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Mitos da bolsa: o que 20 anos de dados dizem · Aula 7 de 9

Girar a carteira não custa nada?

A mesma carteira de rotação na B3 rendeu +22,0% ao ano pagando 0,1% por operação e +17,3% pagando 0,5%. O giro come o retorno em silêncio, e a conta cabe numa linha.

por Vinícius Rosa4 min de leituraatualizada em trecho aberto
Girar a carteira não custa nada?

A ideia

"Hoje a corretagem é zero, então posso trocar de ação quando quiser." A frase tem um fundo de verdade: operar ficou muito mais barato do que era. Mas a corretagem nunca foi o único custo. Toda compra e toda venda pagam emolumentos, a taxa que a bolsa cobra por negócio. Perdem a diferença entre o melhor preço de compra e o melhor de venda (o spread). Empurram o preço quando a ação tem pouco volume. E, no lucro, pagam imposto.

Cada custo desses parece pequeno. A pergunta é quanto eles somam num ano de trocas.

Como testamos

Pegamos uma carteira de rotação de 10 ações na B3, revista todo fim de mês. Simulamos dia a dia de maio de 2011 a setembro de 2026, na base histórica sem viés de sobrevivência, isto é, com as empresas que quebraram ou saíram da bolsa. A regra de escolha ficou fixa. A única coisa que mudou foi o custo de cada operação: 0,05%, 0,1%, 0,5% e 1% sobre o valor comprado ou vendido.

Todas as versões pagam também uma taxa de gestão de 2% ao ano, como um fundo pagaria. O que muda entre elas é só o custo de girar.

O resultado

A mesma carteira, pagando mais ou menos para girar

Olhe como as duas linhas descem juntas conforme o custo sobe, e a lilás fica por cima. Linha vermelha: a carteira refeita todo mês. Linha lilás: a mesma carteira, trocando só o necessário. Embaixo, o custo de cada compra ou venda.

Com 0,1% por operação, a carteira rendeu +22,0% ao ano. Com 0,5%, +17,3%. Com 1%, +11,7%, praticamente metade. Sem custo nenhum, teria feito +25,6%.

A regra de escolha é a mesma nos quatro casos. O que separa 22% de 12% ao ano é só o preço de cada troca.

A conta de bolso

O custo anual do giro cabe numa linha:

A conta de bolso do giro

Olhe o "× 2" da conta: cada troca é uma venda e uma compra, então o custo aparece duas vezes.

Custo por ano ≈ giro por ano × 2 × custo por operação. "Giro" é quantas vezes, ao longo do ano, você troca o equivalente à carteira inteira.

A carteira refeita todo mês girou 4,9 vezes por ano. Com 0,5% por operação: 4,9 × 2 × 0,5% ≈ 4,9 pontos por ano a menos, todo ano.

Do outro lado, a régua mensal numa ação opera cerca de uma vez por ano. A régua é uma linha que acompanha o preço com os fechamentos dos últimos 5 meses: acima dela, a ação está "em alta"; abaixo, "em baixa". Com o custo de 0,1% usado nos testes da pesquisa do Quantor, dá 0,2 ponto por ano. Os setups de giro alto da aula 6 operam cerca de 10 vezes por ano. Pagam dez vezes isso.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.