Confundir resultado com decisão
Quem comprou small caps entre março e outubro de 2020 ganhou dinheiro em 12 meses em todos os casos; quem fez a mesma coisa de novembro de 2020 a setembro de 2021 perdeu em todos. Mesma decisão, dois placares — e o primeiro ensinava a repetir o erro no segundo.

A ideia: o lucro de hoje não prova a decisão de ontem
Você comprou, subiu, ganhou. Isso não quer dizer que decidiu bem. Você seguiu a sua regra, saiu, e o papel subiu no mês seguinte. Isso não quer dizer que decidiu mal.
No curto prazo, resultado e decisão são quase independentes. E quem aprende pelo resultado treina o comportamento errado com recompensa. William Eckhardt é direto nas entrevistas de Schwager: não se julga uma decisão pelo resultado dela. Não porque o resultado não importe (é ele que paga as contas), mas porque uma decisão isolada não tem informação suficiente para separar habilidade de sorte.
A trilha Mente de ferro tem uma aula inteira sobre a ferramenta para isso, o diário de decisões ("Processo acima de resultado"). Aqui, o foco é o erro em si e o custo dele.
As quatro caixas de Larry Hite
Larry Hite, gestor sistemático entrevistado no primeiro livro de Os Magos do Mercado, organizou o problema em quatro tipos de aposta: boa que ganha, boa que perde, má que ganha, má que perde.

O extrato mostra só a coluna (ganhou ou perdeu). A linha (a decisão era boa?) depende do que você escreveu antes de entrar.
Duas caixas mentem sobre o processo. A "boa que perde" faz você abandonar uma regra que funciona. Mas a mais perigosa é a outra: a má que ganha. Ela chega com dinheiro na conta, e o cérebro não tem um canal separado para "deu certo, mas pelo motivo errado". O crédito valida tudo: o tamanho grande demais, a falta de ponto de saída, a dica do grupo.
O caso: small caps em 2020 e 2021
O SMAL11 é o ETF das small caps da B3. Imagine uma decisão simples, a mais comum naquela época: "comprar small caps e segurar por um ano". Medimos o resultado dela para cada mês de compra:

Cada barra é uma compra no fechamento daquele mês, avaliada 12 meses depois, só no preço.
- Quem comprou em qualquer mês de março a outubro de 2020 estava no lucro 12 meses depois, de +3,2% a +70,4%.
- Quem comprou em qualquer mês de novembro de 2020 a setembro de 2021 estava no prejuízo, de −9,8% a −39,1%.
A decisão era a mesma. O que mudou foi o momento. Do fundo de março de 2020 ao topo de junho de 2021, o SMAL11 subiu 90,6% nos fechamentos mensais; do topo ao fundo de junho de 2022, caiu 39,1%.
O pior é a sequência psicológica. Quem entrou em 2020 e ganhou tinha todos os motivos para concluir "eu sei fazer isso". O passo natural seguinte é aumentar o tamanho e continuar comprando em 2021, com a confiança que o primeiro placar deu. Uma aposta má vencedora costuma ser seguida pela mesma aposta, maior.
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