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Os métodos famosos testados · Aula 3 de 10

A fórmula mágica de Greenblatt, testada na B3

Empresa boa a preço baixo, escolhida por uma conta de duas linhas. Na B3, de 2011 a 2026, a fórmula perdeu do CDI e quase empatou com um sorteio. Com a trava do Ibovespa, o retorno quase dobrou.

por Vinícius Rosa6 min de leituraatualizada em trecho aberto
A fórmula mágica de Greenblatt, testada na B3

Um livro para os filhos

Joel Greenblatt é gestor de fundos em Nova York e professor na Universidade Columbia, a mesma de Graham. Em 2005, publicou O Mercado de Ações ao Seu Alcance (no original, The Little Book That Beats the Market), escrito, segundo ele, para que os filhos entendessem como investir. O livro virou um clássico porque transforma uma ideia sofisticada numa conta que qualquer pessoa faz.

A ideia: comprar empresas boas quando estão baratas. Greenblatt mediu as duas coisas com dois números:

  • Retorno sobre o capital: quanto a empresa lucra, antes de juros e impostos, para cada real que precisa empregar no negócio. Alto quer dizer negócio bom.
  • Lucro sobre o preço (earnings yield): quanto a empresa lucra para cada real que você pagaria pela empresa inteira, somando a dívida. Alto quer dizer preço baixo.

Você coloca todas as empresas em fila pelos dois números, soma as duas posições e compra as primeiras. Fica com cada uma por um ano, e repete. O livro exclui bancos, seguradoras e empresas de energia e saneamento, que têm balanços diferentes.

O que testamos

Na B3, de mai/2011 a set/2026, com as empresas que depois saíram da bolsa e os balanços na data em que chegaram à CVM (a Comissão de Valores Mobiliários, que recebe os balanços das empresas). Todo abril, as 10 com a melhor soma de posições, com pesos iguais (a mesma quantia em cada uma), seguradas até o abril seguinte. Uma adaptação: a base não tem o ativo fixo das empresas (fábricas, máquinas, imóveis). Então o capital foi medido pelo lado de quem financia (patrimônio mais dívida líquida).

Testamos também a versão que o próprio livro sugere, comprando aos poucos ao longo do ano (12 fatias, uma por mês), a versão com 20 ações e todas elas com a trava. Na versão com trava, a trava do Ibovespa manda a carteira inteira para o CDI quando o índice fecha o mês abaixo da sua média de 5 meses (a régua), e a traz de volta quando ele volta.

O resultado

R$ 1.000 na fórmula mágica, com e sem a trava

O que olhar: a mesma fórmula termina abaixo ou acima do CDI dependendo só da trava. Sem a trava (rosa), a fórmula passou cinco anos caindo e terminou abaixo do CDI. Com a trava (branco), ficou acima dele.

A fórmula mágica rendeu +6,6% ao ano (ganho médio por ano, já composto), abaixo do CDI (+9,8%) e perto do Ibovespa (+6,9%), com uma queda de −51%. Um sorteio de 10 ações escolhidas ao acaso, com o mesmo calendário, rendeu +6,2%. Ou seja: na B3, a fórmula quase não se diferenciou do acaso.

Com a trava, a história muda: +11,7% ao ano e queda de −19%. É um dos maiores efeitos da trava em toda a pesquisa. Com 20 ações, sem trava, +8,4%; comprando em 12 fatias, +8,2%.

A fórmula mágica em três blocos de cinco anos

Repare: só o bloco do meio foi bom; o primeiro foi negativo e o último ficou em zero. Retorno ao ano em cada bloco, contra o CDI e o Ibovespa do mesmo bloco.

O padrão se repete em quase todo método de valor (o estilo de comprar ações baratas) nesta trilha: 2011–15 foi um desastre (−10,1% ao ano), 2016–20 foi espetacular (+34,3%) e 2021–26 ficou em zero (+0,1%). Quem começou em 2011 passou cinco anos perdendo dinheiro enquanto o CDI pagava 10% ao ano.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.