Seu primeiro plano: quanto, em quê, com que regra
A maior parte dos prejuízos de quem começa não vem de escolher a ação errada. Vem de investir o dinheiro errado, no tamanho errado, sem saber o que fazer quando cair. Um plano de uma página resolve isso.

A ideia: o problema raramente é a ação, é o dinheiro
Um erro comum entre iniciantes é passar semanas escolhendo "a melhor ação" e nenhum minuto pensando em qual dinheiro vai para ela. O resultado é conhecido: a ação cai 25% num semestre ruim, surge uma despesa inesperada, e a pessoa vende no pior momento para pagar a conta. O prejuízo não foi da ação. Foi do plano, que não existia.
A ordem do dinheiro

1. Reserva de emergência. De 6 a 12 meses do seu custo de vida, num lugar com liquidez diária e sem oscilação relevante: Tesouro Selic, CDB de liquidez diária de banco sólido. É o dinheiro que paga o imprevisto sem que você precise vender ação em queda. Autônomos e quem tem renda variável devem ficar mais perto dos 12 meses.
2. Objetivos de até 3 anos. A entrada do apartamento, a viagem, a troca do carro. Dinheiro com data marcada não vai para ação. Fica em renda fixa com vencimento próximo da data: um título do Tesouro ou um CDB que vença perto de quando você vai precisar.
3. Longo prazo: ações, FIIs, ETFs. Só o que pode ficar 5 anos ou mais sem ser tocado. Esse prazo não é arbitrário: é o que dá tempo de atravessar um ciclo ruim da bolsa sem precisar vender.
Com juro real alto, a renda fixa brasileira é uma alternativa séria, não um prêmio de consolação. A aba Juros mostra a Selic, a curva e o juro real de hoje, e a trilha "Juros, DI e renda fixa" mostra quando a renda fixa ganhou da bolsa e por quanto tempo.
Três decisões para escrever
Decisão 1: quanto por mês. Um valor que você consegue manter mesmo num mês apertado. O hábito vale mais que o tamanho: quem aporta R$ 300 todo mês por dez anos chega mais longe do que quem aporta R$ 3.000 duas vezes e desiste.
Decisão 2: como diversificar. Para quem está começando, três caminhos simples:
- Um ETF amplo (como o BOVA11, que replica o Ibovespa) como base. Você compra as maiores empresas da bolsa de uma vez e não precisa acompanhar nenhuma delas individualmente.
- Algumas ações e FIIs escolhidos ao lado da base, em pesos parecidos. Uma regra comum: nenhum papel acima de 10% a 20% da parte de ações.
- Um pedaço fora do Brasil (ETFs de índice global ou BDRs), para não depender de um país só. A trilha "Investir fora sem sair da B3" explica como.
Decisão 3: a regra de compra e de venda. Escrita antes, não no dia do susto. Por exemplo:
- Compro mais dos papéis que estão acima da régua e abaixo do peso-alvo.
- Paro de comprar um papel que passou do peso-alvo; o aporte vai para os outros.
- Vendo quando a tese quebra (a razão da compra deixou de existir) ou quando a régua vira numa posição grande.
A trilha "Quando vender uma ação" mostra, com casos reais da B3, o que regras assim entregaram contra vender "quando sobe 20%" ou "segurar para sempre".
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Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.