Existe um setup técnico mágico?
Testamos 33 setups conhecidos em cada uma das 437 ações líquidas da B3, de 2006 a 2026. Nenhum bateu o CDI na maioria das ações. E boa parte do ganho de todos vinha do CDI, não do gráfico.

A ideia
"Existe um setup que funciona. Os profissionais sabem qual é." Setup é uma regra de compra e venda com base no gráfico. Todo mês aparece um novo: o cruzamento de médias, o rompimento de canal, o IFR que marca a virada, o setup com número no nome. O gráfico com as setas nos lugares certos convence. O que ele não mostra é o que aconteceu nas outras centenas de ações e nos outros anos.
Como testamos
Pegamos 33 setups conhecidos e os aplicamos, cada um sozinho, em cada uma das 437 ações líquidas da B3 desde 2006. Líquidas são as que negociam bastante dinheiro por dia. Entram inclusive as 179 que já saíram da bolsa. Entre os setups: médias 9 × 21 e 20 × 50, cruz dourada, canal de Keltner e de Donchian, as Tartarugas, máxima de 52 semanas, Ichimoku, Supertrend, MACD, ADX, IFR de 2 e de 14, estocástico, Bollinger, a família 9.1 a 9.4, o 123 de compra e a régua EMA-5 mensal (a linha da média de 5 meses descrita no quadro acima).
As regras foram as mesmas para todos:
- Sinal no fechamento, ordem na abertura seguinte. Nada de comprar no preço que só se conhece depois.
- Custo de 0,1% por ordem.
- Só entra com a ação líquida. Nos meses em que o papel negociava pouco, o setup não abre posição, porque ninguém compraria de verdade ali.
- Fora da posição, o dinheiro rende CDI, o rendimento da renda fixa mais simples. É o que um investidor real faria.
- Nenhuma escolha de ações. O setup roda sempre ligado, do começo ao fim de cada papel.
A média entre as 437 ações responde à pergunta de quem usa um setup: se eu aplicar isso numa ação qualquer, o que esperar?
O resultado

Olhe a coluna da direita: nem o primeiro da lista bate o CDI na maioria das ações. Barra: média do retorno ao ano, com o CDI fora da posição. Círculo: só a parte ganha no papel. À direita, em quantas ações o setup bateu o CDI.
O melhor foi o Canal de Keltner: +11,3% ao ano na média. O CDI fez +10,5%, e segurar a ação, +0,7%. Parece bom, até olhar a coluna da direita: ele bateu o CDI em só 43% das ações. Mesmo o melhor setup da lista perdeu da renda fixa em mais da metade das ações. E nenhum dos 33 bateu o CDI na maioria delas.
E o topo da lista é um empate. Os oito primeiros ficam entre +10,4% e +11,3%, colados no CDI. A ordem muda quando se troca o período ou a regra do teste. Um exemplo aconteceu com a própria pesquisa do Quantor. Quando passamos a contar só as operações feitas com a ação líquida, os oito primeiros da lista antiga caíram de 1,5 a 3,3 pontos (pontos são a diferença entre duas porcentagens). As médias 9 × 21, que estavam em 2º lugar com +13,2%, desceram para +9,9%, abaixo do CDI. O primeiro lugar é mais sorte da amostra que mérito do setup.
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