Lynch e o PEG: a ação que quase nunca aparece
Crescimento a preço razoável é uma das ideias mais populares da bolsa. Na B3, a regra do PEG de Peter Lynch quase nunca achou ação, e em média 70% do dinheiro ficou no CDI. A versão mais solta rendeu mais, com uma queda de 44%.

O gestor que comprava o que via no shopping
Peter Lynch comandou o fundo Magellan, da Fidelity, entre 1977 e 1990, e deixou um dos melhores históricos de gestão de fundos dos Estados Unidos. Depois de se aposentar, escreveu O Jeito Peter Lynch de Investir (One Up on Wall Street, 1989), um livro que conversa com o investidor comum. Em essência, ele dizia que a pessoa atenta ao próprio dia a dia pode notar boas empresas antes dos profissionais, desde que faça a lição de casa sobre os números.
A ferramenta numérica mais famosa do livro é o PEG. Pegue o P/L (preço dividido pelo lucro por ação: quantos anos de lucro o preço paga) e divida pela taxa de crescimento do lucro em %. Uma empresa com P/L 12 e lucro crescendo 20% ao ano tem PEG de 0,6. Para Lynch, PEG em torno de 1 era preço justo; bem abaixo de 1, uma pechincha. Ele também desconfiava de crescimento alto demais, acima de 25% ou 30% ao ano, porque raramente dura.
Essa ideia ganhou um nome genérico: GARP, sigla do inglês para crescimento a preço razoável.
O que testamos
O PEG de Lynch: todo abril, entre as empresas não financeiras que negociavam pelo menos R$ 5 milhões por dia (um filtro de liquidez, para ficar só com ações fáceis de comprar e vender), inclusive as que depois saíram da bolsa. As regras:
- lucro crescendo entre 10% e 30% ao ano nos últimos 3 anos;
- PEG abaixo de 1;
- dívida de no máximo um terço do patrimônio (Lynch dizia que um balanço normal tem muito mais patrimônio que dívida).
Compra até 10, as de menor PEG. Vaga sem candidata fica no CDI.
O GARP, versão frouxa: todo mês, as 10 ações com lucro crescendo pelo menos 15% e P/L até 15, sem exigência de dívida.
De mai/2011 a set/2026, sem e com a trava. Na versão com trava, a trava do Ibovespa manda a carteira inteira para o CDI quando o índice fecha o mês abaixo da sua média de 5 meses, e a traz de volta quando ele volta.
O resultado

O PEG (rosa) andou quase como uma renda fixa ruim. O GARP (tracejado) caiu forte até 2016 e disparou depois. O que olhar: a linha rosa quase reta e baixa, e o "vale" do tracejado antes de 2016.
O PEG rendeu +7,4% ao ano, abaixo do CDI (+9,8%), com pior queda (o maior tombo do topo até o fundo) de −21%. Um sorteio (centenas de carteiras montadas ao acaso, com as mesmas regras) com o mesmo calendário rendeu +7,2%: empate. Com a trava do Ibovespa, +9,2% e queda de −9%, ainda abaixo do CDI.
O GARP rendeu +13,0% ao ano, bem acima do CDI e do Ibovespa (+6,9%), mas com queda de −44%. Com a trava, +13,9% e queda de −15%. Essa versão se confirmou na prova cega: +12,3% em 2019–26, com CDI de 9,4%.

Retorno ao ano em cada bloco, contra o CDI e o Ibovespa do mesmo bloco. Repare: o GARP vai do negativo ao muito alto de um bloco para o outro.
Dividimos o período em três blocos de anos, para ver se a regra funciona em fases diferentes e não só numa. O PEG fez +4,4%, +7,3% e +9,9% ao ano: parece estável porque era quase tudo CDI. O GARP repetiu o padrão dos métodos de valor: −6,6% em 2011–15, +39,3% em 2016–20 e +9,9% em 2021–26. Nenhum dos dois passou no critério completo da pesquisa do Quantor (bater o CDI e o sorteio com folga em cada bloco e aguentar custos maiores).
Voltar à trilha Os métodos famosos testadosTodas as trilhas
Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.