Quatro números ordenam tudo — e nenhum é o preço
Régua, Índice Quantor (IQ), Nota Fundamentos e valor justo respondem perguntas diferentes. Quando concordam, o caso é simples; quando discordam, eles mostram exatamente qual parte do papel está fora do lugar.

A ideia: quatro perguntas, não um veredicto
Todo mundo que abre um painel de investimento procura o número que resume tudo: uma nota, um placar, um "compra" ou "vende". O Quantor tem quatro números centrais, e eles muitas vezes apontam para lados diferentes.
Isso não é defeito, é a informação. Cada número responde uma pergunta que os outros não sabem responder. Dois olham o preço: a régua e o IQ. Dois olham a empresa: a Nota Fundamentos e o valor justo. Quando os quatro concordam, o caso é simples. Quando discordam, eles dizem qual parte do papel está fora do lugar.
Aprenda os quatro e você lê qualquer papel no Quantor sem manual. Eles abrem o Resumo da tela Analisar papel, em três cartões:

Print da tela Analisar papel da PETR4 em 29/09/2026. Os marcadores são explicados logo abaixo.
O IQ: melhor ou pior que os outros?
O primeiro cartão, O preço, abre com o ponteiro do Índice Quantor (IQ) (1). É a leitura de momentum ajustado ao risco da casa, numa escala fixa de −100 a +100 (a fórmula é proprietária). Ele mede como o preço vem andando, descontado o susto que o papel costuma dar.
O IQ não é para ser lido sozinho, é para ordenar. Por isso vem com a posição no ranking (2): a PETR4, com IQ +50, era a 20ª de 191 ações, à frente de 90% delas. Ele não diz nada da empresa, só do preço.
A régua: para que lado?
Logo abaixo vem a régua (3), a regra da aula 1. Se o fechamento do mês ficou acima da média dos últimos cinco fechamentos mensais, o papel está em alta; abaixo, em baixa. Só muda no fechamento do mês.
A PETR4 estava em alta há 3 meses. O cartão diz também o preço que a faria virar: R$ 44,18, a 11,1% de distância. Essa distância é a folga. Folga grande quer dizer que o papel aguenta um mês ruim sem virar; folga de 1% quer dizer que qualquer tropeço vira a régua.
Régua e IQ costumam andar juntos, porque os dois olham o preço. Mas não são a mesma coisa: a régua diz o lado; o IQ diz se, ajustado ao risco, o movimento está entre os melhores ou os piores da bolsa.
A Nota Fundamentos: como está a empresa?
O segundo cartão, A empresa, é a Nota Fundamentos (4), que olha o balanço e não o preço. São 30 checagens em cinco fatias, desenhadas como uma mandala: valor (quanto você paga pelo lucro e pelo patrimônio), qualidade (retorno sobre o capital, margens), crescimento, saúde (dívida, liquidez) e dividendos. Cada fatia vai de 0 a 6. A nota vai de 30 (nenhuma checagem) a 85 (todas).
A PETR4 marcava 63, com 18 de 30 checagens (5): qualidade cheia (6 de 6), crescimento quase vazio (1 de 6). O número sozinho esconde isso. A mandala mostra onde a empresa é forte e onde é fraca.
O valor justo: quanto vale, por mais de um método?
O terceiro cartão, Valor justo (6), junta os métodos que gestoras usam para avaliar uma empresa: fluxo de caixa descontado, média histórica de múltiplos, pares do setor, dividendos. Tira os que destoam e fica com a mediana dos que sobram.
Na PETR4, R$ 58,56, com a ação a R$ 49,10: o preço estava 16% abaixo. O selo "métodos próximos" e a faixa de R$ 56,09 a R$ 85,43 dizem o quanto os métodos concordam. A aula "Valor justo: uma faixa, não um alvo", da trilha Fundamentos, abre essa conta.
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