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Quando vender e onde pôr o stop · Aula 3 de 9

Os que não pararam nos 20%: 5% das operações pagam a conta

A régua mensal acerta só 35% das entradas na B3, e os 5% melhores trades respondem por 103% do ganho líquido. Vender sempre nos 20% é a regra que corta exatamente esses 5%.

por Vinícius Rosa11 min de leituraatualizada em trecho aberto
Os que não pararam nos 20%: 5% das operações pagam a conta

Em 1 minuto

  • A maior parte do ganho de longo prazo vem de poucos papéis que sobem muito, não de muitos que sobem pouco.
  • Na B3, a régua mensal acerta 35% das entradas, ganha +47,4% em média nos acertos e perde −9,7% nos erros; os 5% melhores trades somam 103% do resultado.
  • Quem vende tudo nos 20% corta, junto, os poucos casos que pagam tudo.

Ao fim desta aula você vai saber

  • Calcular a esperança de uma regra com acerto baixo
  • Achar o acerto mínimo para uma regra empatar
  • Explicar por que alvo fixo de venda corta a cauda

A tese: a carteira é paga por poucos papéis, e você não sabe de antemão quais

Existe uma estatística que muda a forma de pensar em venda, e ela vale para a bolsa brasileira, a americana e praticamente qualquer mercado estudado: a maior parte do ganho de longo prazo vem de uma minoria pequena de papéis que sobem absurdamente. Não de muitos papéis subindo um pouco. De poucos subindo muito.

Se isso vale na B3, e os números abaixo mostram que vale, então a pior regra de venda possível é a que te tira desses poucos cedo demais. E "vender quando sobe 20%" é exatamente essa regra.

Os casos: todos já tinham subido 20% quando alguém disse "realiza"

Todos os casos abaixo passaram pelo mesmo filtro da aula 1: o papel já tinha acumulado 20% ou mais em 6 meses. Era o momento em que o grupo de mensagens diria "bateu no teto". Os números são do estudo do arquivo mensal da B3 publicado na Academy em setembro de 2026, com preços ajustados por proventos.

MGLU3 entre 2015 e 2021: o que veio depois dos primeiros 20%

A MGLU3 de 2015 a 2021: o que veio depois dos primeiros 20%, nos preços ajustados por proventos.

MGLU3, março de 2016. O papel tinha subido 20% em 6 meses, depois de anos de queda. Nos 12 meses seguintes, subiu mais 505%. Em 36 meses, mais 4.708%. A régua entrou em fevereiro de 2016 e só saiu em novembro de 2017: +2.219% em 21 meses. Quem vendeu nos primeiros 20% ficou com 20%.

PRIO3, março de 2016. Uma petroleira pequena, negociando a centavos. Já tinha subido 20% em 6 meses. Nos 12 meses seguintes, +160%; em 36 meses, +947%; o valor máximo dos cinco anos seguintes foi 46 vezes o daquele mês. Virou uma das maiores empresas do Ibovespa.

WEGE3, junho de 2019. Uma das empresas mais caras da bolsa pelos múltiplos, desde sempre. Tinha subido 20% em 6 meses. Nos 12 meses seguintes, +140%.

PETR4, março de 2003. A estatal saindo da crise da eleição de 2002. Subiu 20% em 6 meses; nos 12 seguintes, +98% com os dividendos; em 36 meses, +333%; o máximo dos cinco anos seguintes ficou 855% acima.

E outros. BBAS3, abril de 2003: +460% em 36 meses. VALE3, junho de 2016: +248% em 36 meses. UNIP6, fevereiro de 2016: a régua entrou e ficou 31 meses dentro, saindo com +1.400%.

Nenhum desses movimentos foi previsto por quem mandava realizar. E nenhum parecia óbvio no mês do "+20%".

O mecanismo: três forças que fazem poucos pagarem por todos

1. O ganho não tem teto e a perda tem. Um papel pode cair no máximo 100%. Pode subir 500%, 1.000%, 4.000%. Numa carteira com vinte papéis, um único caso como a MGLU3 de 2016 compensa uma dúzia de perdas de 30%. A distribuição de retornos das ações tem uma cauda direita longa, e é dela que vem o resultado.

2. A tendência que já começou tende a continuar. O papel que subiu 20% em seis meses não é um bilhete de loteria qualquer: ele está mais perto da cauda direita do que um papel parado, porque a informação que o fez subir ainda está se espalhando. O módulo 3 mostra esse efeito, o momentum, medido na B3. Isso não garante que cada papel siga subindo. Garante que o grupo dos que já subiram tem mais chance de conter a próxima MGLU3.

3. Uma regra de saída decide quanto da cauda você leva. Quem vende tudo num alvo fixo tem um teto auto-imposto: +20% no melhor caso, sempre. Quem sai só quando a tendência acaba não tem teto. A diferença entre as duas regras não aparece na operação típica. Aparece nas três ou quatro operações por década que mudam o patrimônio.

Acertar pouco e ganhar muito

A régua mensal, aplicada a todas as viradas para alta da B3 com preço acima de R$ 1, acertou só 35% das vezes. Dois terços das entradas deram prejuízo ou zero. Mesmo assim, o método ganhou dinheiro no total.

35% das entradas da régua deram lucro · +47,4% ganho médio quando acertou · −9,7% perda média quando errou

O acerto é baixo, mas cada acerto vale quase cinco erros. É o que os operadores chamam de assimetria: perder pouco muitas vezes e ganhar muito poucas vezes. A conta da esperança, que é o resultado médio por operação, mostra por que funciona: 0,35 × 47,4% − 0,65 × 9,7% ≈ +10,3% por operação.

E a assimetria é mais concentrada do que parece.

Antes de continuar: Somando o ganho líquido de todas as operações da régua na B3, quanto do total vem dos 5% melhores trades?

a) Uns 20% · b) Uns 50% · c) Uns 75% · d) Mais de 100%

Resposta: Mais de 100%. 103%. Tire esses 5% e o resto das operações, somado, empata ou dá um pequeno prejuízo. Todo o resultado do método vem de um punhado de casos como MGLU3, PRIO3 e UNIP6.

Os 5% melhores trades respondem por 103% do ganho líquido. Junte com a aula 1: 9% dos papéis que já tinham subido 20% mais que dobraram no ano seguinte, e 18% dobraram em 24 meses. É esse grupo que carrega a conta.

A ideia: Uma regra de venda que corta todo mundo nos 20% corta, junto, os 5% que pagam tudo.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.siga no Instagram · @viniciusrosa_88 ↗

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.