Apetite a risco: você está lendo um termostato quando existem dois
O Quantor mede, todo mês desde 1998, quantos de 56 ativos de risco do mundo estão em alta, em duas velocidades. O mesmo número rápido pede coisas opostas conforme o lento. Em setembro de 2026, a leitura parcial era "alta · pausa".

A ideia: dois relógios, não um
Quem acompanha mercado costuma resumir tudo em uma palavra: o mundo está "comprando risco" ou "fugindo do risco". O problema é que isso junta duas coisas que andam em velocidades diferentes.
Uma é o que está acontecendo agora: quantos mercados estão subindo neste momento. A outra é o pano de fundo: quantos estão em tendência de alta há meses. Um mesmo "agora" significa coisas opostas conforme o pano de fundo. Metade dos mercados em alta pode ser uma pausa dentro de um mercado forte ou o começo de uma recuperação depois de um tombo.
Como o Quantor mede
O Quantor acompanha 56 ativos de risco do mundo: bolsas de vários países, setores da bolsa americana, crédito de empresas arriscadas, ações emergentes, cobre e petróleo. Moedas, juros e medidores de volatilidade ficam de fora.
Em cada um, no fechamento de cada mês, faz duas perguntas:
- Tática (a velocidade rápida): o fechamento está acima da régua, a média exponencial dos últimos 5 meses?
- Ciclo (a velocidade lenta): o fechamento está acima da média simples dos últimos 12 meses?
A tática é a porcentagem dos 56 que respondem "sim" à primeira; o ciclo, à segunda. Com 60% ou mais, a maioria está em alta; abaixo de 40%, a maioria está em baixa; no meio, sem maioria clara.
Oito estados
Cruzando as duas medidas saem oito estados. A figura mostra cada um, quantos meses ele ocupou desde 1998 e o que o Ibovespa fez nos 12 meses seguintes:

Linhas: o ciclo. Colunas: a tática. O ponto branco é a leitura parcial de setembro de 2026.
Três leituras saltam da grade.
O estado normal é a alta consolidada. Foram 192 dos 339 meses. O Ibovespa rendeu em média 13,3% nos 12 meses seguintes, positivo em 68% dos casos. Mas o pior caso foi −43%. O melhor ambiente da série ainda carrega uma perda enorme na cauda.
A pausa rendeu pouco. Em alta · pausa (ciclo forte, tática entre 40% e 60%), foram 26 meses, com o Ibovespa rendendo só 5,0% em média e positivo em 48% das vezes. Para comparar: considerando todos os meses, a média foi 15,1%. O crédito de risco americano teve média de −4,6% em 12 meses depois desse estado.
O melhor ano veio depois do pior momento. Depois de baixa (as duas medidas abaixo de 40%), foram 60 meses com o Ibovespa rendendo 25,1% em média nos 12 meses seguintes. Com pior caso de −40%: comprar na baixa rendeu mais, mas doeu mais no caminho.
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Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.