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As regras de renda famosas, testadas · Aula 4 de 4

Aristocratas e a regra de Barsi: a mais simples foi a que passou

Comprar quem aumenta o dividendo todo ano é a estratégia de renda mais admirada do mundo. Na B3, quase não há quem aumente: em 2024, só 5 das 164 ações líquidas tinham subido o provento em cada um dos cinco anos anteriores. A regra que passou foi outra.

por Vinícius Rosa12 min de leituraatualizada em trecho aberto
Aristocratas e a regra de Barsi: a mais simples foi a que passou

Em 1 minuto

  • O aristocrata, que aumenta o dividendo todo ano, quase não existe na B3: em 2024, eram 5 de 164 ações líquidas em cinco anos e 1 em dez.
  • Nos testes de 2006 a 2026, comprar os aristocratas rendeu menos que o CDI, e comprar quem mais aumentou o provento empatou com o IDIV.
  • A regra inspirada em Luiz Barsi (grande, perene, constante e com yield de entrada) foi a única de dividendos a passar no critério completo.

Ao fim desta aula você vai saber

  • Contar a sequência de anos sem corte de uma pagadora pelos próprios proventos
  • Separar crescimento de dividendo, constância e yield alto
  • Explicar por que tamanho, setor e constância cortaram o risco de corte

A tese: na B3, constância vale mais que crescimento

Há um tipo de investidor que não quer saber do yield de hoje. Quer saber se o dividendo cresce. A ideia foi defendida por autores como Lowell Miller e é celebrada no índice americano dos Dividend Aristocrats, empresas que aumentam o dividendo há pelo menos 25 anos seguidos: não dá para aumentar o pagamento todo ano sem lucro de verdade, então o dividendo crescente seria a prova mais honesta de um negócio saudável.

O argumento é bom. O problema é a bolsa onde ele é aplicado.

A ideia: Na B3, o investidor de renda não tem aristocratas para escolher. Tem pagadoras constantes, e foi a constância, não o crescimento, que passou no teste.

O mecanismo: três motivos para o aristocrata brasileiro não existir

1. A economia oscila demais. Selic que foi de 2% a 15% em pouco mais de quatro anos, recessão em 2015 e 2016, pandemia em 2020. Poucas empresas atravessam esses ciclos aumentando o provento todo ano; a maioria corta em algum deles, mesmo sem problema estrutural.

2. O provento brasileiro segue o lucro do ano. A Lei das S.A. obriga a distribuir o dividendo mínimo definido no estatuto (em geral, 25% do lucro ajustado), e muitas empresas pagam uma fatia fixa dele. Lucro oscilou, provento oscila junto. Nos EUA, a tradição é manter o dividendo estável e devolver a sobra com recompra de ações.

3. Calendário e extraordinários. Uma empresa que muda o mês do pagamento ou paga um dividendo único num ano parece ter "cortado" no seguinte. Em 2026, as antecipações de dezembro de 2025 vão fabricar essa ilusão em dezenas de empresas.

Quantos aristocratas a B3 tem

A conta foi feita com os próprios proventos de cada ação na base do Quantor (soma por ano da data com, corrigida por desdobramentos e grupamentos), olhando as ações que negociavam pelo menos R$ 5 milhões por dia em dezembro de cada ano.

Antes de continuar: Em dezembro de 2024, das 164 ações líquidas da B3, quantas tinham aumentado o provento por ação em cada um dos cinco anos anteriores?

a) Umas 40, um quarto · b) Umas 15 · c) 5

Resposta: 5. 5: LOGG3, POMO4, RADL3, TOTS3 e WEGE3. Em dez anos seguidos, só a RADL3. E nenhuma delas é uma típica pagadora de yield alto.

Dezembro de Ações líquidas Pagaram nos 5 anos Sem nenhum corte em 5 anos Sem corte maior que 10% em 5 anos Sem nenhum corte em 10 anos
2015 108 71 5 16 0
2020 202 77 2 5 0
2024 164 82 5 10 1

Provento por ação somado pelo ano da data com. "Sem corte" = provento do ano maior ou igual ao do ano anterior em todos os anos da janela.

Pagar todo ano é comum: de 38% a 66% das líquidas pagaram em cada um dos cinco anos. Nunca reduzir é raríssimo. E as poucas que conseguem são, em geral, reinvestidoras de yield baixo, como a aula 2 do módulo 2 descreveu: a RADL3 pagou R$ 0,12 por ação em 2019 e R$ 0,33 em 2024, com yield de 2,4% em setembro de 2026.

O teste: três jeitos de ser investidor de renda

Nos testes do Quantor (setembro de 2026), de janeiro de 2006 a setembro de 2026, com as empresas que depois saíram da bolsa e os proventos reinvestidos, três regras:

Crescimento de dividendos. No fim de cada ano, as 10 ações que mais aumentaram o provento por ação em 3 anos, entre as que pagaram em cada um dos 4 anos. Segura o ano todo.

Aristocratas brasileiros. Como quase nenhuma empresa tem 25 anos de aumentos, a exigência foi encurtada para 5 anos sem cortar, comprando as 10 de maior yield entre elas.

Barsi aproximado. Luiz Barsi Filho, o investidor pessoa física conhecido como "rei dos dividendos", defende montar aos poucos uma carteira previdenciária (pensada para pagar renda na aposentadoria) de empresas grandes de setores perenes: bancos, seguros, energia, saneamento, telecomunicações. Ele não publica uma regra. A leitura do teste: até 10 ações de setores perenes, entre as 60 maiores da bolsa, com yield de 6% ou mais e proventos em cada um dos últimos 5 anos, revista todo mês.

Antes de continuar: Das três, qual rendeu menos de 2006 a 2026: crescimento de dividendos, aristocratas de 5 anos ou Barsi?

a) Crescimento de dividendos · b) Aristocratas de 5 anos · c) Barsi

Resposta: Aristocratas de 5 anos. Os aristocratas: 8,1% ao ano, abaixo do CDI (10,2%). Em média, só 2,7 ações líquidas por ano passavam no filtro, e metade da carteira ficava no CDI.

Regra Período todo 1º bloco 2º bloco 3º bloco Pior queda
Crescimento de dividendos 13,6% ao ano 19,3% 13,7% 7,8% −42%
… com a trava do Ibovespa 15,7% — — abaixo do CDI −18%
Aristocratas (5 anos sem corte) 8,1% 15,8% 3,7% 5,2% —
Barsi aproximado 13,0% 13,2% 13,7% 12,0% −18%
IDIV (régua) 13,1% — — — —
CDI (régua) 10,2% — — — —

Blocos de 2006–2012, 2013–2019 e 2020–2026. Números do teste, mês a mês; diferem por décimos dos da aula 1.

O crescimento de dividendos empatou com o IDIV no período inteiro e ficou abaixo do CDI no último bloco. Os aristocratas perderam do CDI em dois dos três blocos. A carteira de Barsi foi a única estável acima do CDI nos três, e a única regra de dividendos a passar no critério completo dos testes do Quantor: bater o CDI e um sorteio de ações (carteiras montadas ao acaso, com as mesmas regras) por 2 pontos em cada bloco, aguentando custos maiores.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.siga no Instagram · @viniciusrosa_88 ↗

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.