Escada de vencimentos: renda fixa sem apostar tudo na Selic
Em vez de escolher um prazo, você compra vários, e todo ano um degrau vence e volta para o topo. Uma escada montada no pior momento possível, dezembro de 2020, caiu metade do que um prefixado único caiu e terminou 11 pontos à frente dele.

A ideia: não escolher um único momento
A aula 9 da trilha "Juros, DI e renda fixa" mostrou que travar um prefixado ganhou do CDI em 66% das vezes desde 2005, mas perdeu feio quando o Copom surpreendeu. E ninguém sabe, no dia da compra, se aquele é um dos meses bons.
A escada de vencimentos é a resposta de quem não quer adivinhar. Em vez de pôr todo o dinheiro num prazo, você divide entre vários vencimentos espaçados, como degraus. Quando o degrau mais curto vence, o dinheiro sobe para o topo da escada, comprando o vencimento mais longo pela taxa daquele dia.
A escada não tenta acertar o melhor momento de travar a taxa. Ela garante que você nunca trave tudo no pior. Todo ano, uma parte do dinheiro volta ao mercado e é reinvestida pela taxa da época, alta ou baixa.
Uma escada com as taxas de hoje

R$ 100 mil divididos em partes iguais entre os cinco Prefixados do Tesouro. Embaixo, quanto cada degrau cairia de preço se o juro subisse 2 pontos de uma vez.
Em 18/09/2026, o Tesouro Direto vendia cinco Prefixados: 2027 a 13,54%, 2028 a 13,60%, 2029 a 13,85%, 2031 a 14,10% e 2032 a 14,19%. Com R$ 20 mil em cada um, a escada paga, em média, perto de 13,9% ao ano, e todo começo de ano um degrau vence.
Agora o teste de estresse da aula 5 de Juros: o juro sobe 2 pontos de uma vez. O degrau de 2027, a três meses do vencimento, quase não sente: −0,5%. O de 2032, a mais de cinco anos, cai −8,8%. A escada inteira cai −4,5%, metade do título mais longo sozinho. E o degrau que vence em janeiro volta ao topo comprando o juro já mais alto.
O teste de verdade: 2021
Números de estresse são hipóteses. Então montamos uma escada no pior momento dos últimos vinte anos para quem trava taxa: 30 de dezembro de 2020, com a Selic em 2%, pouco antes de ela começar a subir até 13,75%.
Naquele dia, o Tesouro vendia Prefixados para 2022, 2023, 2025 e 2026. A escada pôs um quarto em cada um. O outro investidor pôs tudo no mais longo, o de 2026, a 6,30%. Cada degrau que venceu foi reinvestido no Prefixado mais longo até cinco anos, pela taxa do dia:

Valores de mercado no fim de cada mês, a partir de R$ 100. Depois de vencer, em janeiro de 2026, o prefixado único passa a render o CDI.
O que aconteceu:
- No pior momento, em outubro de 2021, o prefixado único estava 14,4% abaixo do seu pico. A escada, 7,0%.
- Os degraus foram reinvestidos a 10,63% em janeiro de 2022, 12,95% em 2023, 15,80% em 2025 e 13,46% em 2026. O prefixado único ficou preso aos 6,30% até o fim.
- Em setembro de 2026, a escada valia 160,3; o prefixado único, 149,2.
E o CDI? 185,0. Com a Selic saindo de 2% para até 15%, ficar no pós-fixado foi, de longe, a melhor escolha desse período. A escada não mudou isso. Ela reduziu o erro de ter travado a taxa no pior momento, não o transformou em acerto.
Voltar à trilha Renda fixa além do TesouroTodas as trilhas
Conteúdo educacional. O Quantor não recomenda compra nem venda de ativos; resultados passados não garantem resultados futuros. Decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.