Entrar
Setores da B3, um por um · Aula 5 de 13

Petróleo: P/L baixo não é desconto, é aluguel do risco

A PETR4 custa menos de 5 anos de lucro. O desconto não é distração do mercado, é o preço de carregar barril, câmbio e controlador ao mesmo tempo. E os campeões do setor em 12 meses nem produzem petróleo.

por Vinícius Rosa4 min de leituraatualizada em trecho aberto
Petróleo: P/L baixo não é desconto, é aluguel do risco

A ideia: desconto que dura anos é preço

Em 23 de setembro de 2026, a PETR4 negociava a P/L de 4,8: o preço equivalia a menos de cinco anos de lucro. O resto da B3 líquida tinha P/L mediano de 9,8. A empresa tinha ROE de 27,7%, margem líquida de 24,4% e dívida de 2,1 vezes o EBITDA.

Pelos números, a mais barata e mais rentável da tela. E ela está barata assim há muitos anos. Um desconto que não fecha por tanto tempo não é erro do mercado. É o aluguel que ele cobra para carregar três riscos que não sabe prever.

O que move uma petroleira: barril, câmbio e política

Os três riscos da esquerda mudam o lucro do ano sem que a empresa mude nada na operação.

Os três riscos

1. O barril é cotado em dólar, lá fora. A empresa decide quanto produz, não por quanto vende. Um barril 20% mais caro ou mais barato muda o lucro inteiro do ano.

2. A receita é em dólar e boa parte do custo é em real. Salários, contratos de sonda e impostos são pagos em real. Dólar mais alto engorda a margem; dólar mais baixo aperta.

3. Na estatal, preço e dividendo passam pela política. Quando o preço na bomba acompanha o mercado internacional, a margem de refino fica com a empresa. Quando não acompanha, fica com o consumidor. E a regra de dividendo, que é uma fórmula aprovada pelo controlador, pode ser reescrita pelo mesmo controlador.

O dividendo que não voltou

Em 2022, com o barril alto e uma regra que distribuía boa parte do caixa livre, a PETR4 pagou mais de 30% do preço do início do ano em dividendos. Foi real, foi pago, e virou premissa de planilha em muito lugar. Em setembro de 2026, o dividend yield dos últimos 12 meses era de 6,0%.

O dividendo de uma petroleira é consequência do barril daquele ano, não uma característica da empresa. Por isso o dividend yield do retrovisor é o número mais perigoso do setor: ele fica alto justamente depois de um ano de preço alto, que é o pior momento para projetar.

Produzir o barril e vender o litro

O grupo tem dois negócios diferentes com o mesmo rótulo. PETR4 e PRIO3 produzem petróleo. VBBR3 (Vibra) e UGPA3 (Ultrapar) compram combustível e revendem em postos: ganham por litro, giram rápido, têm margem líquida de 2,5% e 2,4% e quase nenhuma exposição direta ao barril.

Nos últimos 12 meses, quem liderou foram as distribuidoras. Nos Rankings, o Índice Quantor (IQ), o momentum ajustado ao risco da casa, de −100 a +100, era de 91 na UGPA3 e 85 na VBBR3, contra 61 na PETR4 e 6 na PRIO3.

PETR4, PRIO3, VBBR3 e UGPA3 nos últimos 12 meses, no preço

Base 100 em setembro de 2025, com proventos.

A PETR4 subiu 58% no preço em 12 meses; com os dividendos, 72%. Em papel pagador, olhar só o preço esconde uma parte grande do retorno.

Voltar à trilha Setores da B3, um por umTodas as trilhas

Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.