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Os métodos famosos testados · Aula 7 de 10

Dogs do Ibovespa: a carteira de janeiro

Todo começo de ano, as 10 maiores pagadoras do índice, e nada mais até o ano seguinte. A versão brasileira dos famosos Dogs of the Dow bateu o Ibovespa em 20 anos, mas perdeu do índice de dividendos e rendeu menos a cada bloco.

por Vinícius Rosa6 min de leituraatualizada em trecho aberto
Dogs do Ibovespa: a carteira de janeiro

A estratégia de uma tarde por ano

Em 1991, o gestor americano Michael O'Higgins publicou Beating the Dow, com uma ideia que qualquer pessoa executa numa tarde. No primeiro dia útil do ano, pegue as 30 ações do Dow Jones, o índice das gigantes americanas, e compre as 10 com o maior dividend yield (quanto a ação pagou de proventos em 12 meses, dividido pelo preço). Segure até o ano seguinte e repita. Ele as chamou de Dogs of the Dow, os "cachorros" do índice: ações grandes, conhecidas, que estavam fora de moda e por isso pagavam muito em relação ao preço.

A lógica tem dois pedaços. Primeiro, empresas grandes do índice raramente quebram, então yield alto nelas costuma ser preço deprimido, e não uma empresa terminal. Segundo, o dividendo alto paga a espera até o preço voltar. O'Higgins também propôs uma versão mais concentrada, os Small Dogs: entre as 10, as 5 de menor preço por ação.

No Brasil, a tradução natural é trocar o Dow pelo Ibovespa.

O que testamos

Todo janeiro, de 2006 a 2026, pegamos as ações que faziam parte do Ibovespa naquele momento. Compramos as 10 com o maior dividend yield dos últimos 12 meses, só com proventos em dinheiro, com pesos iguais (a mesma quantia em cada ação), seguradas até o janeiro seguinte. Nos Small Dogs, as 5 de menor preço entre essas 10. As duas sem e com a trava do Ibovespa: quando o índice fecha o mês abaixo da média de 5 meses, a carteira vai para o CDI.

O resultado

R$ 1.000 nos Dogs do Ibovespa

R$ 1.000 em 2006 viraram R$ 8.956 nos Dogs, R$ 12.799 no IDIV, R$ 7.505 no CDI e R$ 5.499 no Ibovespa. O que olhar: a linha dos Dogs termina abaixo da do IDIV e não muito acima da do CDI.

Os Dogs renderam +11,1% ao ano, com pior queda (o maior tombo do topo ao fundo) de −50%. Bateram o Ibovespa (+8,6%) por 2,5 pontos percentuais ao ano, mas passaram o CDI (+10,2%) por menos de 1 ponto. E perderam do IDIV, o índice de dividendos da B3 (+13,1%), que faz uma coisa parecida com um universo maior. Com a trava, +11,8% e queda de −18%.

Os Dogs em três blocos de sete anos

Retorno ao ano em cada bloco. Small Dogs: as 5 de menor preço entre as 10. Repare: as barras dos Dogs encolhem de um bloco para o outro.

Dividimos os 21 anos em três blocos de sete, para ver se a regra funciona em fases diferentes. O que mais chama a atenção é a trajetória: +18,8% ao ano de 2006 a 2012, +10,8% de 2013 a 2019 e +4,0% de 2020 a 2026. Cada bloco rendeu menos que o anterior, e o último ficou 6 pontos abaixo do CDI. Os Small Dogs foram piores: −1,5% ao ano de 2020 a 2026, com queda de −60% no período todo. Concentrar em 5 ações baratas por preço não acrescentou nada.

Um ano em que funcionou de verdade

Em 2008, o ano da crise financeira mundial, o Ibovespa caiu 41% e o IDIV, 24%. Os Dogs subiram 1,5%. A carteira montada em janeiro tinha elétricas, telefônicas, a Souza Cruz e a Comgás: negócios de demanda estável que atravessaram o pior ano da bolsa no período sem perder dinheiro. É o argumento mais forte da estratégia.

O outro lado veio depois. Em 2014 e 2015, os Dogs perderam 20% e 21%, mais que o próprio Ibovespa (−3% e −13%). A lista de 2014 tinha Oi, Eletrobras, Cemig, CSN e Vale; a de 2015, Cemig, CESP, Petrobras e Bradespar. O yield estava alto porque os preços vinham caindo, e eles continuaram caindo. Em 2016, a mesma regra subiu 66%.

O que quase ninguém sabe. Para testar os Dogs no Brasil, é preciso saber quem estava no Ibovespa em cada janeiro, e a lista oficial de cada ano não é fácil de reunir. Tínhamos a composição oficial em 8 dos 21 anos; nos outros 13, refizemos a carteira pela própria regra do índice, com a base completa. E das 77 ações diferentes que os Dogs compraram desde 2006, 22 já não são negociadas: 9 foram incorporadas por outra empresa e 6 fecharam o capital em ofertas de compra (quando o controlador compra as ações dos demais e tira a empresa da bolsa). Um teste feito com a lista de hoje do Ibovespa não veria nenhuma delas.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.