VIX Brasil alto com o mundo dormindo
Em 18/09/2026 o seguro contra queda da bolsa brasileira marcou 29,3, o maior valor do ano, com o VIX americano em 14,8. Quando o medo sobe só aqui, ele pode ser desconto ou aviso. Doze anos de série mostram os dois.

A ideia: o termômetro do medo que é só nosso
O VIX mede o medo na bolsa americana. O Brasil não tinha um número equivalente de acesso fácil, e o Quantor passou a calcular o seu: o VIX Brasil, a volatilidade implícita de 30 dias do BOVA11 (o fundo que replica o Ibovespa).
A ideia é a mesma da aula anterior. Na B3 também se negociam opções sobre o BOVA11, que funcionam como seguro contra queda. Pelo preço desse seguro dá para calcular quanta oscilação o mercado está esperando para o próximo mês. É esse número, e só ele, que interessa aqui: o preço que as pessoas estão pagando para se proteger.
Em 18 de setembro de 2026, o VIX Brasil marcou 29,3, o maior valor em um ano. No mesmo dia, o VIX americano estava em 14,8. O mundo dormia; a B3 pagava caro por proteção.
Como ler o número
O VIX Brasil vem em "pontos de volatilidade ao ano". Para traduzir em oscilação diária, divida por 16 (a raiz de 252 pregões, mais ou menos). Com 29,3, o mercado estava precificando um dia típico de cerca de 1,8% para o BOVA11 no mês seguinte. Com 16, seria 1%.
As faixas que a aba Risco usa: abaixo de 20, calmo; de 20 a 25, normal; de 25 a 35, nervoso; acima de 35, pânico.
Duas comparações ajudam a saber se o número está alto:
Contra a oscilação que de fato aconteceu. No pregão de 23/09/2026, o VIX Brasil estava em 26,0 e a oscilação real dos últimos 21 pregões, em 16,0. Dez pontos de diferença: o seguro estava caro em relação ao que o mercado vinha entregando.
Contra o VIX americano. No mesmo pregão, o VIX Brasil valia 1,71 vez o VIX. Nos dois anos anteriores, a mediana dessa razão foi 0,92. O medo local estava quase o dobro do normal em relação ao de fora.
Doze anos de medo na B3

Linha azul: o VIX Brasil. Linha cinza: o VIX americano. Os pontos vermelhos são os picos citados no texto.
O Quantor calcula a série a partir do arquivo de negócios da B3. Ela começa em 2011, mas só tem dados diários completos a partir de 2014; antes, poucos pontos por ano.
Na maior parte do tempo, o VIX Brasil fica acima do americano: a bolsa brasileira oscila mais. O que chama atenção são os momentos em que ele sobe sozinho. Quatro exemplos, com o que o Ibovespa fez nos 12 meses seguintes:
| pico local | VIX Brasil | VIX (EUA) | Ibovespa 12 meses depois |
|---|---|---|---|
| 24/10/2014 (eleição) | 62,5 | 16,1 | −8,4% |
| 08/09/2015 | 34,8 | 24,9 | +28,8% |
| 04/09/2018 (campanha eleitoral) | 37,4 | 13,2 | +35,5% |
| 26/10/2022 (eleição) | 36,2 | 27,3 | +1,8% |
Quatro picos, quatro desfechos. Em 2015 o resultado de 12 meses foi bom, mas o caminho não: de 8 de setembro até o fundo de 26 de janeiro de 2016, o Ibovespa ainda caiu mais 20%. Medo local alto não é sinal de compra por si só.
Voltar à trilha Risco e cicloTodas as trilhas
Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.