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As três portas e o pedágio de cada uma · Aula 2 de 5

O pedágio do veículo: o 1 ponto por ano que o IVVB11 não entregou

A taxa do folheto do IVVB11 fica perto de 0,23% ao ano. Medido contra o S&P 500 com dividendos, em reais, o cotista recebeu cerca de 1 ponto por ano a menos de 2014 a 2026. O custo de verdade é a distância, não a taxa.

por Vinícius Rosa11 min de leituraatualizada em trecho aberto
O pedágio do veículo: o 1 ponto por ano que o IVVB11 não entregou

Em 1 minuto

  • O custo de um veículo é a distância entre o que o ativo rendeu e o que chegou a você, não a taxa do folheto.
  • De abril de 2014 a agosto de 2026, o S&P 500 com dividendos em reais fez 22,1% ao ano; o IVVB11, 21,1%: cerca de 1 ponto por ano, 9,5% a menos em doze anos.
  • Custo pago uma vez se dilui com o tempo; custo anual se acumula. Em prazo longo, o que pesa é a taxa de todo ano.

Ao fim desta aula você vai saber

  • Medir o custo total de um ETF contra o índice certo
  • Separar custo de entrada de custo que se repete todo ano
  • Calcular quanto 1 ponto por ano tira de um patrimônio em 12 ou 20 anos

A tese: a taxa do folheto é a menor parte do custo

Quem compara veículos para investir lá fora costuma comparar um número só: a taxa de administração do ETF, a corretagem, o IOF da remessa. Cada um parece pequeno, e cada um está escrito em algum lugar.

O número que importa não está escrito em lugar nenhum. É a distância entre o que o ativo rendeu e o que de fato chegou à sua conta, depois de tudo: taxa, impostos no caminho, custos de replicar o índice, conversões. Nenhum desses custos aparece no gráfico do índice, e todos aparecem no seu patrimônio.

A ideia: O custo de verdade de um veículo não está no folheto: está na distância entre o que o ativo rendeu e o que você recebeu.

No IVVB11, dá para medir essa distância com doze anos de dados. É o que esta aula faz. O imposto sobre o ganho, que é outro pedágio, ficou na aula 1 e volta no módulo 4.

O mecanismo: três forças que abrem a distância

1. A taxa de administração, cobrada todo dia. No IVVB11 ela fica perto de 0,23% ao ano (confira a vigente no site da gestora). Ela não aparece como cobrança: sai do patrimônio do fundo, um pouco por dia, e a cota já vem líquida dela.

2. Os dividendos que ficam pelo caminho. As 500 empresas pagam dividendos. Antes de chegar ao fundo brasileiro, esse dinheiro passa por impostos retidos na origem. O que sobra é reinvestido, mas sobra menos do que o índice com dividendos supõe, porque o índice reinveste tudo, sem imposto nenhum.

3. O atrito de replicar e converter. O fundo compra cotas de outro ETF, mantém um pouco de caixa, converte moeda, paga custos de operar. Cada um é pequeno. Somados, aparecem na diferença. E uma parte da diferença medida é ruído da própria conta: o fechamento do fundo na B3 e o dólar oficial não saem no mesmo minuto.

A conta abaixo não separa essas três partes. Ela mede o total, que é o que interessa a quem tem a cota.

Contra quem comparar: o índice com dividendos

O IVVB11 reinveste os dividendos dentro do fundo. Então a comparação justa não é com o S&P 500 que sai no jornal, que é só preço: é com o S&P 500 com dividendos reinvestidos, o índice de retorno total, convertido para reais pelo mesmo dólar. Comparar com o índice só de preço faz qualquer ETF parecer melhor do que é, porque dá a ele de presente os dividendos que o índice de preço não conta.

Antes de continuar: De abril de 2014 a agosto de 2026, R$ 100 no S&P 500 com dividendos, em reais, viraram R$ 1.174. Quanto viraram R$ 100 no IVVB11?

a) Uns R$ 1.170: a taxa de 0,23% ao ano quase não aparece · b) Uns R$ 1.060: cerca de 1 ponto por ano a menos · c) Uns R$ 900: abaixo até do índice sem dividendos

Resposta: Uns R$ 1.060: cerca de 1 ponto por ano a menos. R$ 1.062: 21,1% ao ano contra 22,1% do índice com dividendos. A distância foi de cerca de 1 ponto por ano, mais de quatro vezes a taxa do folheto.

R$ 1.174 R$ 100 no S&P 500 com dividendos, em reais (22,1% ao ano) · R$ 1.062 R$ 100 no IVVB11 (21,1% ao ano) · R$ 945 R$ 100 no S&P 500 só preço, em reais (20,0% ao ano)

Os três números, de abril de 2014 a agosto de 2026, contam três coisas.

A distância entre a primeira e a segunda linha foi de cerca de 1 ponto por ano. Em doze anos, o cotista terminou com 9,5% a menos do que o índice entregou: 1.062 ÷ 1.174 = 0,905.

A terceira linha mostra o tamanho dos dividendos no período: cerca de 2 pontos por ano separam o índice com dividendos do índice só de preço. O IVVB11 ficou no meio. Recuperou mais ou menos metade dos dividendos que o índice prometia.

E a primeira linha lembra que o retorno de 22,1% ao ano é em reais, num período em que o dólar subiu muito contra o real. A parte do dólar foi o assunto do módulo 1; aqui ela vale igual para o índice e para o fundo, e não muda a distância entre eles.

A ideia: 1 ponto por ano foi o preço da conveniência de ter o S&P 500 em reais, na B3. Pode valer a pena, mas é bom saber que ele existe.

Custo que dilui e custo que acumula

Os pedágios das três portas têm formatos diferentes, e o formato importa tanto quanto o tamanho.

Um custo pago uma vez, como o câmbio e o IOF de uma remessa para a conta lá fora, pesa o mesmo em 1 ano ou em 20. Dividido pelos anos, fica cada vez menor. Uma taxa anual faz o contrário: cresce com o tempo, porque cobra de novo todo ano sobre um patrimônio maior.

Em números redondos, só para ver a forma (não são as taxas de nenhum produto): uma taxa de 0,25% ao ano, acumulada, tira 1,00% do patrimônio em 4 anos, 1,24% em 5, 2,47% em 10 e 4,88% em 20. Um custo único de 1% empata com ela perto do quarto ano. Depois disso, a taxa anual já levou mais.

Anos Custo único de 1% Taxa de 0,25% ao ano, acumulada
4 1,00% 1,00%
10 1,00% 2,47%
20 1,00% 4,88%

Daí uma regra útil: para prazo curto, o custo de entrada pesa; para prazo longo, o custo anual pesa. E há um custo que tem a pior forma das duas: o spread do BDR. Ele é de entrada, mas se repete toda vez que você gira a posição. Quem compra e vende BDR várias vezes por ano transforma um custo único em custo anual, e às vezes num custo maior que o de qualquer ETF.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.siga no Instagram · @viniciusrosa_88 ↗

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