Basta copiar os grandes investidores?
Transformamos em regra os métodos de Graham, Bazin, Barsi, Piotroski, Greenblatt, Lynch e Buffett e rodamos na B3 de 2011 a 2026. Quatro bateram o CDI no período; nenhum passou no teste completo.

A ideia
"Se deu certo para Buffett, vai dar certo para mim." Os grandes investidores escreveram livros, deram entrevistas e deixaram critérios. Parece razoável imaginar que seguir essas regras, com disciplina, traria resultados parecidos.
Há dois problemas escondidos nessa ideia. Primeiro, boa parte do que esses investidores faziam não cabe numa regra: conhecer o negócio, avaliar a gestão, perceber uma vantagem que o balanço não mostra. Segundo, as regras foram criadas em outros mercados e outras épocas. A pergunta honesta é: a parte que cabe numa regra funciona na B3?
Como testamos
Escrevemos a parte numérica de sete métodos conhecidos, antes de ver qualquer resultado:
- Graham defensivo: empresas grandes, com lucro e proventos por muitos anos, a preço moderado de lucro e de patrimônio.
- Bazin: dividend yield (proventos de 12 meses divididos pelo preço) de pelo menos 6%, dívida baixa e P/L (preço sobre lucro) moderado.
- Barsi (aproximado): grandes pagadoras de setores perenes (bancos, energia, saneamento, seguros, telecom), que ele não vende por preço.
- Piotroski: a nota F de 0 a 9, que soma sinais de melhora no balanço. Compra as de nota 7 ou mais.
- Greenblatt: a "fórmula mágica", retorno alto sobre o capital a preço baixo.
- Lynch: crescimento de lucro razoável, dívida baixa e PEG (P/L dividido pelo crescimento) abaixo de 1.
- Buffett quantitativo: só a parte de números: rentabilidade, margem e dívida.
Cada método compra até 10 ações com pesos iguais (a mesma quantia em cada), de maio de 2011 a setembro de 2026. O teste usa só os balanços já entregues à CVM (a xerife do mercado) em cada data. E usa a base completa, com as empresas que saíram da bolsa. Quando não havia 10 candidatas, a sobra ficou no CDI.
O resultado

Olhe a coluna da direita: o retorno em 2011–15, o bloco que derrubou todos. No resto, o retorno ao ano de cada método e a pior queda.
Quatro bateram o CDI e o Ibovespa no período inteiro. Graham defensivo fez +13,6% ao ano, com a menor queda do grupo (−13%). Bazin, +13,0%. Barsi, +12,8%. Piotroski, +12,5%. O CDI pagou +9,8% e o Ibovespa, +6,9%.
Três não bateram nem o CDI. Lynch fez +7,4%. Quase nunca havia ação que passasse em todos os critérios, e a carteira passou a maior parte do tempo no CDI. Greenblatt, +6,6%, com queda de −51%. Buffett quantitativo, +4,8%, com queda de −45%.
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