2024–2026: a bolsa que subiu sem o brasileiro
Com a Selic chegando a 15%, o Ibovespa saiu de 118,5 mil para perto de 199 mil. Os fundos locais venderam R$ 107,6 bilhões na B3 em dois anos; o estrangeiro comprou do outro lado. A última crise do módulo é a que ainda está acontecendo, e em outubro de 2026 o medo voltou com data marcada.

Em 1 minuto
- De 2024 a 2026 a Selic foi a 15% e o Ibovespa teve uma das maiores altas do módulo: o juro alto tirou o brasileiro da bolsa e o resgate deixou as ações baratas para outro comprador.
- De outubro de 2024 a 22/10/2026, o institucional local vendeu R$ 107,6 bilhões na B3 e o estrangeiro comprou R$ 68,1 bilhões.
- Em outubro de 2026, com a eleição no calendário, o VIX Brasil chegou a 46,5, o maior desde abril de 2020: o medo com data marcada da aula 4, de volta.
Ao fim desta aula você vai saber
- Ler o fluxo por tipo de investidor sem tratá-lo como previsão
- Comparar a bolsa com o juro real de dois dígitos
- Aplicar as lições das oito crises a um mercado que ainda está acontecendo
A tese: o juro alto tirou o brasileiro e trouxe outro comprador
As aulas 2 e 6 ensinaram que juro alto derruba a bolsa. Então veio 2024–2026: a Selic subiu de 10,5% para 15%, ficou lá nove meses, e o Ibovespa teve uma das maiores altas do módulo.
Não é contradição.
A ideia: O juro alto tirou o investidor brasileiro da bolsa, e o resgate deixou as ações baratas o bastante para outro comprador aparecer.
Esta é a crise que ninguém chamou de crise, porque quem sofreu não foi o índice: foi quem ficou de fora dele.
A alta, marco a marco

Faixas verdes e vermelhas: a régua mensal. Embaixo, a Selic, que subiu até junho de 2025 e só começou a cair em março de 2026. O gráfico vai até setembro de 2026.
A Selic estava em 10,5% em maio de 2024. Voltou a subir em setembro e chegou a 15% em junho de 2025. No começo de 2025, o clima era de medo: o dólar PTAX chegou a R$ 6,21 em 2 de janeiro, e o Ibovespa fez 118,5 mil no dia seguinte.
Dali, o índice subiu com poucas pausas, com a Selic no topo. Chegou a 198,7 mil em 14 de abril de 2026, recuou em maio e junho (a régua ficou em baixa nesses dois meses) e voltou para alta no fechamento de julho. Em 23 de setembro estava em 185,8 mil: +57% do fundo. A Selic, depois de cinco cortes de 0,25 ponto desde março, estava em 13,75%, o último decidido em 16/09/2026.
O arquivo diário do Ibovespa que o curso usa termina em 25/09/2026, a 183,5 mil. Daí em diante, a aula usa o BOVA11, o fundo que replica o índice: R$ 180,82 em 25/09 e R$ 201,69 em 23/10/2026, 11,5% acima.
O mecanismo: três forças que separaram o índice do brasileiro
1. O resgate força a venda. Com o CDI rendendo perto de 15% ao ano sem oscilar, o cotista de fundo de ações pede o dinheiro de volta. O gestor não vende porque acha a bolsa cara: vende porque precisa pagar o resgate. Venda forçada não escolhe preço.
2. O estrangeiro compara países, não a bolsa com o CDI. Do outro lado, quem comprou não estava olhando a Selic. Estava olhando o Brasil contra outros emergentes, em dólar. Nessa comparação, depois de anos de queda relativa e com o real fraco no começo de 2025, o Brasil pareceu barato. O módulo 3 mostra que o Brasil é uma fatia pequena da cesta emergente e se move com ela.
3. A alta se concentrou onde o lucro estava. ITUB4 e BBDC4 subiram perto de 80% com os dividendos de dezembro de 2024 a setembro de 2026, bem acima do BOVA11 (+56%). As small caps (SMAL11) subiram 29%. WEGE3 ficou em +2%, RADL3 em −12%, o HGLG11 em +10%. Quem acompanhava só as ações que conhecia pode ter atravessado uma alta de 57% com a sensação de que nada aconteceu.
Quem vendeu e quem comprou
A B3 publica, todo dia, o saldo de compras menos vendas por tipo de investidor. Somando os meses de outubro de 2024 até a sessão de 22/10/2026:
Antes de continuar: De outubro de 2024 a 22/10/2026, enquanto o Ibovespa subia, quanto o institucional local (em grande parte, fundos) vendeu a mais do que comprou na B3?
a) Uns R$ 10 bilhões · b) Uns R$ 40 bilhões · c) Uns R$ 75 bilhões · d) Mais de R$ 100 bilhões
Resposta: Mais de R$ 100 bilhões. R$ 107,6 bilhões. O estrangeiro comprou R$ 68,1 bilhões e a pessoa física, R$ 17,9 bilhões. A alta foi feita com o investidor profissional daqui do lado vendedor.
−R$ 107,6 bi o institucional, out/2024 a 22/10/2026 · +R$ 68,1 bi o estrangeiro, no mesmo período · +R$ 17,9 bi a pessoa física
O fluxo não andou em linha reta. Janeiro de 2026 foi o maior mês de compra do estrangeiro desde março de 2022, quando a série começa: R$ 26,3 bilhões. Agosto de 2026 foi a maior saída: R$ 18,1 bilhões, com o institucional comprando R$ 11,4 bilhões do outro lado, e o índice terminou o mês praticamente estável. Em outubro, até o dia 22, o estrangeiro voltou a comprar, R$ 19,1 bilhões, e o institucional vendeu R$ 10,7 bilhões.
O que a régua, o juro e o dólar diziam no mês
| Mês | Ibovespa no fechamento | Régua | Selic meta | Focus: Selic no fim do ano | Dólar médio do mês |
|---|---|---|---|---|---|
| dez/24 | 120,3 mil | baixa | 12,25% | 14,75% (fim de 2025) | R$ 6,10 |
| jun/25 | 138,9 mil | alta | 15,00% | 15,00% (fim de 2025) | R$ 5,55 |
| jan/26 | 181,4 mil | alta | 15,00% | 12,25% (fim de 2026) | R$ 5,34 |
| abr/26 | 187,3 mil | alta | 14,50% | 13,00% (fim de 2026) | R$ 5,03 |
| jun/26 | 172,0 mil | baixa | 14,25% | 14,00% (fim de 2026) | R$ 5,13 |
| set/26* | 183,5 mil | alta | 13,75% | 13,50% (fim de 2026) | R$ 5,14 |
Selic meta no fim do mês (SGS 432); Focus: mediana do último boletim do mês (BCB, Expectativas de Mercado); dólar médio do mês (SGS 3698). *Setembro: último fechamento do arquivo, 25/09/2026.
Duas leituras. A primeira: em dezembro de 2024, com a régua em baixa e o dólar na média de R$ 6,10, o Focus esperava a Selic em 14,75% no fim de 2025. O pessimismo estava no juro, no câmbio e no preço ao mesmo tempo, como em janeiro de 2016 (aula 3). A segunda: de janeiro a junho de 2026, o Focus para o fim do ano subiu de 12,25% para 14%. O mercado passou a esperar menos cortes, e a régua ficou em baixa em maio e junho. Com o juro esperado subindo, o índice parou de subir. O módulo 1 mostra que a bolsa compra o juro antes do comunicado.
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