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Trade Like a Stock Market WizardMark Minervini · 2013
A leitura do Quantor · Operadores e as histórias dos trades

Trade Like a Stock Market Wizard

Mark Minervini, 2013

Minervini acertou ao transformar o gráfico num filtro de risco — comprar só o que já subiu, no ponto em que a volatilidade seca, com stop curto — mas na B3 o que sobrevive do método é a defesa, não a promessa: o VCP ficou comprado 8% do tempo e rendeu +0,9% ao ano sozinho, e só a versão com lucro crescendo junto do preço passou no nosso crivo.

6 capítulos · cerca de 40 min de leitura · texto próprio do Quantor, com os números da B3
Este não é o livro. É a leitura do Quantor sobre ele: as ideias de Mark Minervini explicadas com texto próprio, as histórias que o livro conta, o que envelheceu, e o que ele ensina testado com 20 anos de dados da B3. Para a obra completa, leia o original.

Sumário

  1. 1O operador que comprava caroComo um trader americano autodidata transformou o gráfico num filtro de risco e escreveu o manual de quem compra o que já subiu.6 min · aberto
  2. 2Comprar força, perder poucoAs ideias que sustentam o SEPA: tendência como permissão, contração de volatilidade como medida de risco, lucro como causa e stop curto como régua de tamanho.Explica o modelo de tendência (estágio 2), o VCP como mecanismo de esgotamento de vendedores, a exigência de lucro acelerando junto do preço e a regra de que o risco por operação define o tamanho da posição. Mostra a tensão interna do livro: julgamento subjetivo na entrada, disciplina mecânica na saída.
  3. 3O VCP na B3O que acontece quando a contração de volatilidade e o estágio 2 passam pelo moedor de 437 ações brasileiras desde 2006.Mostra que o VCP traduzido em regra objetiva rendeu +10,6% ao ano por ação na B3 contra +10,5% do CDI, mas ficou comprado só 8% do tempo e, sem o CDI do tempo parado, entregou +0,9% ao ano — funcionou como filtro de risco, não como gerador de retorno. Mostra também que as versões de carteira baseadas só em força e tendência (estágio 2, Mansfield, topo de 52 semanas) não passaram no crivo, e que a única que passou foi a que exigia lucro crescendo junto do preço.
  4. 4O que o gráfico contaDe Livermore ao estágio 4 de 2008: os casos que explicam por que o padrão funciona e por que ele falha.Reconstrói a linhagem do SEPA (Livermore, O'Neil, Weinstein) e a mecânica humana da contração de volatilidade: uma fila de vendedores que se esvazia em ondas cada vez menores. Amarra isso aos ciclos da B3 — o estágio 2 longo até 2008, o melhor subperíodo dos testes em 2013–2019, a queda de −50% com 112 meses para voltar ao topo e os 21 dias acima de 4 desvios desde 2000, onde o stop curto não protege.
  5. 5O que o método cobraOs limites do SEPA num mercado pequeno, concentrado e com juro real alto — e o que sobra dele depois da contaMostra por que o SEPA foi calibrado num mercado que o Brasil não tem: universo líquido pequeno e concentrado, CDI de dois dígitos competindo com a posição comprada e giro que cobra pedágio (a mesma carteira rendeu +22,0% ao ano com custo de 0,1% por operação e +17,3% com 0,5%). Expõe a subjetividade do VCP, o viés de sobrevivência do gênero e o que mudou desde 2013 — gaps que furam stop curto e o fluxo estrangeiro que o gráfico não enxerga.
  6. 6A disciplina que sobraO que resta do SEPA depois dos testes da B3 não é um gerador de retorno: é um protocolo de risco com um concorrente chamado CDI.Converte o método de Minervini em cinco disciplinas operacionais — saída definida antes da entrada, trava de índice, exigência de lucro junto do preço, contabilidade de custo e tempo fora, e registro das próprias operações — amarrando cada uma ao número do teste correspondente na B3. Fecha ligando essas disciplinas ao que a plataforma mede: régua EMA-5 mensal, Nota Fundamentos e mestres, força relativa nos Rankings, termômetro de risco e fluxo por tipo de investidor.
Leitura Quantor · capítulo 1 de 6

O operador que comprava caro

Como um trader americano autodidata transformou o gráfico num filtro de risco e escreveu o manual de quem compra o que já subiu.

Quase todo livro de investimento ensina a comprar o que está barato. Este ensina o contrário: comprar o que já subiu muito, no momento em que a ação para de oscilar, e sair ao primeiro sinal de que você estava errado. Mark Minervini não escreveu um tratado sobre o valor das empresas — escreveu um protocolo para arriscar dinheiro em ações sem nunca saber o que vem depois.

Um trader de tela escrevendo quatro anos depois do fundo

Minervini é operador americano autodidata. Não veio de banco nem de universidade de finanças: construiu reputação operando a própria conta no mercado de ações dos Estados Unidos, e ganhou fama ao longo dos anos 1990, numa época em que corretagem barata, dados em tempo real e um mercado de alta prolongado criaram uma geração inteira de traders independentes. Ficou conhecido fora do seu círculo quando Jack Schwager o entrevistou para Stock Market Wizards, em 1999 — a série de livros que consagrou o gênero "conversa com o operador que ganhou". O título do livro de 2013 é referência direta a isso, e o leitor entende o recado antes de abrir o sumário.

O momento da publicação importa mais do que parece. 2013 é quatro anos depois do fundo da crise de 2008. O investidor pessoa física americano tinha acabado de ver a bolsa cair pela metade e voltar inteira — e boa parte dele saiu no pior momento. O público do livro é exatamente esse: alguém machucado, desconfiado da promessa de "segurar para o longo prazo", querendo uma regra que diga quando entrar e, principalmente, quando sair.

A promessa do livro responde a essa dor. Não é "encontre a ação barata e espere o mercado reconhecer". É mais estreita e mais honesta: opere apenas durante o trecho da subida, com o prejuízo máximo definido antes de clicar na compra. Minervini não afirma saber quanto uma empresa vale. Afirma saber quando não tem permissão para estar comprado. É uma diferença de ambição que organiza todo o resto do livro.

A linhagem: Livermore, O'Neil, Weinstein

Minervini não inventou a ideia de comprar força. Ele é herdeiro declarado de uma escola americana de análise de tendência com quase um século de história, e reconhecer isso ajuda a ler o livro sem mistificação.

O primeiro nome é Jesse Livermore, especulador das primeiras décadas do século XX, imortalizado no clássico Reminiscências de um Especulador Financeiro. A contribuição de Livermore para a linhagem é uma ideia que até hoje incomoda: o dinheiro grande não está em antecipar o movimento, está em esperar que ele se confirme e participar do trecho do meio. Antecipar é confortável e caro. Confirmar é desconfortável e barato em risco.

O segundo é William O'Neil, fundador do Investor's Business Daily e criador do método CAN SLIM. A partir dos anos 1960, O'Neil estudou sistematicamente as ações que mais subiram nos Estados Unidos em décadas anteriores e chegou a uma conclusão que contraria o senso comum: as maiores altas não começavam no fundo do poço, começavam perto de máximas, com lucro trimestral acelerando e com a ação já batendo o índice. Barato não era pré-requisito. Lucro crescendo era.

O terceiro é Stan Weinstein, que organizou a vida de uma ação em quatro estágios — a base depois da queda, a alta instalada, a distribuição no topo, o declínio — e deu à análise de tendência um vocabulário simples o bastante para qualquer um usar. O que Minervini acrescenta a essa herança são duas coisas: um padrão de preço específico, o VCP, que marca o momento em que a oscilação de uma ação em alta seca antes de um novo avanço; e uma obsessão com o tamanho de cada prejuízo individual. A primeira é a parte vistosa. A segunda é a que mantém o operador vivo.

O SEPA é um funil, não uma fórmula

O nome que ele dá ao método é SEPA — uma sequência de etapas que uma ação precisa atravessar antes de virar candidata a compra. Não é fórmula com entrada e saída fechadas. É um funil que elimina.

A primeira peneira é o modelo de tendência: a ação precisa estar numa alta já instalada, com preço acima das médias longas, as médias na ordem certa e subindo, e desempenho melhor que o do índice. Isso sozinho descarta a maioria esmagadora do mercado em qualquer momento. A segunda é fundamentalista: lucro e receita acelerando, margens melhorando, alguma mudança real no negócio. A terceira é o catalisador — um produto, um contrato, uma virada de ciclo que explique por que agora e não há dois anos. A quarta é o ponto de compra: o lugar do gráfico onde entrar custa pouco em risco, porque o preço que invalida a tese está a poucos por cento dali.

Repare na ordem. O gráfico aparece no começo, como filtro de elegibilidade, e no fim, como cronômetro. No meio está o negócio. Quem lê o livro como manual de gráfico perde metade do argumento — e, como os próximos capítulos vão mostrar com os números da B3, perde justamente a metade que sobrevive por aqui.

A inversão que o investidor brasileiro não engole

Há um atrito direto entre o livro e o instinto da maioria: compra-se o que está perto da máxima, nunca o que caiu. Para quem foi criado na lógica do dividendo, do preço-alvo e da "oportunidade" depois do tombo, isso soa como erro de principiante.

O mecanismo por trás da inversão é de oferta e demanda, não de otimismo. Uma ação que despencou carrega uma multidão de gente presa em preços mais altos, e cada recuperação devolve parte dela ao mercado como vendedor aliviado — oferta que aparece de graça sempre que o preço sobe. Uma ação em máxima histórica não tem essa multidão: quem está dentro está ganhando, não há memória de preço acima, e qualquer comprador novo precisa pagar mais para convencer alguém a vender. É por isso que "caro" no gráfico e "caro" no balanço são coisas diferentes, e por que o livro usa o preço como medida de aceitação, não de valor.

A contrapartida é dura. Comprar força é comprar perto do ponto em que o erro aparece rápido. O método só fecha a conta se o prejuízo for pequeno e cortado cedo — você aceita errar muitas vezes, de pouco, para ganhar poucas vezes, de muito.

Para quem serve e para quem não serve

Serve para quem tem rotina de acompanhamento e estômago para executar a venda sem discutir com o próprio raciocínio. O SEPA exige filtrar listas, esperar semanas sem fazer nada e agir num intervalo curto. Exige também conviver com uma estatística desconfortável: o operador que acerta menos da metade das entradas ainda pode terminar o ano no azul, desde que os acertos sejam múltiplos dos erros em tamanho.

Não serve para quem quer carteira que se administra sozinha, para quem compra atrás de preço-alvo de relatório e segura porque "os fundamentos não mudaram", nem para quem não suporta realizar prejuízo. No Brasil há um complicador que vai atravessar este mini-livro: o custo de girar a carteira e o fato de o dinheiro parado render juro real alto mudam a aritmética em relação à conta americana — aqui o CDI é concorrente, não estacionamento.

A pergunta que o livro responde é esta: como ganhar dinheiro com ações sem nunca saber se a próxima vai subir — ou seja, como transformar acerto baixo em resultado alto. A resposta começa por quatro ideias, e a primeira delas é que o gráfico não prevê nada.

Continua no capítulo 2
Comprar força, perder pouco

As ideias que sustentam o SEPA: tendência como permissão, contração de volatilidade como medida de risco, lucro como causa e stop curto como régua de tamanho.

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Guia de estudo com texto próprio do Quantor sobre o livro; não substitui a leitura do original. A capa é uma criação nossa, não a da editora.