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Como testar uma estratégia sem se enganar · Aula 7 de 7

Como ler um resultado sem se enganar

O retorno médio é a linha menos importante do backtest. O Ibovespa ficou 9 anos e 4 meses abaixo do topo de 2008, e vários setups que "batem o CDI" só batem por causa do próprio CDI.

por Vinícius Rosa7 min de leituraatualizada em trecho aberto
Como ler um resultado sem se enganar

A ideia

O post mostra um número: "+18% ao ano". É a linha menos importante de um backtest (a simulação de como uma regra teria se saído no passado).

Duas estratégias com o mesmo retorno médio podem ser vidas completamente diferentes. Uma sobe devagar e nunca cai mais que 15%. A outra passa quatro anos no prejuízo, perde metade do dinheiro no caminho e recupera tudo num único ano bom. Na planilha, as duas rendem 18%. Na vida real, quase ninguém aguenta a segunda até o fim.

Ler um resultado é olhar tudo o que o retorno médio esconde. Esta aula fecha a trilha com a ficha de leitura que usamos na pesquisa do Quantor.

Primeira linha: o CDI

No Brasil, dinheiro parado não fica parado: rende CDI, sem nenhuma queda. De 2006 a 2026, o CDI deu +10,2% ao ano. Qualquer estratégia de ações precisa ser comparada com ele no mesmo período do teste. É que o CDI variou muito: +11,1% ao ano em 2006–12, +9,6% em 2013–19, +10,0% em 2020–26.

Uma estratégia que rende 11% ao ano com quedas de 40% no caminho não é uma boa estratégia no Brasil. É um CDI com sustos.

Segunda linha: a queda e o tempo para voltar

A pior queda mede quanto a estratégia perdeu do topo até o fundo. O tempo de recuperação mede quanto demorou para voltar ao topo anterior. Os dois dizem se você aguentaria segui-la.

A queda e o tempo para voltar

Olhe a profundidade e a largura de cada vale: quanto mais fundo e mais largo, pior a experiência. Cada curva mostra a distância até o seu topo anterior, mês a mês.

O Ibovespa, com proventos, caiu 50% entre maio e novembro de 2008. E só voltou ao topo em setembro de 2017: nove anos e quatro meses no prejuízo. A carteira dos 10 maiores IQ com a trava do Ibovespa teve a pior queda de −20%, entre 2022 e 2023, e ficou 25 meses abaixo do topo. (IQ é uma nota que o Quantor dá para ações que sobem com constância, sem sustos.) Sem a trava, a mesma seleção caiu 46% em 2020 e 41% entre 2021 e 2023. E levou quase quatro anos para recuperar a segunda queda.

Terceira linha: bloco a bloco

Um retorno de 20 anos pode esconder que tudo aconteceu numa década. Divida o período em blocos e olhe cada um contra o CDI do bloco.

Os 10 maiores IQ com trava fizeram +31,9% ao ano em 2006–12, +34,5% em 2013–19 e +14,5% em 2020–26. O último bloco ainda bate o CDI, mas rende menos da metade dos anteriores. Nos FIIs, o contraste é maior. O IFIX (o índice dos fundos imobiliários) fez +19,9% ao ano em 2017–19 e −3,9% em 2020–22. Quem olha só um desses blocos tira a conclusão oposta de quem olha o outro.

Quarta linha: concentração

Pergunte de onde veio o ganho. Se tirar os melhores meses ou as melhores ações e o resultado desaparecer, a estratégia é uma aposta em poucos eventos.

Dois exemplos da casa. Nos Estados Unidos, uma carteira de crescimento de dividendos bateu o S&P 500 (o índice das 500 maiores empresas dos EUA) na prova cega. A prova cega é conferir a regra em anos guardados, que ninguém olhou ao criá-la. Mas a vantagem morava em 2021–22, com petroleiras de dividendo variável. Sem esses dois anos, fez +18,8% ao ano, contra +23,1% do índice. Na B3, as ações pouco negociadas de uma carteira rendiam 3,2% ao mês. Sem os 10 melhores meses delas, 1,8%.

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Vinícius Rosacriador do Quantor · professor da AcademyProf. Vinícius RosaCriou o Quantor para ajudar as pessoas a investirem melhor. Trader há 20 anos, engenheiro e programador, autor de O Investidor de Fluxo.

Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.