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A Psicologia Financeira, testada · Aula 2 de 4

O tempo vence o prejuízo, mas no Brasil não vence o CDI

Housel diz que o segredo dos juros compostos é o tempo, e que a volatilidade é a taxa de entrada. No Ibovespa, dez anos quase eliminaram o prejuízo; não eliminaram a chance de perder do CDI, que subiu com o prazo.

por Vinícius Rosa12 min de leituraatualizada em trecho aberto
O tempo vence o prejuízo, mas no Brasil não vence o CDI

Em 1 minuto

  • Os juros compostos guardam o melhor para o fim: de R$ 10 mil no CDI em 1995, 59,8% do ganho até outubro de 2026 veio só nos últimos dez anos.
  • No Ibovespa, o tempo quase zera a chance de prejuízo: a cada dez anos, o índice terminou acima em 99,9% das janelas desde 1996.
  • No Brasil, o tempo não zera a chance de perder do CDI: ela foi de 49,2% em um ano para 85,6% em vinte.

Ao fim desta aula você vai saber

  • Medir quanto do patrimônio vem do tempo e quanto vem da taxa
  • Escolher a frequência de olhar a carteira pelo prazo do dinheiro
  • Separar as duas perguntas: vou perder dinheiro? vou perder do CDI?

A tese: o investidor precisa de tempo, e o tempo pede que ele fique parado

A crença comum é que o investidor bom acha a taxa mais alta. Morgan Housel, em A Psicologia Financeira (2020), defende que o fator que mais pesa é outro, e é o mais sem graça de todos: quanto tempo o dinheiro fica trabalhando sem ser interrompido. O exemplo dele é Warren Buffett. A habilidade de Buffett importa, mas quase toda a fortuna dele veio depois dos 65 anos, porque ele começou adolescente e nunca parou. O segredo, na leitura de Housel, é a longevidade.

O problema é que o tempo cobra uma taxa. Housel chama a volatilidade de preço de entrada: o desconforto de ver o saldo cair é o que se paga para receber o retorno de longo prazo. Quem trata a queda como multa, um castigo por ter feito algo errado, tenta fugir dela e acaba sem o retorno.

A ideia: A volatilidade é a taxa de entrada do longo prazo, não uma multa por ter errado. Quem não aceita pagar a taxa não entra.

Esta aula testa as duas metades com o Ibovespa diário desde 1995 e o CDI diário do Banco Central. Uma passa. A outra depende do Brasil.

O mecanismo: três forças que fazem do tempo o fator principal

1. Os juros compostos guardam o melhor para o fim. Cada ano rende sobre tudo o que os anos anteriores acumularam. Por isso a curva fica plana no começo e vertical no fim. Quem interrompe no meio perde justamente a parte vertical.

2. O ruído encolhe com o prazo. Num dia, a bolsa é quase cara ou coroa. Em dez anos, a tendência aparece. A tendência existe o tempo todo, mas é pequena perto do barulho de cada pregão.

3. A dor cresce com a frequência. Perder dói mais do que ganhar dá prazer. Quem olha o saldo todo dia vê perda em quase metade dos dias, sente o dobro em cada uma e, cedo ou tarde, age para fazer a dor parar. Os economistas Shlomo Benartzi e Richard Thaler chamaram isso, em 1995, de aversão míope à perda: avaliar em janelas curtas demais um dinheiro de prazo longo.

O tempo nos juros compostos: o CDI desde 1995

Pegue o caso mais simples, sem bolsa e sem risco de preço. R$ 10 mil aplicados no CDI em 02/01/1995, reinvestidos todo dia, sem imposto, até 23/10/2026. Foram 31,8 anos a 14,97% ao ano.

Antes de continuar: Os R$ 10 mil viraram R$ 845.766. Que parte desse ganho veio só nos últimos 10 dos quase 32 anos?

a) Uns 30%, proporcional ao tempo · b) Uns 45% · c) Uns 60% · d) Uns 85%

Resposta: Uns 60%. 59,8%. Em outubro de 2016, o saldo era R$ 345.995. Nos dez anos seguintes, com o CDI mais baixo que nos anos 1990, ele ganhou mais R$ 499.771, mais do que em todos os quase 22 anos anteriores juntos.

Em outubro de 2021, com cinco anos ainda pela frente, o saldo estava em R$ 464.589. Ou seja, 45,6% do ganho total veio nos últimos cinco anos. Nada disso exigiu uma taxa especial. Exigiu não sacar.

O tempo na bolsa: a chance de ver ganho

Agora o Ibovespa, que já inclui os dividendos reinvestidos. Medimos, em todas as janelas possíveis desde 02/01/1996, a chance de o índice estar acima de onde estava na última vez que você olhou:

Você olha a cada Vê ganho em Pior janela
dia 52,3% —
semana 55,3% −30,0%
mês 57,3% −45,9%
ano 65,2% −58,4%
3 anos 79,5% −45,6%
5 anos 86,7% −45,1%
10 anos 99,9% −9,7%
15 anos 100% +51,3%

Das 5.116 janelas de dez anos, só cinco terminaram no vermelho: as que começaram entre 08/01/2010 e 14/01/2010 e terminaram na semana do fundo de março de 2020. A pior, de 13/01/2010 a 23/03/2020, ficou em −9,7%. Uma década inteira, terminada no pior dia de uma crise.

Esse é o veredito da primeira metade. Passa: quanto mais longo o prazo, menor a chance de prejuízo, e a dez anos ela fica perto de zero. A volatilidade foi mesmo uma taxa de entrada, cobrada no caminho e devolvida no fim.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.siga no Instagram · @viniciusrosa_88 ↗

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