Seu processo quant em sete linhas, antes do botão
Pergunta, taxa-base, prazo, regra escrita, tamanho, saída e diário. Preenchida antes da compra, a folha transforma 'caiu 55%, ficou barato' numa mediana de +0,9% e numa posição do tamanho certo. Preenchida depois, é só uma desculpa bem formatada.

Em 1 minuto
- Toda decisão chega com uma história pronta; o processo é a ordem de perguntas que põe a conta antes da conclusão.
- Sete linhas: pergunta, taxa-base, prazo, regra escrita, tamanho, saída e diário. Se uma fica em branco, a decisão espera.
- A folha vale antes do botão. Preenchida depois da compra, ela vira justificativa.
Ao fim desta aula você vai saber
- Preencher a folha de processo para qualquer decisão
- Dimensionar a posição pela queda plausível e pela volatilidade
- Julgar as próprias decisões pelo processo, não pelo placar
A tese: quem precisa de método não é quem erra a conta, é quem pula a conta
Toda decisão de investimento começa com uma história. A empresa nova, o papel que caiu demais, o recorde da bolsa, a dica do amigo. As histórias são inevitáveis e às vezes estão certas. O problema é que elas chegam com a conclusão pronta, e a conclusão chega antes da conta. Ninguém acha que precisa de processo quando a história é boa. É exatamente aí que precisa.
Este módulo mostrou cinco ferramentas para pôr a conta antes. Esta aula junta as cinco numa folha.
A ideia: O processo não é uma fórmula que decide por você. É uma ordem de perguntas que impede você de pular as chatas.
O mecanismo: três coisas que a folha faz e a cabeça não faz
1. Ela fixa a ordem. Sem folha, a cabeça começa pela conclusão e procura motivos. Com folha, a taxa-base vem antes da história, e a história precisa explicar por que o caso seria diferente da frequência.
2. Ela deixa rastro. O que está escrito não muda depois. Quem anotou "saio se o mês fechar abaixo da régua" não consegue fingir, três meses depois, que a regra era outra.
3. Ela separa decisão de resultado. Uma decisão boa pode dar errado; uma ruim pode dar certo. Só quem guarda as folhas consegue olhar dezenas de decisões e saber qual das duas coisas está acontecendo.
A folha

Sete linhas. Cada uma cabe numa frase. Se alguma ficar em branco, a decisão espera.
1. Pergunta. Transforme a frase em algo contável. "Caiu demais" vira "caiu 50% ou mais em 12 meses". "A bolsa está cara" vira "o Ibovespa está no recorde". Sem isso, não há o que medir (aula 1).
2. Taxa-base. Quantas vezes aconteceu, e o que veio depois: a mediana, o pior e o melhor décimo, e o número de episódios ao lado. Compare com um caso qualquer no mesmo prazo. É a âncora; o resto da análise ajusta a partir dela.
3. Prazo. Em que relógio a sua tese joga? Na B3, um mês tende a voltar, de alguns meses a um ano a tendência segue, e em cinco anos volta de novo (aula 2). Se a tese é de meses, o que acontece na semana que vem não é informação sobre ela.
4. Regra escrita. O que faz você entrar, numa frase, escrita antes de abrir o gráfico de novo. Se a regra usa um fator, diga qual (aula 3) e em que tipo de ano ele falha (aula 4). Se usa um número do Quantor, diga o que ele não sabe (aula 5). O módulo 4 mostra por que a regra escrita antes do dado é a única que vale.
5. Tamanho. Quanto você pode perder sem abandonar a regra? A conta é simples: o tamanho máximo é a perda que você aceita dividida pela queda plausível do caso ruim. Um papel que oscila o dobro entra com metade do tamanho.
6. Saída. Duas saídas, escritas antes: a do preço (o mês fechar abaixo da régua, por exemplo) e a da tese (o fato que, se acontecer, mostra que você estava errado). A do preço funciona mesmo quando você não percebe que a tese quebrou.
7. Diário. Data, motivo, como você estava (calmo, ansioso, com medo de ficar de fora) e a data da revisão. É o que transforma decisões soltas num processo que dá para melhorar.
A folha preenchida: o papel que caiu 55%
Um papel qualquer da B3 caiu 55% em 12 meses. A história é a de sempre: "ficou barato". Veja o que cada linha faz com ela. Não é recomendação de nenhum papel; é o exercício com as taxas-base da aula 1.
| Linha | O que foi escrito |
|---|---|
| 1. Pergunta | O que acontece nos 12 meses seguintes a uma queda de 50% ou mais em 12 meses? |
| 2. Taxa-base | 677 episódios desde 2000: mediana +0,9% (igual a uma ação qualquer), pior décimo −57%, melhor +97%; 25% caíram mais 30% |
| 3. Prazo | Tese de meses: não há pressa de comprar esta semana |
| 4. Regra | Só entro se o mês fechar acima da régua; fator: tendência, que falha quando o mercado anda de lado |
| 5. Tamanho | Aceito perder R$ 1.500 nesta ideia; com um caso ruim de −57%, a posição máxima é de cerca de R$ 2.600 |
| 6. Saída | Preço: o mês fecha abaixo da régua. Tese: a empresa anuncia aumento de capital para pagar dívida |
| 7. Diário | 29/09, motivo, estado (com pressa de "aproveitar"), revisão em 31/12 |
Na linha 2, a pechincha virou um número sem graça. Na linha 3, o prazo tirou a urgência. Na linha 4, a regra transformou "comprar agora" em "comprar se o mês fechar acima da média": se o papel continuar caindo, você não entra; se virar, entra com a tendência a favor. E a aula 4 mostrou por que isso importa: nos testes com as empresas que saíram da bolsa, comprar o que mais caiu perdeu dinheiro mesmo com a trava.
A linha 5 é a que mais surpreende.
Antes de continuar: Você aceita perder no máximo R$ 1.500 numa ideia. Num papel de 'caiu 50%', o pior décimo da taxa-base perdeu mais 57% em um ano. Qual a posição máxima?
a) R$ 15.000: dez vezes a perda aceita · b) R$ 7.500: a metade disso · c) Cerca de R$ 2.600
Resposta: Cerca de R$ 2.600. R$ 1.500 ÷ 0,57 ≈ R$ 2.632. Numa ação qualquer, com pior décimo de −45%, o mesmo orçamento permitiria cerca de R$ 3.333. A cauda mais gorda pede posição menor, não maior.
O instinto diz que o papel que caiu merece mais dinheiro, porque "está barato". A taxa-base diz o contrário: o caso ruim é mais fundo que o de uma ação qualquer, então a posição tem de ser menor.
A ideia: A história continua lá. Ela só perdeu o direito de decidir sozinha.
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