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Juros, DI e renda fixa: a régua de tudo · Aula 3 de 9

Juro real: o número que ninguém recebe

A manchete subtrai a inflação de ontem do juro de amanhã. Feita do jeito certo, a conta de setembro de 2026 dá 8,72% contratados para 12 meses, 7,70% travados no Tesouro por seis anos e cerca de 6,8% depois do imposto.

por Vinícius Rosa5 min de leituraatualizada em trecho aberto
Juro real: o número que ninguém recebe

A ideia: juro real é o que sobra

Se o seu dinheiro rendeu 10% num ano em que tudo ficou 10% mais caro, você não ganhou nada. Você tem mais reais e compra exatamente a mesma coisa. O juro real é justamente isso: quanto o seu poder de compra cresceu, depois de descontada a inflação.

Em setembro de 2026, a manchete dizia que o Brasil pagava 9,5% de juro real: Selic de 13,75% menos IPCA (o índice oficial de inflação) de 4,22% em doze meses. O número é fácil e circula muito. Só que ele junta um juro que você vai receber daqui para a frente com uma inflação que já passou, e ainda esquece o imposto.

O juro real que importa não é o da manchete, é o que sobra no seu bolso, e ele é bem menor. Esta aula faz as contas uma por uma.

A conta certa divide, não subtrai

R$ 100 aplicados a 13,75% viram R$ 113,75. Se os preços subiram 4,22%, a mesma cesta que custava R$ 100 agora custa R$ 104,22. Quantas cestas você compra? 113,75 ÷ 104,22 = 1,0914. O poder de compra cresceu 9,14%, não 9,53%.

Com juro e inflação baixos, a diferença entre subtrair e dividir é pequena. No Brasil, com números de dois dígitos, ela pesa.

Retrovisor ou para-brisa

A conta de cima usa a inflação dos últimos doze meses. Serve para conferir o passado: é o juro real ex-post ("depois do fato"). Para decidir o que fazer agora, a pergunta é outra: quanto vai sobrar nos próximos doze meses? Aí entra a inflação esperada, o juro real ex-ante ("antes do fato").

O Boletim Focus de 18/09/2026 esperava IPCA de 4,62% nos doze meses seguintes. A conta fica 1,1375 ÷ 1,0462 = 8,72%. É o número que a aba Juros mostra.

Cinco versões do juro real em setembro de 2026

Da esquerda para a direita, o número vai ficando mais honesto e menor. O último depende da regra de imposto: confira a vigente.

O juro real que dá para travar

Os dois números acima dependem da Selic, que muda a cada reunião do Copom. Existe um jeito de contratar juro real por anos: o Tesouro IPCA+. Ele paga a inflação do período mais uma taxa fixa. Em 18/09/2026, o IPCA+ 2032 pagava IPCA + 7,70% ao ano; o 2029, IPCA + 7,49%; o 2045, IPCA + 7,38%. Dê no que der a inflação, essa parte está combinada até o vencimento.

Quanto é 7,70% acima da inflação na história?

O juro real do Tesouro IPCA+ em prazo de 5 anos desde 2005

A linha é o juro real do Tesouro IPCA+ num prazo fixo de 5 anos, calculado entre os vencimentos existentes em cada mês. A faixa de cima marca os meses acima de 7,4%.

Em julho de 2020, com a Selic a 2%, esse juro chegou a 1,7%. Em 18/09/2026, estava em 7,65%. Desde 2005, só houve patamar parecido em 2005-2009, em dois meses de 2015 e a partir de novembro de 2024. Juro real alto assim é raro, e não é de graça: o mercado cobra porque enxerga risco, principalmente nas contas públicas.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.