inflou os campeões em até 3,3 pontos por ano.

por Vinícius Rosa12 min de leituraatualizada em trecho aberto
Médias e rompimentos: empatam com o CDI e cortam a queda

Em 1 minuto

  • Seguir tendência é a única família de regras gráficas com sentido econômico, mas na B3 ela rende o mesmo que a renda fixa: de +8,9% a +11,3% ao ano, contra +10,5% do CDI.
  • O que ela entrega é proteção: a pior queda média de segurar uma ação qualquer foi −72%; com os setups de tendência, entre −19% e −42%.
  • Um teste que deixava a regra comprar ação ilíquida inflava os campeões em até 3,3 pontos por ano; com a exigência de liquidez, nenhum setup ficou à frente do CDI.

Ao fim desta aula você vai saber

  • Usar média e rompimento como regra de risco, e não como máquina de retorno
  • Calcular quanto uma queda exige de alta para voltar ao ponto de partida
  • Perguntar a qualquer backtest se a ação era negociável no mês da entrada

A tese: a tendência é uma boa amiga para sair e uma amiga modesta para ganhar

"A tendência é sua amiga." Médias móveis e rompimentos são a espinha dorsal da análise técnica: a média curta cruza a longa, o preço rompe o topo do canal, a tartaruga compra a máxima de 55 dias. Diferente dos candles e dos osciladores, aqui a ideia tem sentido econômico: preços que sobem por um tempo tendem a continuar subindo por mais um pouco, e o módulo 3 mostra que essa é a única ideia do gráfico com décadas de evidência.

A pergunta desta aula é quanto disso sobra quando o teste é feito com todas as ações, com custo, e com uma regra que muita gente esquece: você só consegue comprar o que alguém está vendendo. Sobra menos retorno do que os cursos prometem. E sobra muito mais proteção do que eles contam.

O mecanismo: três forças que decidem o resultado de uma regra de tendência

1. As quedas grandes não acontecem num dia. Uma queda de 50% é uma série de fechamentos ruins. Qualquer regra de tendência, rápida ou lenta, cruza para baixo em algum ponto dessa série e tira você antes do resto. É por isso que todas elas cortam a pior queda.

2. O caminho lateral cobra pedágio. Quando o preço vai e volta em torno da média, cada cruzamento é uma entrada e uma saída. O papel não sai do lugar e a regra paga custo e compra mais caro do que vendeu. O módulo 3 mostra o caso extremo, o ITUB4, que trocou de lado 3,5 vezes por ano.

3. Fora da posição, o dinheiro rende CDI. Numa bolsa de juro alto, o tempo fora não é tempo parado. Parte do resultado de qualquer regra de tendência é a renda fixa dos meses em que ela mandou sair.

As regras, em linguagem simples

Cruzamento de médias (9 × 21, 20 × 50): compra quando a média curta passa acima da longa e vende no contrário. A cruz dourada é o cruzamento das médias de 50 e 200 dias. Canal de Donchian e Tartarugas: compra quando o preço rompe a máxima de 20 ou 55 dias e vende quando perde a mínima de 10 ou 20. Canal de Keltner: compra quando o preço fecha acima de uma faixa desenhada a partir da média exponencial de 20 dias e da volatilidade. Máxima de 52 semanas: compra no topo do último ano. Régua mensal: comprado quando o fechamento do mês está na média exponencial de 5 meses ou acima.

Cada regra rodou sozinha em cada uma das 437 ações líquidas desde 2006, inclusive as 179 que saíram da bolsa. Sinal no fechamento, ordem na abertura seguinte, 0,1% de custo por ordem, dinheiro no CDI fora da posição. E, desde a revisão de setembro de 2026, a entrada só vale se a ação estiver no universo líquido naquele mês: negociando pelo menos R$ 5 milhões por dia e em quase todos os pregões.

O resultado: empate no retorno

Os setups de médias, canais e rompimentos ficaram entre +8,9% (cruz dourada) e +11,3% ao ano, contra CDI de +10,5% no mesmo período. O Canal de Keltner lidera (+11,3%), seguido das Tartarugas 55/20 (+11,1%) e da máxima de 52 semanas (+10,9%). As médias 9 × 21 fazem +9,9%; a 20 × 50, +9,8%; a régua mensal, +9,6%. Nenhum bate o CDI na maioria das ações. O melhor, o Keltner, bateu em 188 de 437.

Os primeiros colocados ficam a menos de 1,5 ponto uns dos outros, e a ordem muda com o período. Na prática, é um empate: escolher entre 9 × 21, 20 × 50 ou 55/20 é escolher entre variações da mesma ideia.

O resultado: vitória na queda

Antes de continuar: Segurar cada uma das 437 ações, do dia em que ficou líquida até o fim ou até sair da bolsa, teve qual pior queda média por ação?

a) Cerca de −30% · b) Cerca de −45% · c) Cerca de −72% · d) Cerca de −95%

Resposta: Cerca de −72%. −72%. Com os setups de tendência, a pior queda média ficou entre −19% e −42%. Rendem quase o mesmo que a renda fixa, mas protegem da destruição que é segurar uma ação qualquer por 20 anos.

A pior queda de cada setup

Pior queda média por ação de cada setup e, à direita, o retorno ao ano. A barra de segurar é muito maior que a de qualquer regra. Teste do Quantor, 437 ações da B3, 2006–2026.

A cruz dourada, que não está no gráfico, fica em −35%. Esse é o papel real das médias e dos rompimentos: não rendem mais que o CDI, mas evitam a queda que arruína. É um papel mais modesto que o prometido, e é real.

A ideia: Use médias e rompimentos como regra de risco, não como máquina de retorno. O ganho deles é a queda que evitam.

A conta de recuperação mostra por que isso importa. Depois de −72%, é preciso subir 257% para voltar ao ponto de partida. Depois de −29%, basta subir 41%. A primeira queda leva anos de vida da carteira; a segunda é um ano ruim.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.siga no Instagram · @viniciusrosa_88 ↗

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.