Proteção no mercado americano: quanto custa cortar a queda
Em 35 anos de S&P 500, proteger a carteira custou de 0,6 a 2,1 pontos por ano e cortou a pior queda pela metade. De 2011 para cá, custou 4 a 5 pontos. E em 2020, a proteção mais famosa caiu mais que o índice.

A ideia
"Com uma regra simples de tendência, você fica no mercado nas altas e sai nas quedas." Os livros americanos de investimento estão cheios dessas regras, com gráficos que mostram 2000 e 2008 sendo evitados com elegância. Na B3, vimos que a trava do índice fez isso e ainda rendeu mais (trilha Risco e proteção). A trava é uma regra de proteção: se o índice fecha o mês abaixo da própria média de 5 meses, o dinheiro sai das ações e fica no caixa até ele voltar para cima. A pergunta é se vale no maior mercado do mundo, e quanto custa.
As quatro proteções
- Dual momentum: fica no S&P 500 (o principal índice da bolsa americana) quando ele rendeu mais que o T-bill (o título curto do governo americano) nos últimos 12 meses; senão, vai para o T-bill.
- Média de 10 meses (Faber): fica no índice quando ele fecha o mês acima da média simples dos últimos 10 fechamentos mensais.
- Trava da média de 5 meses: a mesma regra usada na B3, com a média exponencial de 5 meses (uma média que dá mais peso aos meses recentes).
- Controle de volatilidade: ajusta quanto fica em ações para mirar uma oscilação de 15% ao ano. Quando o mercado fica nervoso, reduz a exposição; quando acalma, aumenta. Versões com a volatilidade de 1 e de 3 meses.
Todas decidem no fim do mês e executam no fechamento seguinte. Fora das ações, o dinheiro rende T-bill.
O que testamos
O S&P 500 com dividendos, de 1991 a setembro de 2026, com cada proteção por cima. Três medidas:
- Custo: quanto de retorno ao ano a proteção tirou em comparação com o índice sem nada.
- Corte: quanto ela reduziu a queda nas quatro crises do período (2000–2002, 2008, 2020 e 2022).
- Prova cega: as regras foram fixadas antes, e o período de 2011 a 2026 foi medido à parte.
O resultado

Leitura: a pior queda em cada crise. Quanto mais claro, menor a queda; vermelho, caiu mais que o índice sem proteção. O que olhar: nas quedas lentas (2000–2002 e 2008), as regras cortam muito o tombo; na queda relâmpago de 2020, o dual momentum ficou vermelho, caindo mais que o índice.
Nas crises lentas, as regras de tendência brilharam. Em 2000–2002, o índice caiu 45%; com a média de 10 meses, 6%. Em 2008, o índice caiu 51%; com dual momentum, 11%; com a média de 10 meses, 5%. O controle de volatilidade cortou bem menos nessas duas: −39% e −31%.
Nas crises rápidas, o jogo muda. Em 2020, o índice caiu 20%, e o dual momentum caiu 23%. Ficou dentro do tombo de março, porque a conta de 12 meses ainda estava positiva. E saiu no fechamento de 1º de abril, bem na hora em que a recuperação começava. Em 2022, a média de 10 meses e a trava cortaram pouco: −21% e −20%, contra −24% do índice.

Leitura: vazio, o custo ao ano em 35 anos; cheio, só de 2011 a 2026. Repare: as barras cheias são várias vezes maiores que as vazias.
No período todo, o custo foi pequeno: 0,6 ponto percentual por ano no dual momentum, 1,3 na média de 10 meses, 2,1 na trava. Em troca, a pior queda do índice, o maior tombo do topo até o fundo, caiu de −51% para cerca de −23%. É o seguro que os livros prometem.
Voltar à trilha Brasil × EUA: o que funciona ondeTodas as trilhas
Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.