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Carteira: construir, dimensionar, rebalancear · Aula 5 de 8

Caixa em Selic é posição, não indecisão

Com a Selic em 13,75%, o dinheiro fora de um papel em baixa rende cerca de 1,08% ao mês. Na PETR4, foi isso que fez a régua empatar com segurar, com menos da metade da queda.

por Vinícius Rosa5 min de leituraatualizada em trecho aberto
Caixa em Selic é posição, não indecisão

A ideia: dinheiro parado que não está parado

"Dinheiro parado" é uma das expressões mais caras do mercado brasileiro. Quem vende um papel em tendência de baixa e deixa o dinheiro rendendo a Selic não está parado. Está numa posição de risco quase zero, com retorno conhecido.

Caixa em Selic é uma linha da carteira como qualquer outra: tem peso, tem retorno e tem função. A função não é "esperar a oportunidade". É render enquanto o resto cai. No Brasil, com juro alto, essa função explica uma parte grande do resultado de qualquer regra que manda sair do mercado.

O preço de esperar, em setembro de 2026

Veja os números da aba Juros na semana em que esta aula foi escrita:

A Selic, o IPCA e o juro real na aba Juros do Quantor

Print da aba Juros em setembro de 2026. Os marcadores estão explicados no texto.

A Selic (1) estava em 13,75% ao ano, depois do quinto corte seguido: o último, de 0,25 ponto, em 17/09/2026, vindo de um pico de 15%. A inflação (2) dos últimos 12 meses era de 4,22%. Descontando a inflação esperada, o juro real (3) ficava em 8,72% ao ano. E o mercado esperava um novo corte (4) na reunião de novembro.

Em reais por mês: 13,75% ao ano é cerca de 1,08% ao mês (1,1375 elevado a 1/12 = 1,0108). Quem fica seis meses fora de um papel acumula uns 6,6% nesse período. Em agosto de 2026, a Selic efetivamente rendeu 1,09% no mês.

O teste: a régua com e sem caixa

A régua do Quantor é simples: se o mês fecha acima da média exponencial dos últimos 5 fechamentos mensais, o papel está em alta e você fica; se fecha abaixo, está em baixa e você sai. A pergunta é: o que fazer com o dinheiro enquanto está fora?

Testamos a PETR4 desde junho de 2000 em três versões: segurar sempre; seguir a régua com o dinheiro fora rendendo Selic; e seguir a régua com o dinheiro fora parado, sem render nada.

PETR4 de 2000 a 2026: segurar, régua com Selic e régua com caixa parado

R$ 100 aplicados em junho de 2000, em escala logarítmica (cada degrau é o dobro). Preços com proventos: quem segura recebe os dividendos.

  • Segurar: +18,0% ao ano, com pior queda de −87%.
  • Régua + Selic: +17,0% ao ano, com pior queda de −40%.
  • Régua com caixa parado: +12,5% ao ano, com pior queda de −59%.

Retorno praticamente igual, queda menos da metade. E a diferença entre as duas versões da régua (uns 4,5 pontos ao ano) veio inteira do juro recebido nos 36% dos meses em que a régua mandou ficar fora. Uma boa parte do resultado da disciplina não veio de acertar a hora de sair. Veio de existir um lugar remunerado para onde ir.

Um detalhe que surpreende: na PETR4, os meses em baixa na régua renderam, em média, +2,0%; os meses em alta, +2,1%. Praticamente igual. A régua não prevê o mês seguinte. Ela evita as sequências de queda, como a que levou o papel a −87% entre 2008 e 2016. Quem espera previsão olha essa estatística e abandona o método.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.