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Análise técnica com dados: 596 testes na B3 · Aula 4 de 8

Máximas: vender no topo ou comprar a força?

"Não compre na máxima" é o conselho mais invertido da bolsa. Depois de uma máxima de 52 semanas a ação sobe um pouco mais que o normal, e as ações mais perto do topo transformaram R$ 1.000 em cerca de R$ 9.800.

por Vinícius Rosa6 min de leituraatualizada em trecho aberto
Máximas: vender no topo ou comprar a força?

A ideia

Você olha uma ação que subiu o ano inteiro e está na máxima. A cabeça diz: "cheguei tarde". O amigo completa: "espera corrigir, nunca compre no topo". E, se você já tem a ação, vem o impulso contrário: "bateu máxima, é hora de realizar".

Parece prudência. Os dados dizem que é o contrário.

O que é uma máxima de 52 semanas

A máxima de 52 semanas é o maior preço do último ano. Quando a ação fecha acima dele, está no ponto mais alto em 12 meses. A máxima histórica é o maior preço desde que a ação existe na base (a partir de 2000 ou da estreia).

"Estar perto da máxima" mede quanto falta para esse topo. Uma ação a 2% da máxima está perto; uma a 60% abaixo está longe.

O que testamos

Três perguntas, nas 437 ações líquidas da B3 desde 2006 (as que negociavam bastante dinheiro por dia), com as que saíram da bolsa:

  1. O que acontece depois? Toda vez que uma ação fez máxima de 52 semanas, medimos os 20 pregões seguintes contra um pregão qualquer das mesmas ações (que rendeu +0,76% em 20 pregões).
  2. Vender na máxima ajuda? A regra "bateu máxima, vende e fica 20 pregões fora" contra segurar.
  3. Comprar perto ou longe do topo? Duas carteiras de 10 ações, refeitas todo mês: as mais perto e as mais longe da máxima de 52 semanas.

O resultado

Depois da alta: 20 pregões contra um dia qualquer

Leitura: depois de uma máxima, a ação rende um pouco mais que o normal. O salto de um dia só é que devolve. O que olhar: as barras das máximas ficam acima de zero; a do salto de um dia, abaixo.

Depois de uma máxima de 52 semanas, a ação rendeu 0,72 ponto percentual a mais que um dia qualquer nos 20 pregões seguintes, em 14.812 casos. Depois de uma máxima histórica, +0,49 ponto. Nenhum dos dois passa no nosso teste de confiança (a diferença é pequena demais para descartar o acaso). Então não dá para chamar de sinal de compra. Mas dá para dizer com segurança o que não acontece: a ação não cai depois da máxima.

Por isso vender na máxima não funcionou. A regra "vende na máxima de 52 semanas e fica 20 pregões fora" rendeu +0,8% ao ano, praticamente igual a segurar (+0,7%). Não há base para realizar só porque o preço bateu no topo.

A diferença aparece com força na seleção de ações:

Perto da máxima × longe da máxima

Leitura: escala logarítmica. A linha azul é o CDI no mesmo período. Repare: as mais perto da máxima sobem; as mais longe afundam.

As 10 ações mais perto da máxima, refeitas todo mês, renderam +11,6% ao ano, acima do CDI e do Ibovespa. As 10 mais longe renderam −14,3% ao ano, com queda de 98%. R$ 1.000 em 2006 viraram cerca de R$ 9.800 num caso e cerca de R$ 40 no outro. O mito está invertido: o topo é onde as ações fortes moram; o fundo do poço é onde as fracas continuam afundando. Com a trava do Ibovespa por cima (o dinheiro vai para o CDI quando o índice perde a própria média), a carteira das mais perto do topo sobe para +15,3% ao ano.

O que quase ninguém sabe. Topo e salto são coisas diferentes. A máxima de 52 semanas é o resultado de um ano de alta. Já subir 10% num único pregão é um evento, muitas vezes uma notícia, e aí o dado vira: nos 20 pregões seguintes a ação rendeu 1,59 ponto a menos que um dia qualquer. Quem diz "subiu demais, vai corrigir" está certo sobre o salto de um dia e errado sobre a tendência de um ano. A maioria mistura os dois.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.