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Aprenda com os erros dos outros · Aula 9 de 13

Operar por dica: a convicção que não é sua

A dica pode até estar certa. O problema é que ela traz a entrada e deixa para trás o que diria quando sair. Na MGLU3, a premissa de dinheiro barato morreu em 2021; quem tinha só a história ficou até −94,7%.

por Vinícius Rosa4 min de leituraatualizada em trecho aberto
Operar por dica: a convicção que não é sua

A ideia: o problema da dica não é ela estar errada

Uma dica pode estar certíssima e ainda assim custar caro. O erro não está na fonte: está em comprar a entrada sem comprar a saída. Quem não construiu a razão de entrar não consegue perceber quando ela deixou de valer.

Michael Marcus, o primeiro entrevistado de Os Magos do Mercado, conta que quebrou mais de uma vez no começo da carreira. Entre os motivos que ele mesmo aponta: não definia o risco e operava ideias dos outros. A lição que tirou foi seguir o próprio julgamento. Não por orgulho, mas por mecânica: quando a tese é de outra pessoa, a informação que a invalidaria também está com ela.

A trilha Cabeça de investidor trata do lado coletivo disso na aula sobre manada. Aqui, o foco é a posição individual.

Metade de uma tese

Toda tese séria tem premissas: receita crescendo a tal ritmo, margem acima de tanto, juro caindo. Quem formulou sabe quais delas, se quebrarem, matam o caso. A versão que chega no grupo de mensagens vem desidratada:

O que a dica traz e o que fica com quem a deu

A metade da esquerda cabe numa mensagem. A da direita é a que decide quando sair.

Sobra o nome do papel, a história e um alvo de preço. Somem as premissas, o gatilho de saída, o tamanho que o próprio autor usou e, principalmente, o dia em que ele mudou de ideia. Ele não vai te avisar.

Há um terceiro problema: a dica costuma chegar tarde. Uma ideia nasce num relatório, passa por gestores, vira carteira recomendada, vira conteúdo de rede social e só então chega a quem não é do mercado. Quando o maior número de pessoas está contando a história, restam poucos compradores novos.

O caso: MGLU3 e a premissa que morreu primeiro

A história da Magazine Luiza entre 2019 e 2020 era forte: comércio eletrônico crescendo rápido, ganho de mercado, a "Amazon brasileira". Por trás da história havia uma premissa que quase nunca aparecia na dica: a tese contava com dinheiro barato. Juro baixo barateia o crédito ao consumidor e o custo de financiar a expansão, e faz o mercado pagar mais caro por lucros que só viriam lá na frente. A Selic estava na mínima histórica.

MGLU3 contra a Selic, de 2019 a 2023

Em cima, a distância do topo de janeiro de 2021, em escala log, com a régua tracejada. Embaixo, a Selic de cada mês.

Em março de 2021, o Banco Central começou a subir os juros, que chegariam a 13,75% ao ano em agosto de 2022. A Selic do mês foi de 0,13% em fevereiro de 2021 para 1,17% em agosto de 2022: o custo do dinheiro multiplicado por nove. A premissa morreu antes do preço.

O preço veio atrás. A régua mensal virou baixa no fechamento de março de 2021, com o papel 19,9% abaixo do topo de janeiro. Quem tinha escrito "minha tese depende de juro baixo" tinha dois sinais no mesmo mês. Quem tinha só a história ficou. O fundo, em outubro de 2023, estava 94,7% abaixo do topo. Para voltar de lá, o papel precisaria subir 1.800%.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.