Então nada funciona?
Depois de centenas de testes na B3, três regras passaram no critério completo. A mais forte junta tendência consistente e uma regra de risco: +26,8% ao ano de 2006 a 2026, com pior queda de −20%. E ela tem ressalvas que você precisa conhecer.

A ideia
Depois de oito aulas derrubando mitos, é fácil chegar à conclusão oposta: "nada funciona, a bolsa é um cassino, o melhor é ficar no CDI". Seria outro mito. O que os testes mostraram não é que nada funciona. É que quase tudo o que as pessoas repetem não funciona do jeito que elas pensam. E que o pouco que funciona tem nome, tem preço e tem ano ruim.
O critério
Nesta trilha, "passar" sempre quis dizer a mesma coisa. Uma regra só passa no critério da pesquisa do Quantor se:
- bate o CDI por pelo menos 2 pontos ao ano em cada um dos três blocos (2006–12, 2013–19 e 2020–26), não só na média (pontos: de 10% para 12% = 2 pontos);
- bate um sorteio de ações ao acaso nas mesmas condições, também por 2 pontos em cada bloco;
- continua de pé com custo mais alto, de 0,25% por operação.
É uma barra alta de propósito. Das dezenas de carteiras testadas na base completa, fora as variações do próprio IQ (o Índice Quantor, que mede o retorno contra o risco), três passaram:
- o dual momentum: fica no Ibovespa ou no S&P 500 em reais, o que subiu mais em 12 meses, ou no CDI quando a bolsa perde da renda fixa. Fez +14,9% ao ano, com queda de −20%;
- a aproximação do método Barsi: +13,0%, queda de −18%;
- e, com folga, o Maiores IQ com trava.
O que passou com folga
A regra tem duas partes, e as duas importam.
A seleção: tendência consistente. Todo mês, as 10 ações líquidas (as que negociam bastante dinheiro por dia) mais bem colocadas pelo índice da casa (IQ), com pesos iguais, a mesma quantia em cada. O IQ é uma medida de momentum ajustado ao risco. Momentum é a tendência de ações que vêm subindo continuarem subindo por um tempo. O IQ prefere a ação que sobe de forma constante à que dá saltos. A fórmula é proprietária, mas a ideia é pública e antiga: tendência tende a continuar, e tendência limpa tende a continuar mais.
A regra de risco: a trava do Ibovespa. Quando o Ibovespa fecha o mês abaixo da sua média exponencial de 5 meses (a régua mensal), a carteira inteira vai para o CDI até ele voltar.

Olhe onde cada linha termina. A escala é de multiplicação: cada faixa horizontal é o dobro ou mais da anterior. Antes do imposto, com custo de 0,1% por ordem.
De janeiro de 2006 a setembro de 2026: +26,8% ao ano, com pior queda de −20%. Pior queda é o maior tombo do topo até o fundo. No mesmo período, o Ibovespa fez +8,6% (queda de −50%) e o CDI, +10,2%. Sem a trava, a mesma seleção fez +22,9%, mas com queda de −46%. A trava somou retorno e cortou a queda pela metade.
Por que a consistência importa
Um teste separado ajuda a ver o papel de cada parte. Aqui as ações foram ordenadas pela alta bruta, sem olhar se a subida foi constante ou aos saltos. Com a mesma trava e a régua de cada papel, rendeu +20,4% ao ano com 10 ações e +17,2% com 3. As quedas foram de −34% e −74%. Na prova cega, a versão com 3 ações fez +4,3%, abaixo do CDI. A lista pela alta bruta enchia de papéis que tinham acabado de disparar por um evento pontual e desabavam em seguida.
Outras formas de momentum simples, como a alta de 12 meses (sem o último) ou a de 6 meses, também ficaram atrás (+15,6% e +16,5% com a trava). E não passaram no critério.
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