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Juros: a curva que manda · Aula 6 de 6

Operar juros de verdade: o pedágio de cada troca

A régua do juro curto rendeu 17,2% ao ano no papel. Pelo Tesouro Direto, com o custo de entrar e o imposto de cada saída, rendeu 12,0%, menos que segurar o título. O veículo decide quanto do sinal chega ao bolso.

por Vinícius Rosa11 min de leituraatualizada em trecho aberto
Operar juros de verdade: o pedágio de cada troca

Em 1 minuto

  • Toda troca entre o pós e o título longo paga dois pedágios: a diferença entre o preço de compra e o de recompra, e o imposto antecipado com a alíquota mais alta.
  • Pelo Tesouro Direto, a régua do prefixado de 2 anos caiu de 17,2% para 12,0% ao ano, abaixo dos 12,7% de segurar; o sinal lento do Copom, com 10 trocas, rendeu 14,1%.
  • Por ETF, com custo de troca perto de 0,2% e IR de 15%, a régua voltou a 14,4%: o veículo decide quanto do sinal chega ao bolso.

Ao fim desta aula você vai saber

  • Calcular em reais o custo de uma troca no Tesouro e num ETF
  • Escolher o veículo pelo ritmo do sinal
  • Saber por que esperar um mês custou 2,4 pontos ao ano

A tese: o sinal é o mesmo, o pedágio não

A aula 5 mostrou que trocar entre o CDI e o IPCA+ longo pela régua do juro curto rendeu 17,2% ao ano desde 2005. Esse número é do papel: compra e venda pelo mesmo preço, no mesmo dia do sinal, sem imposto. Na vida real, toda troca paga pedágio, e o tamanho do pedágio depende de onde você opera.

A ideia: A régua escolhe o lado. O pedágio decide quanto dele chega ao bolso.

Dependendo do veículo, a melhor regra do teste vira uma das piores.

O mecanismo: três pedágios em cada troca

1. O preço de entrar. O Tesouro Direto vende o título um pouco mais caro do que recompra. A diferença parece pequena na taxa, cerca de 0,12 ponto, mas é multiplicada pelo prazo. Em 30/09/2026, o IPCA+ 2050 era vendido ao investidor por R$ 968,52 e recomprado por R$ 942,61: 2,7% de diferença. O curso Renda Fixa com Dados, módulo 2, aula 6, mostra de onde vem esse spread; aqui interessa que quem entra e sai paga isso a cada ida.

2. O imposto adiantado, na alíquota mais alta. No Tesouro, o IR segue a tabela regressiva, de 22,5% até 180 dias a 15% acima de 720 dias, e é cobrado sobre o ganho a cada venda. Quem troca de lado em média uma vez a cada sete meses vende quase sempre com a alíquota de 22,5% ou 20%. E o imposto pago numa venda deixa de render juros compostos dali em diante.

3. O atraso. O sinal fecha no último pregão do mês. Se a troca só acontece um mês depois, o salto que costuma vir logo após a virada já passou. No teste, esperar um mês derrubou a régua de 17,2% para 14,8% ao ano. Boa parte do ganho vem do primeiro mês depois da virada, quando o título longo dá o salto maior.

Do papel ao bolso

O teste foi refeito com cada pedágio, de dezembro de 2005 a setembro de 2026. Em reais, partindo de R$ 10 mil, com as taxas anuais de cada linha:

Estratégia No papel Pelo Tesouro Direto Por ETF de títulos longos
Régua do prefixado de 2 anos (34 trocas) 17,2% a.a. 12,0% a.a. 14,4% a.a.
Direção do Copom (10 trocas) 17,1% a.a. 14,1% a.a. 14,8% a.a.
Segurar o IPCA+ longo 13,6% a.a. 12,7% a.a. 12,8% a.a.
CDI 10,4% a.a. 9,6% a.a. depois do IR

Antes de continuar: R$ 10 mil em dezembro de 2005, seguindo a régua do prefixado de 2 anos até setembro de 2026. No papel, viram cerca de R$ 269 mil. Pelo Tesouro Direto, com spread e imposto em cada troca?

a) Uns R$ 240 mil: o custo é pequeno · b) Uns R$ 175 mil · c) Uns R$ 105 mil: menos que segurar o título

Resposta: Uns R$ 105 mil: menos que segurar o título. Cerca de R$ 105 mil, contra cerca de R$ 120 mil de simplesmente segurar o IPCA+ longo pelo Tesouro. As 34 trocas levaram quase dois terços do resultado do papel.

Quatro leituras saem da tabela:

1. No Tesouro Direto, a régua rápida perde para segurar. Com spread e IR, ela cai para 12,0% ao ano, abaixo dos 12,7% de segurar o IPCA+ longo. Ainda reduz a pior queda, −29% contra −41%, mas o retorno foi embora no pedágio de 34 trocas.

2. O sinal lento resiste. Seguir a direção do Copom troca só 10 vezes em 20 anos. Pelo Tesouro, rendeu 14,1% com pior queda de −27%: o melhor resultado depois dos custos nesse veículo.

3. Por ETF, a régua volta a valer. Com custo de troca perto de 0,2% e IR de 15% sobre o ganho, a régua do prefixado de 2 anos fica em 14,4% e a do Copom em 14,8%, contra 12,8% de segurar.

4. O CDI também paga imposto. Os 10,4% do CDI viram 9,6% depois do IR. A régua líquida ganha do CDI líquido em qualquer veículo; a pergunta é se ganha de segurar.

cerca de R$ 269 mil R$ 10 mil na régua do prefixado de 2 anos, no papel · cerca de R$ 154 mil na direção do Copom, pelo Tesouro Direto (10 trocas) · cerca de R$ 105 mil na régua do prefixado de 2 anos, pelo Tesouro Direto (34 trocas)

Quanto custa uma troca, em média

Dá para tirar da tabela o custo médio de cada ida e volta no Tesouro. A régua perdeu 5,2 pontos ao ano do papel para o Tesouro, ao longo de 20 anos e 9 meses, com 34 trocas. Distribuindo a diferença pelo número de trocas, cada uma custou, em média, perto de 2,8% do patrimônio: o spread, mais o imposto adiantado na alíquota alta, mais o que esse imposto deixou de render.

É a conta que decide o veículo. Um sinal que troca de lado uma vez e meia por ano, a 2,8% por troca, precisa ganhar mais de 4 pontos ao ano só para empatar com o pedágio.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.siga no Instagram · @viniciusrosa_88 ↗

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