Tamanho de posição: o erro que não aparece na tese
Ninguém quebra por escolher o papel errado uma vez. Quebra por carregar um papel num tamanho que não aguenta uma sequência normal de perdas. A conta que resolve cabe numa linha, e a tela da PETR4 já traz os números dela.

A ideia: o quanto importa mais que o quê
O investidor gasta quase todo o tempo decidindo o que comprar e quase nada decidindo quanto. Devia ser o contrário.
A escolha do papel define o retorno esperado, que é incerto e distante. O tamanho define se você continua no jogo até esse retorno aparecer. A mesma boa tese, com o tamanho errado, obriga você a vender no pior momento.
As aulas anteriores mostraram por quê: as quedas vêm em fila (aula 1), o medo muda de preço (aulas 2 e 3), tudo cai junto na crise (aula 4). Nada disso salva quem está com o tamanho errado.
A conta em uma linha
Tamanho da posição = quanto você aceita perder ÷ distância até o ponto de saída.
Primeiro você decide quanto do patrimônio aceita perder se a tese der errado. Um número comum e disciplinado é 1%. Depois, mede a distância até o ponto onde admite o erro: um stop, a virada da régua, o que for. O importante é estar definido antes da compra.
A Técnica da PETR4 já traz os números, no bloco "A régua":

Print da Técnica da tela Analisar papel da PETR4 em 29/09/2026. Os marcadores são explicados abaixo.
O papel estava a R$ 49,10 (1). A régua viraria para baixa se o mês fechasse abaixo de R$ 44,18 (2). O bloco mostra a folga de 11,1% (3), mas ela é medida a partir da média; a queda do preço atual até R$ 44,18 é de 10,0%. A conta fica: 1% ÷ 10,0% = 10% do patrimônio. Com R$ 100 mil, cerca de R$ 10.000 em PETR4. Se o mês fechasse abaixo de R$ 44,18 e você saísse ali, a perda ficaria perto de R$ 1.000.
Repare no efeito: se a saída estivesse 20% abaixo, o mesmo 1% daria 5% do patrimônio. Quanto mais longe a saída, menor a posição. Você não precisa de uma opinião sobre risco; a conta produz a opinião.
Papéis diferentes, tamanhos diferentes
A distância até a saída precisa respeitar o quanto o papel oscila. Um stop apertado demais num papel nervoso é acionado pelo barulho de um dia comum. A trilha Matemática do investidor tem uma aula sobre volatilidade; aqui vai o uso direto:

Em cima, a volatilidade do último ano até 23/09/2026. Embaixo, o que o tombo de março de 2020 fez com a carteira conforme o peso da PETR4.
No último ano, a PETR4 oscilou 1,72% num dia comum; a MGLU3, 3,76%. Num mês comum (multiplicando pela raiz de 21 pregões), 7,9% e 17,2%. Se você coloca a saída a dois meses ruins de distância, ela fica 15,8% abaixo na PETR4 e 34,5% abaixo na MGLU3. Para arriscar 1%: 6,3% do patrimônio em PETR4 e 2,9% em MGLU3. Mesmo risco em reais, tamanhos muito diferentes.
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