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Aprenda com os erros dos outros · Aula 10 de 13

O caixa que o amador chama de fracasso

Estar investido não é estar trabalhando. De outubro de 2010 a janeiro de 2016, o BOVA11 caiu 44,2% enquanto o dinheiro parado na Selic rendeu 69,3%. No Brasil, esperar é uma posição que paga juros.

por Vinícius Rosa4 min de leituraatualizada em trecho aberto
O caixa que o amador chama de fracasso

A ideia: ficar fora também é uma posição

Jim Rogers, entrevistado no primeiro livro de Os Magos do Mercado, descreve o próprio método de um jeito quase ofensivo para quem abre a corretora todo dia: espera até ver o dinheiro caído no canto da sala, vai lá e pega. No meio-tempo, em essência, não faz nada.

O investidor comum lê isso como preguiça, porque carrega uma premissa invisível: estar investido é estar trabalhando. Dinheiro em caixa parece dinheiro parado, e dinheiro parado parece prova de que você não sabe o que fazer.

No Brasil, o caixa não é ausência de posição: é a posição de menor risco, com retorno contratado. O problema é que ninguém sente o caixa rendendo, e todo mundo sente o índice subindo sem você.

Uma pilha de blocos que cresce devagar no centro e uma oportunidade clara no canto da sala

O caixa rende em silêncio. A oportunidade que vale a pena costuma ser óbvia quando aparece.

Por que o amador precisa estar dentro

A oportunidade perdida dói como dinheiro perdido. Quem está fora e vê o índice subir 3% num dia sente uma perda com número e tudo. A reação é entrar, para a dor parar. A aula 7 contou o caso de Druckenmiller em 2000: foi exatamente essa dor que o levou a comprar no topo.

Ação vira sinônimo de competência. Quem paga corretora, lê relatório e acompanha a tela sente que precisa produzir alguma coisa. Girar a carteira vira comprovante de trabalho.

Não existe extrato da inação. Você vê o resultado das compras que fez; não vê o das que evitou. A decisão de esperar nunca entra na contabilidade mental.

A trilha Mente de ferro tem uma aula sobre esse desconforto ("Ganhar dinheiro na bolsa é chato"). Aqui, vamos colocar números no que a espera rende.

O caso: 2010 a 2016, os anos que somem do gráfico longo

O Ibovespa fez um topo de fechamento em 4 de novembro de 2010, a 72.996 pontos. Só voltou a esse nível em 6 de setembro de 2017. No meio, em 26 de janeiro de 2016, chegou a 37.497 pontos: −48,6%.

Comparamos três formas de atravessar esse período, a partir de outubro de 2010:

BOVA11, régua com Selic e caixa na Selic, de outubro de 2010 a dezembro de 2019

R$ 100 aplicados em outubro de 2010. As marcas mostram janeiro de 2016, o fundo do Ibovespa naquele ciclo.

Até janeiro de 2016:

Resultado
100% em BOVA11 o tempo todo −44,2%
Régua mensal, caixa na Selic nos meses fora +0,7%
Tudo na Selic +69,3%

A régua não acertou fundo nem topo. Só esteve dentro do papel em 23 dos 63 meses do período, e recebeu Selic nos outros. Boa parte do retorno dela veio do que evitou, não do que capturou. E quem simplesmente ficou no caixa terminou com 69,3% a mais, enquanto quem ficou comprado tinha perdido quase metade.

O quadro vira quando a bolsa volta a subir. Até dezembro de 2019, o caixa acumulava +137%, a régua +116% e o BOVA11 +58%. Nesse trecho, quem esperou tinha capital para aproveitar a alta; quem ficou 100% dentro ainda estava se recuperando.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.