Abandonar o método no primeiro vale
No BOVA11 desde 2009, a régua com caixa na Selic rendeu mais que segurar o índice, com metade da pior queda — e mesmo assim perdeu dele em 54% das janelas de 12 meses. Quem julga o método pelo ano que está vivendo troca de regra justamente no trecho ruim.

A ideia: o método bom também passa anos parecendo ruim
Quase todo investidor acredita que está procurando a estratégia certa. Na verdade, está procurando a estratégia que nunca fica ruim, e essa não existe. Toda regra que rende acima da média tem, dentro dela, trechos longos rendendo abaixo. É justamente o desconforto desses trechos que impede todo mundo de copiar a regra até a vantagem sumir.
Richard Dennis, que treinou os Turtles (iniciantes a quem ensinou regras fixas) e aparece no primeiro livro de Os Magos do Mercado, costumava dizer, segundo o relato que ficou, que poderia publicar as regras no jornal e quase ninguém as seguiria. Não era vaidade. A vantagem não está na fórmula; está em conseguir carregá-la no período em que ela está perdendo.
A trilha Mente de ferro trata do lado emocional disso na aula "Atravessar o vale sem largar o método". Aqui, vamos medir o tamanho do vale.
O caso: a régua no BOVA11 desde 2009
Pegamos o BOVA11 (o ETF do Ibovespa, um fundo que copia o índice e já reinveste os proventos, isto é, os dividendos pagos pelas empresas) e comparamos duas formas de carregá-lo desde maio de 2009. Uma é segurar o tempo todo. A outra é seguir a régua mensal (fica no papel enquanto o fechamento do mês está acima da média dos últimos 5 meses), com o dinheiro na Selic nos meses fora.

Em cima, R$ 100 aplicados em maio de 2009. Embaixo, cada fatia é uma janela de 12 meses: verde quando a régua ganhou de segurar, vermelho quando perdeu. O que olhar: em cima, a régua cai bem menos nos tombos; embaixo, o vermelho aparece mais do que o verde.
No período inteiro, a régua fez o que promete: 8,3% ao ano contra 7,7%, com pior queda (o maior tombo do topo até o fundo) de −20% contra −44%. Mesmo destino, com metade do tombo.
Agora olhe a faixa de baixo. Em 54% das janelas de 12 meses, a régua perdeu para segurar. Em janelas de três anos, perdeu em 45%. E a vantagem acumulada sobre segurar (quanto a régua estava à frente desde o início) atingiu o ponto mais alto em março de 2020. Até agosto de 2026, ainda não voltou a ele: mais de seis anos sem renovar o recorde.
Quem começou a seguir a régua em qualquer um desses trechos vermelhos viveu meses ou anos de "está perdendo do índice". A tentação de trocar de método nessa hora é enorme, e é aí que ele cobra o preço de quem sai.
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