Quando vender: "já ganhei bastante" não é gatilho
A régua virou, o peso estourou ou a condição de erro aconteceu. Fora disso, vender é o desconforto falando. E o peso é o gatilho que só aparece quando você olha a carteira inteira, não papel a papel.

A ideia: você vende porque uma regra disparou, não porque o preço andou
A maioria das vendas acontece por um motivo que não está escrito em lugar nenhum. O papel subiu e deu vontade de garantir. Ou caiu e deu medo de cair mais. Nos dois casos, o que disparou a venda foi o preço mexendo, não a carteira mudando de estado.
Existem três motivos legítimos para vender, e nenhum deles é quanto você ganhou ou perdeu. A régua virou no fechamento do mês. O peso da posição passou do limite que você escreveu. Ou a condição de erro, escrita antes de comprar, aconteceu.
A trilha "Quando vender" já mostra as regras de venda uma por uma (stop, venda parcial, tese quebrada, aporte). Esta aula olha a venda de outro ângulo: o da carteira inteira.
Três gatilhos, três níveis

Cada gatilho olha um nível: o papel, a carteira ou a empresa. Os falsos olham para o preço e para você.
Gatilho 1: a régua virou. O fechamento mensal ficou abaixo da média exponencial de 5 meses. É um fato sobre o papel: a tendência mudou de lado. Só vale no fechamento do mês; um susto no dia 12 não é gatilho de nada.
Gatilho 2: o peso estourou. A posição passou do teto que você definiu para ela. É um fato sobre a carteira: o papel pode estar ótimo, mas ficou grande demais para o seu patrimônio. Aqui você não zera, apara.
Gatilho 3: a condição de erro aconteceu. Antes de comprar, você escreveu um fato verificável que desmentiria a tese: a dívida passar de um nível, a margem cair por dois trimestres, o contrato principal não ser renovado. Aconteceu, vende, mesmo que o preço esteja subindo naquele dia. É um fato sobre a empresa.
"Já ganhei bastante", "não aguento mais ver vermelho", "voltou ao meu preço médio": nenhum desses muda o estado da carteira. O preço médio, em especial, é um número sobre o seu passado. Ninguém do outro lado da tela sabe quanto você pagou.
O gatilho que só aparece na carteira
O gatilho 2 é o mais esquecido, porque ele não aparece quando você olha papel a papel. Veja o que acontece com uma carteira que ninguém mexe:

Dez papéis com 10% cada em agosto de 2014. Cada linha é o peso de um papel na carteira, mês a mês, sem vendas nem compras, com os proventos reinvestidos no próprio papel.
Em agosto de 2014, cada papel valia 10%. Doze anos depois, sem ninguém decidir nada, a WEGE3 era 24% da carteira, e chegou a 29% em janeiro de 2025. A RADL3 passou por 26% em 2016 e terminou em 11%. Do outro lado, LREN3 e ABEV3 encolheram para 3%.
Olhe a mesma posição pelos dois ângulos.
Papel a papel: a WEGE3 foi o melhor investimento da lista, multiplicando o valor por 11,8 no período com os dividendos (+1.078%). Vender "porque subiu muito" teria cortado justamente o melhor papel da lista.
A carteira como um todo: com 29% numa posição, uma queda de 30% nesse papel tira quase 9% do patrimônio inteiro (0,29 × 30%). Com 10%, tiraria 3%. A empresa é a mesma; o risco na sua vida é quase três vezes maior. Ninguém escolheu essa aposta: ela aconteceu.
É por isso que o gatilho de peso existe, e por isso ele pede aparar, não zerar. Voltar a posição para perto do teto mantém você dono do vencedor, só que num tamanho que você decidiu.
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