CAN SLIM: o único que passou (e por que ainda pode ser sorte)
O método de William O'Neil junta lucro acelerando, ação perto da máxima e mercado em alta. Foi a única de 64 carteiras populares testadas a passar no critério completo dos testes do Quantor. E mesmo assim não dá para dizer que não foi sorte.

As sete letras
William O'Neil fundou o jornal financeiro Investor's Business Daily e, em 1988, publicou How to Make Money in Stocks. O livro nasceu de um estudo: pegar as ações americanas que mais subiram em várias décadas e perguntar o que elas tinham em comum antes de subir. A resposta virou uma sigla:
- C (current earnings): lucro do último trimestre crescendo forte sobre o mesmo trimestre do ano anterior.
- A (annual earnings): lucro anual crescendo nos últimos anos.
- N (new): algo novo, como um produto, uma gestão ou uma nova máxima de preço.
- S (supply and demand): poucas ações em circulação e procura crescente.
- L (leader or laggard): comprar a líder do setor, não a atrasada.
- I (institutional sponsorship): fundos grandes comprando.
- M (market direction): só comprar com o mercado em tendência de alta.
É uma mistura rara: dois critérios de fundamento (C e A) com três de preço (N, L e M). O'Neil, que morreu em 2023, dava um peso especial ao M, porque a maioria das ações acompanha o mercado quando ele cai.
O que testamos
Todo fim de mês, entre as ações com pelo menos R$ 5 milhões por dia (um filtro de liquidez, para ficar só com ações fáceis de negociar), inclusive as que depois saíram da bolsa:
- lucro do último trimestre 25% acima do mesmo trimestre do ano anterior (C);
- lucro do último ano maior que o do ano anterior (A);
- preço a no máximo 15% da máxima de 52 semanas (N), ou seja, perto do preço mais alto do último ano;
- alta de 12 meses entre os 30% maiores do mercado (L).
Entre as que passam, as 10 de maior alta em 12 meses, com pesos iguais (a mesma quantia em cada ação). O M é a trava do Ibovespa: quando o índice fecha o mês abaixo da média de 5 meses, tudo vai para o CDI. S e I ficaram de fora: a base não tem esses dados de forma confiável. Como o M faz parte da regra original, a versão fiel é a com trava. De mai/2011 a set/2026.
O resultado

R$ 1.000 viraram R$ 14.499 com o M, R$ 8.016 sem o M, R$ 4.200 no CDI e R$ 2.782 no Ibovespa. O que olhar: a distância entre as duas linhas do CAN SLIM, que é o valor do filtro de mercado.
Com o M, +18,9% ao ano e pior queda de −20%. O CDI fez +9,8% e o Ibovespa, +6,9%. Um sorteio de ações (carteiras montadas ao acaso) com o mesmo calendário e a mesma trava fez +8,0%. Com custo de operação 2,5 vezes maior, ainda +17,6%.
Sem o M, a regra rendeu +14,5% e a queda subiu para −34%. O'Neil tinha razão: o filtro de mercado respondeu por mais de 4 pontos percentuais ao ano e por quase metade da queda.

Retorno ao ano em cada bloco, contra o CDI e o Ibovespa do mesmo bloco. Repare: nos três blocos, a barra do CAN SLIM fica acima da do CDI.
O que separa o CAN SLIM dos outros métodos testados desde 2011 nesta trilha: ele bateu o CDI por uma boa margem nos três blocos: +14,5%, +27,8% e +15,2% ao ano. Em 2021, com o Ibovespa caindo 12%, a versão com o M subiu 27%. Na prova cega, o período de 2019 a 2026 guardado antes de olhar os resultados, fez +20% ao ano, com o CDI a 9,4%. Passou em todas as etapas do critério da pesquisa do Quantor (bater o CDI e o sorteio com folga em cada bloco e aguentar custos maiores). Foi o único de 64 testes.
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