Onde o método funciona, e por quê
A mesma conta que rendeu +26,8% ao ano na B3 perdeu do S&P 500 na prova cega. Nos EUA dos anos 90, ela rendia quase o dobro do índice. O que mudou foi o mercado, não a conta.

A pergunta
Se uma regra funciona na B3, por que não funcionaria nos EUA? Muita gente trata um backtest brasileiro bom como prova de que achou algo universal. (Backtest é simular como uma regra teria se saído no passado, com os dados de cada época.) A melhor forma de saber é levar a regra, sem mudar nada, para outro mercado.
Foi o que a pesquisa do Quantor fez com o índice da casa (IQ): uma nota que o Quantor dá para ações que sobem com constância, sem sustos. A conta é a mesma nos dois países, portada linha por linha e conferida em 400 casos, com zero divergência.
O que comparamos
- B3: as 10 ações de maior IQ, refeitas todo mês, com a trava do Ibovespa (CDI quando o índice fecha o mês abaixo da média exponencial de 5 meses, uma média que dá mais peso aos meses recentes), 2006 a 2026. Tudo na base sem viés de sobrevivência (que inclui as empresas que quebraram ou saíram da bolsa). Custo de 0,1% por ordem.
- EUA: as 10 ações de maior IQ no S&P 500 (o principal índice da bolsa americana) sem viés de sobrevivência, com e sem a mesma trava, 1991 a 2026. Custo de 0,05% por ordem. Caixa em T-bill.
Nos dois, prova cega: a regra foi fixada antes do período de teste final.
O resultado

Leitura: roxo, as 10 ações de maior IQ; âmbar, o índice de cada bolsa, no mesmo pedaço de tempo. O que olhar: na B3 o roxo vence em todos os pedaços; nos EUA, a vantagem some com o tempo.
Na B3, as 10 ações de maior IQ com a trava renderam +26,8% ao ano de 2006 a 2026, com pior queda de −20%, e ganharam do Ibovespa nos três pedaços do período. Na prova cega de 2017 a 2026, fizeram +26,2% contra +12,1% do Ibovespa.
Nos EUA, a história é outra:
- 1991–2001: a mesma carteira fez +26,2% ao ano, contra +14,4% do S&P 500. Quase o dobro.
- 2002–2013: +8,9% contra +6,2%. A vantagem encolheu.
- 2014–2026: +11,1% contra +13,9%. Virou desvantagem.
- Prova cega, 2011–2026: +12,0% contra +14,3% do índice.
Nos EUA o IQ ainda ganhou de ações sorteadas (carteiras montadas ao acaso, para medir a sorte) e empatou com o índice de pesos iguais (a mesma quantia em cada ação). Perdeu para as gigantes.

Leitura: vazio, sem a trava; cheio, com ela. Roxo, a trava ajudou; vermelho, atrapalhou. Repare: no Brasil as barras são roxas; nos EUA, vermelhas.
A trava mostra o contraste mais forte. Na B3, levou as 10 ações de maior IQ de +22,9% para +26,8% ao ano e cortou a pior queda de −46% para −20%. No próprio Ibovespa, de +8,8% para +11,2%. Nos EUA, de 2011 a 2026, levou o S&P 500 de +14,3% para +9,1% e o IQ de +12,0% para +7,7%, quase sem mexer na queda.
O que quase ninguém sabe. O sinal da trava é o mesmo nos dois países. O que muda é quanto o dinheiro rende enquanto espera. De 2006 a 2026, o CDI pagou +10,2% ao ano: sair da bolsa no Brasil era trocar ações por um ativo que rendia quase tanto quanto elas. Nos EUA, o T-bill pagou +1,6% ao ano de 2011 a 2026: cada mês fora era um mês parado. No teste registrado antes, a trava ajudou em 0 de 17 pares de carteiras americanas no período de prova cega. A mesma regra de proteção é barata num país de juro alto e cara num país de juro zero.
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