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Por que e quanto · Aula 3 de 4

O índice sobe, a ação típica não: e a vitória das gigantes é recente

O ganho de uma bolsa mora em poucas ações, e o índice carrega essas poucas sem precisar saber quais são. Mas a década em que as gigantes americanas deixaram o resto para trás é uma década, não uma lei.

por Vinícius Rosa11 min de leituraatualizada em trecho aberto
O índice sobe, a ação típica não: e a vitória das gigantes é recente

Em 1 minuto

  • O ganho de um índice vem de poucas ações que multiplicam muitas vezes; a ação típica anda pouco ou perde.
  • Nos EUA, o índice normal abriu mais de 12 pontos por ano sobre a ação típica em 2023 e 2024, mas em 35 anos o peso igual ganhou.
  • Quem quer o mercado americano compra o índice e, com ele, muito peso em poucas empresas: é bom saber disso antes.

Ao fim desta aula você vai saber

  • Explicar por que a média de uma bolsa fica tão acima da ação típica
  • Diferenciar o índice por tamanho do índice de pesos iguais
  • Decidir entre o índice e uma lista curta de BDRs sabendo o que cada um carrega

A tese: um índice não é a média das ações, e o ganho dele mora em poucas

Um índice de ações parece uma média: sobe quando "as ações" sobem. Não é bem assim. O ganho de uma bolsa vem de poucas ações que multiplicam muitas vezes, enquanto a ação típica anda pouco ou perde. E o S&P 500 ainda pesa cada empresa pelo tamanho, então as que mais sobem passam a pesar cada vez mais.

Isso decide duas coisas para quem vai pôr dinheiro fora. A primeira: comprar o índice inteiro e comprar cinco ou dez BDRs de empresas conhecidas não são duas versões da mesma coisa. A segunda: quando alguém diz que "as gigantes sempre ganham", está descrevendo uma década, e não o mercado americano.

A ideia: O índice carrega a cauda sem precisar saber onde ela está. Uma lista curta, quase sempre, não carrega.

O mecanismo: três forças que concentram o ganho

1. A perda tem teto, o ganho não. Uma ação pode perder no máximo 100%, mas pode ganhar 1.000% ou 10.000%. Com o tempo, essa assimetria concentra o resultado em poucos nomes. O economista Hendrik Bessembinder mediu isso no estudo "Do stocks outperform Treasury bills?", publicado em 2018 no Journal of Financial Economics, com todas as ações americanas listadas de 1926 a 2016, quase 26 mil empresas. Cerca de 4% das ações explicaram toda a riqueza líquida que a bolsa criou acima dos títulos curtos do Tesouro americano. E mais da metade rendeu, na vida inteira, menos que esses títulos, a aplicação mais segura que existe por lá.

2. O índice por tamanho põe mais dinheiro em quem já subiu. No S&P 500, uma empresa que vale 50 vezes mais que outra pesa 50 vezes mais. Quando as maiores sobem mais que o resto, o índice sobe com elas, mesmo que a empresa típica esteja parada. Existe uma versão do mesmo índice com as 500 empresas de peso igual, cada uma com 1/500 do dinheiro, reequilibradas de tempos em tempos. A diferença entre as duas versões responde a uma pergunta simples: neste ano, foram as gigantes ou foi o mercado inteiro?

3. Uma lista curta quase nunca pega a cauda. Se o ganho está em 4% das ações, uma carteira de dez nomes tem pouca chance de ter as certas. Na maioria das vezes, ela fica com a ação típica.

Dá para ver na B3

A mesma ideia aparece aqui. No arquivo do Quantor, pegamos todas as ações com preço em agosto de 2016 e em agosto de 2026: foram 238.

Antes de continuar: 238 ações da B3, de agosto de 2016 a agosto de 2026, só o preço. A média subiu 188%. Quanto subiu a ação do meio da fila, a mediana?

a) Uns 180%, perto da média · b) Uns 100% · c) Uns 40%

Resposta: Uns 40%. 39%. A diferença entre a mediana e a média é a cauda: poucas ações puxaram a média para cima. E 99 das 238 terminaram abaixo do preço de 2016.

+39% a ação do meio da fila (mediana), em dez anos · +188% a média das 238 ações · 99 de 238 terminaram abaixo do preço de 2016 · 59% de todo o ganho veio das 10 melhores

Imagine R$ 1 em cada uma das 238. As 10 melhores, 4% da lista, somaram 59% de todo o ganho. Uma ação sozinha, a PRIO3, que multiplicou o preço por mais de 170 vezes, respondeu por 38,5%. As 139 que subiram somaram 113% do ganho, e as 99 que caíram devolveram os 13% de excesso. Em 37, a queda passou de 75%.

E a pergunta prática: sorteamos 20 mil carteiras de 10 ações dessa lista. Em 80% delas, o resultado ficou abaixo da média do conjunto. A carteira típica subiu 107%; o conjunto inteiro, 188%. Quem tem tudo tem a cauda. Quem tem dez, na maioria das vezes, não tem.

A década das gigantes americanas

Nos EUA, a comparação certa é entre o S&P 500 normal e o S&P 500 de pesos iguais, os dois com dividendos.

Ano S&P 500 normal S&P 500 de pesos iguais Diferença
2020 +18,4% +12,8% +5,6 pontos
2021 +28,7% +29,6% −0,9 ponto
2022 −18,1% −11,4% −6,7 pontos
2023 +26,3% +13,9% +12,4 pontos
2024 +25,0% +13,0% +12,0 pontos
2025 +17,9% +11,4% +6,5 pontos

De 2011 a 2022, os anos se alternaram, com diferenças quase sempre abaixo de 6 pontos. Em 2022, as gigantes caíram mais e o peso igual ganhou por quase 7. Depois veio a virada: dois anos seguidos com mais de 12 pontos para o índice normal. De 2019 a setembro de 2026, o S&P 500 normal rendeu 17,5% ao ano, e o de pesos iguais, 13,6%: quase 4 pontos por ano só pelo peso das maiores empresas do mundo.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.siga no Instagram · @viniciusrosa_88 ↗

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