VIX, MOVE e VVIX: três medos diferentes, e só um importa por vez
Não existe um único "índice do medo". Cada medidor mede o preço do seguro contra um risco específico. Em 2022 a bolsa americana caiu 20% e o medo maior estava nos juros, não no VIX. O termômetro do Quantor junta cinco medidores, mas a informação está em qual deles grita.

A ideia: o medo tem endereço
Quase todo mundo chama o VIX de "índice do medo", como se ele medisse o medo do mercado inteiro. Não mede. Ele responde uma pergunta só: quanto está custando, hoje, um seguro contra queda da bolsa americana nos próximos 30 dias.
Esse seguro é negociado no mercado de opções, contratos que pagam se o preço cair (ou subir) além de certo ponto. Quanto mais gente quer se proteger, mais caro fica o seguro. O VIX traduz esse preço num número: a oscilação anual que o mercado está esperando. Nas faixas da aba Risco, VIX abaixo de 15 é calmaria; acima de 30, pânico.
O ponto da aula é que existem vários seguros, um para cada risco. Cada medidor tem um endereço, e a crise escolhe qual endereço visita.
Os cinco medidores do Quantor
- VIX: o seguro contra queda do S&P 500, a bolsa americana.
- MOVE: o mesmo seguro, para os títulos do Tesouro americano. É o medo nos juros.
- VVIX: o seguro sobre o próprio VIX. Mede o medo de que o medo dispare.
- Crédito (spread high yield): quanto a mais as empresas mais arriscadas dos EUA pagam de juro. Não é opção, é dinheiro de verdade mudando de mãos.
- VIX Brasil: o seguro contra queda do BOVA11, calculado pelo próprio Quantor. É o assunto da próxima aula.
A tela junta os cinco num termômetro de 0 a 100:

Print da aba Risco de 23/09/2026. Os números estão explicados abaixo.
O termômetro (1) marcava 37, zona normal. A conta: cada medidor vira um percentil de 2 anos (de 0 a 100, onde o valor de hoje cai na fila dos últimos dois anos; a aula de percentil da trilha Matemática mostra a conta passo a passo). Depois, tira-se a média. Se a curva do VIX (8) inverter, isto é, se o seguro de 1 mês ficar mais caro que o de 3 meses, somam-se 10 pontos. Zonas: calmo abaixo de 30, normal de 30 a 60, alerta de 60 a 80, estresse de 80 para cima.
Naquele dia: VIX (3) em 15,1, percentil 14. MOVE (4) em 81, percentil 48. VVIX (5) em 89, percentil 10. Crédito (7) em 2,7 pontos, percentil 13. E o VIX Brasil (6) em 27,9, percentil 98. A média dá 37. O aviso (2) é o que importa: a média engana, porque o medo está concentrado num lugar só.
O número muda rápido. Na leitura de 24/09, o MOVE aparecia em 95,5 (percentil 74) e o termômetro, em 47.
Em 2022, quem olhava só o VIX não viu nada

Em cima, o S&P 500. Embaixo, VIX e MOVE convertidos em percentil de 2 anos, a mesma conta do termômetro.
Em 2022 o S&P 500 caiu 20% no ano, 25% do topo de janeiro ao fundo de outubro. O VIX passou 180 dos 251 pregões entre 20 e 30, com mediana de 25,5. Nervoso, mas longe dos 80 de 2008. O MOVE passou 233 de 249 pregões no percentil 80 ou mais. O problema daquele ano era o juro americano subindo rápido, não um colapso da bolsa. Quem acompanhava só o VIX viu um ano desconfortável. Quem olhava o MOVE viu onde estava o incêndio.
Depois do medo
O Quantor guarda o termômetro de cada dia desde março de 2017. Dá para ver o que o Ibovespa fez depois de cada zona:

Retorno médio do Ibovespa em 12 meses a partir de um dia em cada zona. Embaixo, a porcentagem de casos positivos e o pior caso.
Depois de um dia em estresse, o Ibovespa rendeu em média 26,2% nos 12 meses seguintes, positivo em 90% dos casos. Depois de dias calmos, 9,4%. Medo caro costuma ser desconto.
Onde engana
O estresse não marca o fundo. Nos 21 pregões seguintes a um dia de estresse, o pior caso foi −33%. Quem compra no primeiro dia de pânico costuma levar mais queda antes do alívio.
A calma não avisa. O pior resultado em 63 pregões depois de um dia calmo foi −39%. Termômetro baixo não é seguro contra queda.
A amostra é pequena. São 205 pregões de estresse, mas eles se concentram em poucos episódios. As janelas se sobrepõem: dez dias seguidos de estresse contam dez vezes o mesmo desfecho.
Percentil exagera depois de calmaria longa. Após dois anos tranquilos, qualquer susto vira percentil 100. Olhe também o nível bruto de cada medidor.
Na prática
1. Abra os cinco antes de ler a nota. Um 37 com quatro medidores calmos e um no teto é outro cenário que um 37 com todos no meio.
2. Pergunte de quem é o medo. MOVE alto com VIX baixo é medo de juro. Crédito abrindo é medo de calote. VIX Brasil sozinho é medo local.
3. Use o estresse para entrar em partes, não para sair. Historicamente, foi a melhor zona para comprar e a pior para ter certeza.
4. Olhe a curva do VIX quando o termômetro passar de 60. Curva invertida quer dizer que o mercado quer proteção para agora.
No Quantor
Tudo isso está na aba Risco: o termômetro com o histórico de 90 dias, os seis cartões (cinco medidores e a curva do VIX), cada um com o nível e o percentil, e o aviso de quando a média engana. O histórico completo do termômetro fica logo abaixo.
A pergunta não é "o mercado está com medo?". É "com medo de quê?".
Voltar à trilha Risco e cicloTodas as trilhas
Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.