Nos EUA é mais fácil?
Levamos os mesmos testes ao S&P 500, com as empresas que saíram do índice. De 2011 a 2026, quase nada bateu o índice com folga, e a regra que passa na B3 perdeu dele. Mercado mais eficiente, vantagem menor.

A ideia
"Nos Estados Unidos é mais fácil. As empresas são melhores, o mercado é maior, não tem a bagunça do Brasil." Parte disso é verdade: o mercado americano é o mais profundo do mundo, com empresas globais e muita informação disponível.
Só que mais informação vale para todo mundo. Quanto mais gente competente olhando os mesmos números, mais rápido o preço absorve o que eles dizem. A pergunta desta aula é prática: as regras que funcionam na B3 funcionam lá?
Como testamos
Montamos uma base do S&P 500, o principal índice da bolsa americana, sem viés de sobrevivência. Ou seja, em cada mês entram as empresas que eram do índice naquele mês, inclusive as que foram compradas, quebraram ou saíram depois. São 1.303 papéis de 1991 a 2026. Custo de 0,05% por ordem, caixa rendendo o título de curto prazo do Tesouro americano, tudo em dólar.
A parte mais importante é uma prova cega. As regras foram registradas por escrito antes de rodar. O período de 1991–2010 foi usado para criá-las e ajustá-las. O período de 2011 a setembro de 2026 ficou guardado para o fim. Serviu para ver se a regra se sustenta em dados que não ajudaram a escolhê-la.
O resultado

Olhe a linha tracejada, o S&P 500 com dividendos: quase todas as estratégias ficam abaixo dela. Retorno ao ano em dólar de 2011 a set/2026.
O S&P 500 com dividendos fez +14,3% ao ano, com pior queda (o maior tombo do topo até o fundo) de −24%. É um adversário muito duro.
Na B3, o índice da casa (IQ) é a regra de maior retorno entre as poucas que passaram no critério da pesquisa do Quantor. O IQ é uma nota que o Quantor dá para ações que sobem com constância, sem sustos. Nos EUA, fez +12,0%. Praticamente o mesmo que comprar os 500 com pesos iguais, a mesma quantia em cada (+12,2%). Com a trava do índice (caixa quando o S&P fecha o mês abaixo da régua mensal, sua média de 5 meses), caiu para +7,7%. A régua foi lenta demais para as quedas em V, as que caem e voltam rápido, de 2011, 2015–16, 2018, 2020, 2022 e 2025. A carteira ia para o caixa e ficava lá durante a volta.
Os mestres também perderam. Num segundo teste, com os balanços entregues à SEC (a CVM de lá), Graham, Greenblatt, Piotroski, Buffett quantitativo e Lynch ficaram todos abaixo do índice de 2019 a 2026. Nesse período, o S&P fez +17,5% ao ano. De 59 testes com fundamentos, 46 perderam do índice por 1 ponto ou mais.
O que ficou acima. O momentum de preço simples (comprar as que mais subiram em 6 ou 12 meses) fez de +17% a +20% ao ano na prova cega, com quedas de −26% a −35%. Mas, descontado o número de testes feitos, essa vantagem não se distingue de sorte: tentar demais vira sorte. E no período inteiro desde 1991 essas carteiras chegaram a cair de −57% a −77%.
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