Dividendo alto é porto seguro?
As 10 maiores pagadoras da B3 renderam +15,3% ao ano desde 2006, mas caíram 51% no caminho. E 41% das escolhidas cortaram o provento pela metade no ano seguinte.

A ideia
"Ação boa de dividendos é porto seguro: paga todo ano e, se cair, pelo menos você recebe os proventos." É a porta de entrada de muita gente na bolsa, e tem uma lógica atraente. O dinheiro pingando na conta dá a sensação de que o risco é menor.
Duas perguntas separam a sensação do fato. Uma carteira de dividendos cai menos que o mercado? E o dividendo que eu vejo hoje é o que vou receber amanhã?
Como testamos
Todo mês, de 2006 a 2026, compramos as 10 ações líquidas de maior dividend yield (o total de proventos em dinheiro dos últimos 12 meses dividido pelo preço), com pesos iguais (a mesma quantia em cada). Líquidas são as que negociam bastante dinheiro por dia. O retorno conta os proventos reinvestidos, com o imposto do JCP descontado. Tudo na base histórica da B3 sem viés de sobrevivência, ou seja, incluindo as empresas que quebraram ou saíram da bolsa.
Depois repetimos com variações:
- com a trava do Ibovespa (CDI quando o índice fecha o mês abaixo da sua média de 5 meses);
- exigindo que a ação também esteja em alta na régua mensal;
- e com uma aproximação do método de Luiz Barsi (grandes empresas de setores perenes, que pagam há anos e que ele não vende por preço).
O resultado

Olhe a pior queda, à direita: sem regra de risco, as pagadoras caem tanto quanto o mercado. O retorno ao ano de cada carteira conta os proventos.
Rendeu. As 10 maiores pagadoras fizeram +15,3% ao ano. O CDI, rendimento da renda fixa mais simples, fez +10,2%, e todas as ações líquidas, +8,7%. O IDIV, índice de dividendos da B3, fez +13,1%.
Não protegeu. A pior queda da carteira, o maior tombo do topo até o fundo, foi de −51%. Igual à do mercado inteiro (−49%) e à do IDIV (−53%). Em crise de verdade, pagadora de dividendo cai junto com o resto.
O que protegeu foi a regra de risco. Com a trava do Ibovespa, a mesma carteira fez +14,5% com queda de −18%. Exigindo também a régua em alta na própria ação, +17,6% com −20%. Uma variante de Bazin sem o filtro de P/L (preço sobre lucro), também com régua e trava, chegou a +17,5%.
A aproximação do método Barsi fez +13,0% com queda de −18%. Foi a única carteira de dividendos que passou no critério da pesquisa do Quantor: bater o CDI e o sorteio por 2 pontos em cada bloco de cinco anos. O sorteio são carteiras de ações escolhidas ao acaso. Mesmo o Barsi ficou menos de 3 pontos acima do CDI no período inteiro.
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