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Sete mitos contra 20 anos de dados · Aula 7 de 7

O que sobra quando os mitos caem

Depois de seis mitos derrubados, a tentação é concluir que a bolsa é um cassino. Os mesmos 20 anos de dados mostram o contrário: o que funciona é chato, público e tem ano ruim. Custo baixo, diversificação, uma regra de risco escrita e tempo.

por Vinícius Rosa11 min de leituraatualizada em trecho aberto
O que sobra quando os mitos caem

Em 1 minuto

  • Os mitos caíram, mas a conclusão certa não é que nada funciona: é que o que funciona é simples, público e tem anos ruins.
  • Diversificar levou a ação típica de +0,7% para +8,9% ao ano; uma taxa de 2% levaria 42% do ganho do Ibovespa em 20 anos.
  • Uma regra de risco de uma linha cortou a pior queda do índice de −50% para −20%, errando em mais da metade das saídas.

Ao fim desta aula você vai saber

  • Trocar a busca pelo segredo pelas quatro alavancas que os dados sustentam
  • Calcular quanto uma taxa e o giro levam do seu ganho
  • Aceitar o alarme falso e o ano ruim de uma regra antes de adotá-la

A tese: o que funciona não é segredo, é chato

Depois de seis aulas derrubando crenças, é fácil chegar à conclusão oposta: "nada funciona, a bolsa é um cassino, o melhor é ficar no CDI". Seria trocar um mito por outro. É uma reação conhecida: quem descobre que foi enganado tende a desconfiar de tudo, e o cinismo parece sofisticação.

Os testes não mostraram que nada funciona. Mostraram que quase tudo o que as pessoas repetem não funciona do jeito que elas pensam, e que o pouco que resiste tem três características incômodas. É público, porque cabe numa frase. É chato, porque decide pouco e opera pouco. E tem ano ruim, às vezes cinco seguidos.

A ideia: O que funciona na bolsa não é um segredo. É uma regra simples, seguida nos anos em que ela parece não funcionar.

O que cada mito deixou

O mito O que os dados mostraram O que sobra
Ação no longo prazo sempre ganha A ação típica segurada rendeu +0,7% ao ano; o conjunto, +8,9% Ter o conjunto, não a escolha
Comprar barato funciona O P/VP mais baixo rendeu −2,0% ao ano Somar critérios e ter regra de risco
Basta copiar os mestres Nenhum dos sete passou; todos perderam do CDI em 2011–15 Saber a década ruim antes de começar
Dividendo alto protege Caiu −51%, como o mercado A proteção vem da regra, não do provento
Existe um setup mágico Nenhum dos 33 bateu o CDI na maioria das ações Girar pouco e usar a regra como freio
Nos EUA é mais fácil O índice ficou à frente de quase tudo O índice e a moeda, não a escolha

Lida de cima a baixo, a coluna da direita tem quatro alavancas que se repetem. Nenhuma delas depende de prever nada.

As quatro alavancas que sobraram

1. Diversificar de verdade. As mesmas 437 ações que, seguradas uma a uma, renderam +0,7% ao ano viraram +8,9% numa carteira com todas elas em pesos iguais. É a alavanca mais barata da bolsa: não exige talento, exige não concentrar. E ela se estende para fora: o S&P 500 com dividendos fez +14,3% ao ano em dólar de 2011 a 2026, e ter parte do patrimônio em outra moeda é proteção contra o Brasil.

2. Pagar pouco. O custo é o único número da sua carteira que você conhece antes. Um fundo que entregasse exatamente o Ibovespa de 2006 a 2026 e cobrasse 2% ao ano teria transformado R$ 100 mil em R$ 362.976, em vez dos R$ 549.870 do índice: a taxa teria ficado com 42% do ganho. O giro cobra do mesmo jeito: com 0,5% por ordem, operar 11 vezes por ano custa 11 pontos, quase o CDI inteiro.

3. Ter uma regra de risco escrita. Em quase todas as aulas deste módulo, o que cortou a queda pela metade não foi a escolha das ações. Foi uma regra pública de uma linha, a trava do índice, que a próxima seção abre.

4. Dar tempo e aceitar o ano ruim. O Ibovespa ficou 9 anos e 4 meses abaixo do topo de 2008. Os sete mestres perderam do CDI no mesmo bloco de cinco anos. Uma regra que funciona em vinte anos pode passar cinco sem funcionar, e quem a abandona no bloco fraco fica com o pior dos dois mundos. O módulo 2 mostra o tempo de Housel com as janelas do Ibovespa.

A regra de uma linha

No último pregão de cada mês, olhe o Ibovespa. Se fechou abaixo da média exponencial dos últimos 5 fechamentos mensais, o dinheiro vai para o CDI no mês seguinte. Se fechou acima, fica na bolsa. Essa média exponencial dá mais peso aos meses recentes; um índice que cai por dois ou três meses seguidos costuma fechar abaixo dela. No Quantor, essa linha se chama régua, e aplicada ao índice ela vira a trava.

Antes de continuar: De 2006 a 2026, a trava saiu da bolsa 34 vezes. Em quantas dessas saídas o Ibovespa acabou subindo mais que o CDI enquanto ela estava fora, ou seja, foi alarme falso?

a) Umas 3: ela quase sempre acerta · b) Umas 10 · c) Umas 19: mais da metade

Resposta: Umas 19: mais da metade. 19 das 34 foram alarmes falsos. Mesmo assim, a regra levou o retorno de +8,8% para +11,2% ao ano e a pior queda de −50% para −20%. Os erros foram curtos; os acertos, nas crises, foram enormes.

+8,8% → +11,2% o Ibovespa ao ano, sem e com a trava, dez/2005 a set/2026 · −50% → −20% a pior queda, sem e com a trava · 96 de 250 meses no CDI, quase 40% do tempo · 19 de 34 saídas que foram alarme falso

A conta fecha porque os erros são baratos e os acertos são grandes. A trava saiu no começo de julho de 2008; nos nove meses seguintes, fora da bolsa, o índice caiu 37% e o CDI rendeu 9,5%. Os alarmes falsos, em geral, custaram um ou dois meses fora de uma alta.

Cuidado: Uma boa regra de proteção não precisa acertar muito. Precisa errar barato.

Ela não é a única regra pública que resistiu. No critério completo da pesquisa do Quantor (bater o CDI e um sorteio de carteiras ao acaso por 2 pontos ao ano em cada bloco, 2006–12, 2013–19 e 2020–26, e continuar de pé com custo de 0,25% por operação), duas regras públicas passaram. O dual momentum, ideia popularizada por Gary Antonacci, fica no Ibovespa ou no S&P 500 em reais, o que subiu mais em 12 meses, ou no CDI quando a bolsa perde da renda fixa: +14,9% ao ano, queda de −20%. E a aproximação do método Barsi: +13,0%, queda de −18%. As duas cabem numa frase, e nenhuma depende de prever o mercado.

O CDI, aliás, não é o inimigo das quatro alavancas. É a régua de todas elas. No período inteiro, pagou +10,2% ao ano, mais que o Ibovespa, e é para onde a trava leva o dinheiro quando o índice perde a régua.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.siga no Instagram · @viniciusrosa_88 ↗

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.