Correlação: dez papéis que caem juntos são um papel
A diversificação entre ações brasileiras funciona nos meses comuns e encolhe nos meses em que você mais precisa dela. O que protegeu de verdade estava fora da bolsa local.

A ideia: a diversificação tem dia de folga
Você montou uma carteira com banco, minério, energia, indústria e consumo. Nos meses comuns, ela se comporta bem: quando um papel cai, outro sobe, e o saldo oscila pouco. Aí vem um mês de pânico e tudo desaba junto, como se você tivesse um papel só.
A correlação entre ações do mesmo país sobe justamente nos meses ruins. A proteção que sobra nessas horas vem de fora da bolsa local: outra moeda, outro mercado, caixa.
Correlação mede quanto dois papéis andam juntos, numa escala de −1 a +1. Perto de +1, sobem e caem juntos; perto de zero, um não diz nada sobre o outro; negativa, andam em sentidos opostos. A aula 10 de "Ler o mercado" ensina a medir a correlação média da sua carteira. Esta aula mostra o que acontece com ela quando o mercado quebra.
O mês ruim: quase tudo no vermelho
Pegamos os oito piores meses do Ibovespa desde 2008 e contamos quantas das ações hoje líquidas na B3 (as que já tinham histórico naquele mês) fecharam o mês em queda.

Cada barra é um mês. Embaixo, quanto o Ibovespa caiu e quantos papéis entraram na conta.
Em março de 2020, o Ibovespa caiu 29,9% e 98% das 88 ações da conta fecharam no vermelho. Em outubro de 2008, 96%. Em junho de 2022, 97% de 102 papéis. No "menos pior" dos oito meses, ainda assim 81% caíram.
Faça a conta do que isso significa para a sua carteira. Se 98 de cada 100 ações caíram, a chance de você ter escolhido dez papéis e nenhum deles cair era praticamente nula. Não havia seleção de ações brasileiras que atravessasse aquele mês no azul.
O mesmo efeito, numa carteira comum
Agora uma carteira de sete papéis de setores diferentes: PETR4, VALE3, ITUB4, WEGE3, ABEV3, EGIE3 e BBAS3, com os retornos mensais de 2010 a agosto de 2026.
- Nos 75 meses calmos (Ibovespa entre −3% e +3%), em média 3,8 dos sete papéis caíram. Cada um seguiu a sua própria história: quase metade para cada lado.
- Nos 25 meses de queda forte (Ibovespa −5% ou pior), em média 5,7 dos sete caíram.
Os mesmos sete papéis, com as mesmas empresas por trás. O que mudou foi o mercado. No pânico, quem precisa vender vende o que tem liquidez, e liquidez é algo que todos os papéis grandes têm em comum. Por isso o saldo que parecia protegido afunda junto.
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