Operar juros de verdade: o pedágio de cada troca
A régua do juro curto rendeu 17,2% ao ano no papel. Pelo Tesouro Direto, com o custo de entrar e o imposto de cada saída, rendeu 12,0%, menos que segurar o título. O veículo decide quanto do sinal chega ao bolso.

Em 1 minuto
- Toda troca entre o pós e o título longo paga dois pedágios: a diferença entre o preço de compra e o de recompra, e o imposto antecipado com a alíquota mais alta.
- Pelo Tesouro Direto, a régua do prefixado de 2 anos caiu de 17,2% para 12,0% ao ano, abaixo dos 12,7% de segurar; o sinal lento do Copom, com 10 trocas, rendeu 14,1%.
- Por ETF, com custo de troca perto de 0,2% e IR de 15%, a régua voltou a 14,4%: o veículo decide quanto do sinal chega ao bolso.
Ao fim desta aula você vai saber
- Calcular em reais o custo de uma troca no Tesouro e num ETF
- Escolher o veículo pelo ritmo do sinal
- Saber por que esperar um mês custou 2,4 pontos ao ano
A tese: o sinal é o mesmo, o pedágio não
A aula 5 mostrou que trocar entre o CDI e o IPCA+ longo pela régua do juro curto rendeu 17,2% ao ano desde 2005. Esse número é do papel: compra e venda pelo mesmo preço, no mesmo dia do sinal, sem imposto. Na vida real, toda troca paga pedágio, e o tamanho do pedágio depende de onde você opera.
A ideia: A régua escolhe o lado. O pedágio decide quanto dele chega ao bolso.
Dependendo do veículo, a melhor regra do teste vira uma das piores.
O mecanismo: três pedágios em cada troca
1. O preço de entrar. O Tesouro Direto vende o título um pouco mais caro do que recompra. A diferença parece pequena na taxa, cerca de 0,12 ponto, mas é multiplicada pelo prazo. Em 30/09/2026, o IPCA+ 2050 era vendido ao investidor por R$ 968,52 e recomprado por R$ 942,61: 2,7% de diferença. O curso Renda Fixa com Dados, módulo 2, aula 6, mostra de onde vem esse spread; aqui interessa que quem entra e sai paga isso a cada ida.
2. O imposto adiantado, na alíquota mais alta. No Tesouro, o IR segue a tabela regressiva, de 22,5% até 180 dias a 15% acima de 720 dias, e é cobrado sobre o ganho a cada venda. Quem troca de lado em média uma vez a cada sete meses vende quase sempre com a alíquota de 22,5% ou 20%. E o imposto pago numa venda deixa de render juros compostos dali em diante.
3. O atraso. O sinal fecha no último pregão do mês. Se a troca só acontece um mês depois, o salto que costuma vir logo após a virada já passou. No teste, esperar um mês derrubou a régua de 17,2% para 14,8% ao ano. Boa parte do ganho vem do primeiro mês depois da virada, quando o título longo dá o salto maior.
Do papel ao bolso
O teste foi refeito com cada pedágio, de dezembro de 2005 a setembro de 2026. Em reais, partindo de R$ 10 mil, com as taxas anuais de cada linha:
| Estratégia | No papel | Pelo Tesouro Direto | Por ETF de títulos longos |
|---|---|---|---|
| Régua do prefixado de 2 anos (34 trocas) | 17,2% a.a. | 12,0% a.a. | 14,4% a.a. |
| Direção do Copom (10 trocas) | 17,1% a.a. | 14,1% a.a. | 14,8% a.a. |
| Segurar o IPCA+ longo | 13,6% a.a. | 12,7% a.a. | 12,8% a.a. |
| CDI | 10,4% a.a. | 9,6% a.a. depois do IR |
Antes de continuar: R$ 10 mil em dezembro de 2005, seguindo a régua do prefixado de 2 anos até setembro de 2026. No papel, viram cerca de R$ 269 mil. Pelo Tesouro Direto, com spread e imposto em cada troca?
a) Uns R$ 240 mil: o custo é pequeno · b) Uns R$ 175 mil · c) Uns R$ 105 mil: menos que segurar o título
Resposta: Uns R$ 105 mil: menos que segurar o título. Cerca de R$ 105 mil, contra cerca de R$ 120 mil de simplesmente segurar o IPCA+ longo pelo Tesouro. As 34 trocas levaram quase dois terços do resultado do papel.
Quatro leituras saem da tabela:
1. No Tesouro Direto, a régua rápida perde para segurar. Com spread e IR, ela cai para 12,0% ao ano, abaixo dos 12,7% de segurar o IPCA+ longo. Ainda reduz a pior queda, −29% contra −41%, mas o retorno foi embora no pedágio de 34 trocas.
2. O sinal lento resiste. Seguir a direção do Copom troca só 10 vezes em 20 anos. Pelo Tesouro, rendeu 14,1% com pior queda de −27%: o melhor resultado depois dos custos nesse veículo.
3. Por ETF, a régua volta a valer. Com custo de troca perto de 0,2% e IR de 15% sobre o ganho, a régua do prefixado de 2 anos fica em 14,4% e a do Copom em 14,8%, contra 12,8% de segurar.
4. O CDI também paga imposto. Os 10,4% do CDI viram 9,6% depois do IR. A régua líquida ganha do CDI líquido em qualquer veículo; a pergunta é se ganha de segurar.
cerca de R$ 269 mil R$ 10 mil na régua do prefixado de 2 anos, no papel · cerca de R$ 154 mil na direção do Copom, pelo Tesouro Direto (10 trocas) · cerca de R$ 105 mil na régua do prefixado de 2 anos, pelo Tesouro Direto (34 trocas)
Quanto custa uma troca, em média
Dá para tirar da tabela o custo médio de cada ida e volta no Tesouro. A régua perdeu 5,2 pontos ao ano do papel para o Tesouro, ao longo de 20 anos e 9 meses, com 34 trocas. Distribuindo a diferença pelo número de trocas, cada uma custou, em média, perto de 2,8% do patrimônio: o spread, mais o imposto adiantado na alíquota alta, mais o que esse imposto deixou de render.
É a conta que decide o veículo. Um sinal que troca de lado uma vez e meia por ano, a 2,8% por troca, precisa ganhar mais de 4 pontos ao ano só para empatar com o pedágio.
Voltar à trilha Juros: a curva que mandaTodas as trilhas
Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.