Analisar papel, bloco a bloco (2): a empresa
Segunda parte da tela, com a PETR4 real de 29 de setembro de 2026. O negócio por trás do preço, a Nota Fundamentos, os múltiplos contra a história, o lucro ano a ano e os dividendos, explicados para quem nunca abriu um balanço.

A ideia: o preço conta o humor, a empresa conta o negócio
A primeira parte da tela (aula anterior) mostrou o que o mercado está fazendo com o papel. Esta mostra o que a empresa está fazendo: quanto lucra, quanto deve, quanto paga aos sócios e se está cara ou barata. É a parte "sócio" da aula 2, e fica em Fundamentos, a terceira parte da tela.
O topo dela diz de onde vêm os números: os balanços entregues à CVM (na PETR4, o último era o do segundo trimestre de 2026, entregue em 06/08/2026) e o fechamento do dia. Logo abaixo vem a Leitura Quantor dos fundamentos, e depois os blocos, na ordem do menu: A favor e atenção, Barata ou cara?, Valuation histórico, Resultados, Raio-x do lucro, Preço × lucro, Rentabilidade, Dívida, Dividendos, Fundamentos e mestres, Por ação, Pares do setor, O setor e Demonstrações.
A Nota Fundamentos

A nota olha só a empresa, não o preço. São 30 checagens de sim ou não, em cinco fatias de até 6: valor (quanto você paga pelo lucro e pelo patrimônio), qualidade (retorno sobre o capital, lucro que vira caixa), crescimento, saúde (dívida, liquidez) e dividendos. A nota vai de 30 (nenhuma checagem) a 85 (todas).
A PETR4 tinha 63, com 18 de 30 checagens. O número sozinho esconde o mais importante: a qualidade estava cheia, 6 de 6, e o crescimento quase vazio, 1 de 6. Clique numa fatia e ela abre as suas checagens, com o número ao lado. Na qualidade da PETR4: ROE de 27,7% (acima de 15% e acima do setor, 14,9%), ROIC de 15,4%, lucro em todos os últimos 8 anos e caixa das operações igual a 161% do lucro.
A favor e atenção
Logo abaixo da nota, o bloco A favor e atenção lista, em frases, os fatos dos balanços e do preço que pesam para cada lado, sem recomendação. Na PETR4:
- A favor: o lucro de 12 meses subiu 72% em um ano (de R$ 77 bilhões para R$ 133 bilhões); o lucro do trimestre superou o do mesmo trimestre do ano anterior em 6 dos últimos 8; a empresa pagou proventos em dinheiro em 8 anos seguidos.
- Atenção: em 3 anos, a dívida líquida subiu 43%, enquanto o lucro de 12 meses caiu 15%; houve prejuízo em 2 dos últimos 20 trimestres.
É o jeito mais rápido de ver a empresa: cinco frases de um lado, três do outro, cada uma com o número que a sustenta.
Barata ou cara?

Cada múltiplo é comparado com a própria história do papel, desde 2011, e com os pares do setor hoje. O selo colorido diz onde ele está na própria história: barato, na média ou caro.
1. P/L, preço sobre lucro: 5,0×. Quantos anos do lucro atual o preço pagaria. O selo diz barato: o P/L de hoje é menor que o de 73% dos meses desde 2011.
2. P/VP, preço sobre valor patrimonial: 1,39×. Quanto o mercado paga por cada real de patrimônio contábil. Aqui o selo diz caro: o P/VP quase nunca esteve tão alto na história do papel. Barato por um múltiplo, caro por outro: por isso a tela mostra os quatro.
3. EV/EBITDA: 3,6×. O valor da empresa inteira, com a dívida, sobre a geração de caixa da operação. Barato também.
4. Dividend yield: 7,4%. Quanto o papel pagou em dividendos e JCP nos últimos 12 meses, dividido pelo preço. Na média da própria história.
5. A régua da história. Cada múltiplo contra ele mesmo: quanto mais à direita, mais barato em relação ao próprio passado.
6. A régua do setor. O mesmo múltiplo contra os pares de petróleo e gás hoje.
7. O chip da nota. Quantas das 6 checagens de valor passam: 4, na PETR4. Clique nele para ver quais.
Cuidado com o óbvio: P/L baixo não é sinônimo de barganha. Empresas cíclicas, como petróleo e mineração, costumam ter P/L baixo justamente quando o lucro está no pico, e o mercado já desconta que ele vai cair. A trilha "Fundamentos sem armadilha" tem uma aula para cada um desses números e onde ele engana.
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